Crescimento de centros logísticos no Brasil demanda cuidado extra com segurança

Por Marco Antônio Barbosa*

Na contramão de qualquer crise, o setor de condomínios logísticos segue em franco crescimento no Brasil. O e-commerce projeta R$ 205 bilhões em vendas no ano, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), um aumento de mais de 10% em relação ao ano passado. Para armazenar tanta compra e entregar cada vez mais rápido em todo o território brasileiro, as marcas investem pesado em locais de armazenamento.

A Shoope anunciou este ano mais seis centros logísticos, enquanto o Mercado Livre espera inaugurar mais 11 em 2025, e a Amazon, mais três. Segundo dados do relatório “Highlights de Mercado 3T2024”, desenvolvido pela EREA, os novos galpões logísticos no Brasil devem crescer 39% em 2024, enquanto o número de vacância cai ao menor nível em 10 anos.

Devido a essas cifras, o mercado de logística no geral é bastante visado. Estes espaços armazenam um número muito grande de mercadorias, ou seja, um valor financeiro considerável. Por isso, na mesma proporção em que crescem, deve-se aumentar, também, a preocupação com segurança de alto nível.

Entretanto, é importante entender que simplesmente um produto não resolve a segurança de um galpão de quilômetros e, por consequência, diversos pontos cegos. Sistemas integrados, que possam deixar o local mais seguro com o uso de câmeras, cancelas, catracas, portões e até tecnologias mais avançadas, como bollards ou dilaceradores de pneus são importantíssimos para manter a criminalidade distante.

Em centros logísticos também são necessárias diversas medidas e um planejamento estratégico personalizado de segurança para que não apareçam possíveis vácuos. Geralmente são locais que reúnem diversas empresas com um grande fluxo de pessoas e veículos. Estas características dificultam o monitoramento. Somente com alta tecnologia é possível manter todos os locais a salvo.

Outro ponto importante foge do controle mecânico. Cada pessoa que entra no local, observa e pode analisar de dentro todo o sistema. É necessária uma equipe muito bem treinada e capacitada de inteligência para sempre atualizar as soluções e prevenir possíveis assaltos.

Homem e máquina precisam se complementar para que a segurança do local não seja falha. Por isso, é muito importante que o investimento acompanhe o mesmo patamar do tamanho dos empreendimentos e de suas particularidades.

Vale destacar que esta é uma realidade em todo o país. O mesmo relatório da EREA, mostra que a região Sudeste lidera a expansão, com foco nas cidades no entorno de São Paulo, que concentraram cerca de 27% das entregas de novos galpões até setembro. Guarulhos e as regiões metropolitanas de Belo Horizonte (MG) e Extrema (MG) figuram entre as principais áreas que estão recebendo esses investimentos.

No entanto, o relatório também destacou a região Nordeste, responsável por 20% do novo estoque no acumulado do ano, com destaque para Recife, que tem se consolidado como um polo importante de infraestrutura logística.

Temos um cenário muito importante que pode impulsionar a economia do país, mas, mais uma vez, a segurança aparece como um ponto de atenção que, se não for priorizada por empresas e setor público, pode ser tornar um calcanhar de Aquiles.

* Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

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