Veículos autônomos (AGVs) chegam à operação da unidade da ZF em Limeira, SP

23/07/2024

Para impulsionar a modernização e digitalização contínua de seus processos industriais, a ZF – empresa global de tecnologia que fornece produtos e sistemas de mobilidade avançada para carros de passeio, veículos comerciais e tecnologia industrial – introduziu dois veículos autônomos guiados em sua unidade de Limeira, localizada no interior de São Paulo. Esses veículos, também conhecidos como AGVs (Automated Guided Vehicles), são projetados para atender as divisões de freios, direções e eletrônicos da empresa, além de reduzir as emissões.  

Cada um desses AGVs é composto por um rebocador e seis vagões, com capacidade para carregar, de maneira autônoma, até cinco toneladas dos mais diversos componentes para montagem de peças automotivas, desde pastilhas de freio até componentes metálicos e itens plásticos.

A iniciativa em Limeira segue o exemplo das unidades da ZF de Engenheiro Coelho, Sumaré e Sorocaba, também no interior paulista. Todo o projeto faz parte da estratégia da ZF de alinhar seus processos com os princípios da indústria 4.0 e com as mais avançadas tecnologias de automação.

Equipados com sensores, os AGVs da ZF são capazes de operar com segurança em ambientes industriais complexos, onde há grande circulação de pessoas e de máquinas, como empilhadeiras. A concepção e implementação do projeto na unidade de Limeira foram adaptadas à infraestrutura da planta para acomodar os AGVs, com o estabelecimento de rotas fixas para a movimentação em áreas internas e externas da fábrica.

Segundo Daniela Beltrame, diretora de logística da ZF América do Sul, o percurso feito pelos AGVs em Limeira soma um quilômetro e conecta o armazém do complexo com diversos pontos das linhas de produção de freios e de direções. 

Para Daniela, o road map de automação tem um cenário de várias oportunidades e por isso já está em andamento a implantação de novos veículos autônomos em outras plantas da ZF no Brasil. “Após experiência em outras unidades ZF, conseguimos aperfeiçoar ainda mais todo o processo, resultado do aprendizado já absorvido ao longo dos últimos anos em outras unidades”, avalia.

Em Limeira, os veículos saem do armazém carregados de componentes, entregam os itens para profissionais da planta – que os distribuem dentro das linhas de produção – e, então, retornam ao depósito com embalagens vazias, fazendo a logística reversa a 4 km/hora. A rota é identificada por meio de frequência indutiva e os obstáculos são detectados por scanners.

Os comandos de velocidade, buzina, acionamento dos semáforos e áreas de scanner de segurança são acionados através de 170 tags RFID (Identificação por Radiofrequência) instaladas ao longo do trajeto.

“Com os veículos autônomos percorrendo essa rota fixa, o processo de distribuição de componentes na planta ficou muito mais ágil. Temos profissionais dedicados a abastecer os AGVs e a receber os produtos transportados por eles, em uma sincronia de trabalho perfeita que deixa tudo mais eficiente”, explica a diretora de logística. “Entre avaliar requisições de peças, transportá-las, entregá-las e retornar, o trabalho dura 15 minutos com os AGVs, contra 1h30 no sistema anterior. Enquanto há um AGV sendo carregado no armazém, sempre haverá outro AGV fazendo as entregas nas linhas de produção. O fluxo de entregas é contínuo, rápido e pode ser feito 24 horas por dia.”  

Os AGVs da planta de Limeira são elétricos e, por isso, não emitem poluentes e têm baterias de lítio fáceis de carregar, o que agiliza toda a operação. 

Desafios superados

Um dos principais desafios do projeto foi adaptá-lo para operação dentro dos movimentados ambientes da planta de Limeira. “Levamos em conta um ambiente com muitas variáveis imprevisíveis, como o tráfego intenso de pessoas e de máquinas de diferentes tipos e tamanhos, como empilhadeiras. Nas áreas externas, além disso, existe a movimentação de carros e caminhões. Todos esses detalhes foram cuidadosamente estudados e analisados para garantir o sucesso da operação e, acima de tudo, a segurança”, explica Daniela. 

Ela conta que, para garantir uma operação eficiente e segura dos AGVs, a ZF instalou uma série de semáforos em locais estratégicos da unidade de Limeira, que são acionados quando os veículos autônomos se aproximam e dessa forma controlam o trânsito dos outros veículos.  “A adoção dessa tecnologia é extremamente benéfica para todos, pois aumenta a precisão e a eficiência das nossas operações logísticas, além de proporcionar maior confiabilidade, sustentabilidade e produtividade à nossa unidade industrial”, finaliza.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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