2010: um ano promissor para o setor farmacêutico

26/01/2010

O ano de 2010 será melhor. Acredito que é assim que todos os setores da economia definem os próximos meses que estão por vir. Depois de um ano conturbado com a crise mundial, 2010 deverá trazer mais fôlego para que os negócios de todos os segmentos econômicos alcem vôos ainda mais altos. Estamos em um contexto econômico muito favorável. O Brasil é, no mercado internacional, a bola da vez, por ter uma economia sólida e as estruturas econômicas alinhadas.

Se a previsão é das mais promissoras para aqueles afetados pelo cenário financeiro de 2009, o que esperar daqueles segmentos que passaram à margem da crise e quase não sentiram seus efeitos, como o setor farmacêutico?

O fato de trabalhar com bens de primeira necessidade com certeza ajudou o setor a passar quase imune às turbulências do ano passado. No entanto, o fato de vender produtos essenciais para a população não livrou o setor de uma planejada gestão em tempos de crise. Uma maior aproximação entre as três pontas da cadeia farma, indústria, atacado e varejo, foi primordial para aperfeiçoar ainda mais o serviço prestado. É essa aproximação entre os membros da cadeia que deverá pautar as ações do setor farmacêutico em 2010.

Uma integração mais efetiva entre as partes envolvidas na cadeia possibilita aos três lados interagirem de maneira mais eficiente. Além de uma melhor execução da atividade, este vínculo torna-se essencial para satisfazer o principal fator de toda a atividade do setor: o consumidor.

Cada uma das atividades desempenha um papel importante para o setor. A indústria, com a pesquisa e a produção de medicamentos, disponibiliza para o mercado uma infinidade de produtos, todos eles de importância ímpar para a sociedade, afinal têm comprometimento direto com a saúde e bem-estar da população. O atacado distribui estes produtos de forma eficiente para que os mais de 60 mil pontos de venda estejam sempre abastecidos. Por fim, o varejo promove um trabalho de atendimento pleno ao consumidor. Todas estas partes trabalhando com um mesmo foco trarão benefícios uma para a atividade da outra.

A tecnologia é outro fator que promete impulsionar ainda mais a execução da atividade farmacêutica. No ano passado a implantação da nota fiscal eletrônica trouxe para todos os segmentos da economia mais segurança e maior eficiência nas transações comerciais. A utilização do documento digital tem proporcionado um aperfeiçoamento nas atividades das empresas que transcende a área contábil-financeira.

Porém, a grande contribuição tecnológica reside com certeza no sistema de rastreabilidade. O sistema que já está sendo testado em um projeto piloto deve revolucionar a atividade farmacêutica no Brasil. É devido à rastreabilidade que penso no ano de 2010 como um ano promissor para o segmento farmacêutico.

O novo sistema tem o propósito de resolver dois grandes problemas que hoje prejudicam a atividade farmacêutica: falsificação/ importação clandestinas de remédios e o roubo de cargas. Ambos têm como consequência final o risco à saúde do paciente, a ineficácia destes medicamentos, o encarecimento ou repetição do tratamento e a exposição da população a riscos desnecessários. Os medicamentos são a quarta carga mais visada por assaltantes no país e a rastreabilidade com certeza vai ajudar a mudar este cenário.

Com o rastreamento dos medicamentos desde a saída do laboratório até as mãos do paciente, todas as partes do setor ganharão benefícios. A indústria não será prejudicada com a falsificação de remédios, o atacado não sofrerá mais com o roubo de cargas e o varejo não terá mais prejuízos com os dois crimes. Acredito que a rastreabilidade será o trunfo nos próximos meses, fazendo com que o ano de 2010 seja repleto de bons resultados. O rastreamento nos medicamentos evitará prejuízos. O próximo ano será pontuado pela percepção dos primeiros resultados e consequências desta nova tecnologia.

É esta mistura de diálogo entre as partes e tecnologia que deverá permear toda a atividade do setor durante 2010. A perspectiva é que o setor continuar crescendo e mostrar o quanto o setor é importante para a economia. Mais investimentos deverão resultar em segurança para o consumidor e eficácia no exercício da atividade.

Luiz Fernando Buainain é presidente da Abafarma – Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico
carolina@scritta.com.br

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