Agronegócio garante recorde de movimentação do Porto de Santos até maio

30/06/2022

A movimentação de cargas no Porto de Santos nos cinco primeiros meses do ano refletiu o bom desempenho do agronegócio brasileiro e conferiu ao período a sua melhor marca: 66,5 milhões de toneladas, alta de 5,5% na comparação anual.

As exportações cresceram 5,7%, somando 48,3 milhões de toneladas, e as importações avançaram 4,9%, atingindo 18,3 milhões de toneladas.

O desempenho foi puxado pelos embarques de milho, apresentando crescimento de 134%, para 1,5 milhão de toneladas, seguidos pelo complexo soja (grãos e farelos) com 21,8 milhões de toneladas, alta de 10% na comparação anual. A celulose voltou a se destacar e registrou crescimento de 63,6%, somando 3,3 milhões de toneladas.

“O desempenho das cargas do agronegócio reflete os investimentos sobretudo em terminais especializados que o Porto fez nos últimos anos para escoar com maior eficiência e produtividade as safras. Da mesma forma, o Porto se prepara para ampliar e modernizar a estrutura para fertilizantes e contêineres com os novos terminais dedicados [STS 53 e STS 10] que irão a leilão”, afirma o diretor-presidente da Santos Port Authority (SPA), Fernando Biral. 

Foram destaque, também, os embarques de carnes, com aumento de 49,3% (para 986,2 mil toneladas), e de óleo diesel e gasóleo, com alta de 35,7%, para 982,5 mil toneladas. No sentido inverso, as descargas de fertilizantes tiveram crescimento de 24,2%, totalizando 3,4 milhões de toneladas.

A movimentação de contêineres nos dois fluxos superou os 2,0 milhões de TEU (unidade padrão de um contêiner de 20 pés), ficando 0,4% acima do verificado nos cinco primeiros meses de 2021 – a melhor marca da história do Porto para janeiro-maio.

O movimento acumulado de granéis sólidos chegou a 34,1 milhões de toneladas, alta de 6,6% sobre o mesmo período de 2021. O volume de granéis líquidos também apresentou crescimento e somou 7,6 milhões de toneladas, alta de 5,4%. Ambos registraram suas melhores marcas para o período.

O fluxo de embarcações totalizou 2.093 navios, 3,0% acima do mesmo período do ano passado.

Maio – O movimento de cargas no mês de maio atingiu 14,1 milhões de toneladas, alta de 0,2% sobre o quinto mês de 2021, caracterizando-se como a melhor marca para esse mês. As descargas cresceram 1,4% (para 3,6 milhões de toneladas), enquanto os embarques caíram 0,3% (para 10,5 milhões de toneladas).

Balança Comercial – A participação do Porto de Santos na corrente comercial brasileira foi de 29,4% em maio. Cerca de 32,6% das transações comerciais nacionais com o exterior que passaram pelo Porto de Santos em 2022 tiveram a China como país parceiro. São Paulo se mantém como o estado com maior participação nas transações comerciais com o exterior por meio do Porto de Santos (51,7%).

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal