Arco Norte deve equilibrar demanda de exportação do agronegócio em 10 anos

25/02/2016

O esforço do ministro dos Portos, Helder Barbalho, em definir as poligonais e liberar licitações de terminais portuários para movimentar os investimentos privados e públicos no Arco Norte, região que compreende os estados de Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e segue até o Maranhão, garantirá ao país, em 10 anos, um equílibrio entre a oferta de soja e milho e a capacidade de movimentação de carga nos portos brasileiros, aponta o especialista em logística e infraestrutura, Luiz Fayet.

“Com a definição das poligonais, os investimentos privados para a construção de Terminais de Uso Privado tornam-se possíveis, e, com a construção do Terminal Público de Outeiros possibilitarão a diminuição do “Custo Brasil” para a exportação das safras localizadas nas novas fronteiras: Mato Grosso, Brasília e Bahia, principalmente”, explica.

Atualmente, a maior parte da plantação de soja e milho destas regiões é transportada via rodovia até o porto de Santos (SP). “Gasta-se hoje cerca de US$ 130,00 a US$ 140,00  por tonelada para exportar pelo Sudeste. Ao fazermos pelo Norte, conseguiremos diminuir entre US$ 50,00 e US$ 60,00 esse custo”.

Segundo Fayet, os maiores benefíciados com a ampliação da capacidade dos portos do Arco Norte serão os produtores e exportadores de milho. Além disso, beneficia-se também toda a cadeia de prestadores de serviços e equipamentos para infraestrutura portuária, que deverá testemunhar um aumento na demanda por soluções aplicadas à operação nos portos e terminais.

Oportunidades de negócios — A consolidação da região do Arco Norte e os recentes anúncios de investimentos são vistos com bons olhos pela cadeia de fornecedores de equipamentos, tecnologia e serviço de infraestrutura portuária e armazenagem. “A notícia traz ânimo para o mercado. Com a construção de novos terminais, consequentemente novos equipamentos voltados a inspeção serão necessários e a Nuctech do Brasil encontrará diversas oportunidades de negócios”, aponta o analista de marketing da empresa William Floriano Júnior. A empresa é uma das expositoras da InfraPortos South America – única feira na América do Sul dedicada à tecnologia e equipamentos para armazéns, terminais e portos – que acontece em abril na cidade de São Paulo.

Para o executivo Mario Teixeira Peres Júnior, o sócio-diretor da Ecorestauradora, que também participa da Infraportos South America, os terminais privados são vistos como uma injeção de investimento para levantar o mercado. “A saída da crise é a inovação, por isso investimos em tecnologia e imaginação. Com muita dedicação é possível reverter o quadro de uma economia desfavorável”, aponta.

Sobre a InfraPortos South America

A InfraPortos South America – Feira e Conferência Internacional sobre Tecnologia e Equipamentos para Armazéns, Terminais e Portos, chega a sua terceira edição e acontece paralelamente a Intermodal South America, nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Evento exclusivamente dedicado à infraestrutura portuária e de terminais, reunirá cerca de 60 empresas dedicadas a desenvolver soluções em equipamentos e serviços para a atividade portuária em geral e espera receber 4.000 profissionais qualificados. Em paralelo à feira, a UBM Brazil também organiza as Conferências InfraPortos, com temáticas relacionadas à infraestrutura, regulamentação portuária, construção e investimentos, meio ambiente e legislação, eficiência portuária,  e mais. A InfraPortos South America conta com o apoio da ABNT, ABTTC, Clube da Âncora, Câmara Oficial Espanhola do Comércio no Brasil e SINDIPESA.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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