Transporte rodoviário de cargas: lições aprendidas em 2025 e os desafios que se impõem para 2026

Por Marcelo Rodrigues*

O ano de 2025 foi marcado por um cenário de contrastes para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. De um lado, o setor reafirmou sua relevância estratégica para a economia nacional, sendo responsável por mais de 60% da movimentação de mercadorias no país. De outro, conviveu com pressões estruturais persistentes, que exigiram das empresas elevados níveis de adaptação e resiliência.

A atividade foi impactada por custos operacionais ainda elevados, especialmente combustíveis, manutenção de frota e encargos trabalhistas. Apesar de uma relativa estabilização inflacionária ao longo do ano, a margem das empresas seguiu pressionada, sobretudo entre os pequenos e médios transportadores. A dificuldade de acesso a crédito e a necessidade de renovação de frota permaneceram como entraves relevantes, agravados por juros ainda altos durante todo o ano de 2025.

Em contrapartida, houve avanços importantes. A digitalização dos processos logísticos, a ampliação do uso de tecnologias de rastreamento, telemetria e gestão de dados, além de iniciativas voltadas à eficiência operacional, ganharam força. O setor também avançou no debate sobre sustentabilidade, impulsionado tanto por exigências de embarcadores quanto por compromissos ambientais cada vez mais presentes na agenda corporativa.

Transporte rodoviário de cargas: lições aprendidas em 2025 e os desafios que se impõem para 2026

Outro ponto que merece destaque foi a crescente preocupação com a segurança viária e o combate ao roubo de cargas. Embora ainda distante do ideal, as articulações entre o setor privado e o poder público mostraram resultados pontuais, reforçando a necessidade de políticas permanentes e coordenadas nessa área.

Ao olhar para 2026, o transporte rodoviário de cargas entra em um ano decisivo. As expectativas estão diretamente ligadas à construção de um ambiente econômico mais previsível, com estímulos ao investimento produtivo, melhoria da infraestrutura logística e avanços regulatórios que tragam maior segurança jurídica. A ampliação de concessões rodoviárias, quando bem estruturadas, pode contribuir para ganhos de eficiência, desde que acompanhadas de tarifas equilibradas e transparência nos contratos.

As eleições de 2026 também estarão no centro das atenções do setor. Espera-se que o debate eleitoral incorpore, de forma concreta, temas como infraestrutura, reforma tributária aplicada ao transporte, clareza na política de combustíveis, sustentabilidade e segurança. O setor não busca privilégios, mas condições justas para operar, investir e gerar empregos. É fundamental que os futuros gestores compreendam que logística eficiente não é custo, mas alavanca de competitividade para o país.

O transporte rodoviário de cargas seguirá cumprindo seu papel essencial no desenvolvimento econômico e social do Brasil. Para isso, será indispensável diálogo, planejamento de longo prazo e compromisso com políticas públicas que reconheçam a importância estratégica do setor. O ano de 2026 pode marcar um ponto de inflexão, transformando desafios históricos em oportunidades concretas de avanço.

* Marcelo Rodrigues é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), presidente do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC) e vice-presidente regional da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP).

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