Marfrig implementa novas tecnologias de monitoramento na área de logística

21/03/2024

A Marfrig, considerada líder global em produção de hambúrgueres e uma das maiores empresas de carne bovina do mundo, começou a fazer, neste ano, rastreamento (tracking) de contêineres em suas unidades no Brasil, controlando o carregamento, o ponto de embarque e o destino final de cargas para garantir a segurança do transporte das mercadorias. Outra vantagem é que o rastreamento agiliza a troca de informações sobre o status da entrega.

“É comum ter tracking de caminhões e navios, por exemplo, mas nem sempre do contêiner transitando em solo. A medida facilita a comunicação da Marfrig com os operadores dos terminais portuários”, diz Fabricio Souza, diretor de Logística da companhia, que atua com processamento de carne, industrializados e plant-based. A empresa exporta produtos para mais de 100 países: entre eles estão os maiores e mais exigentes mercados como Estados Unidos, China e União Europeia.

Torre de controle

No complexo industrial da Marfrig em Várzea Grande, Mato Grosso, a companhia irá construir uma torre de controle similar à de aeroportos para monitoramento dos caminhões dentro da unidade, em função das grandes dimensões da planta.

Assim, a equipe de logística conseguirá localizar mais facilmente onde estão os veículos e fazer o direcionamento para as docas. “O novo sistema de gestão de pátios está aprovado e implantaremos neste ano para garantir mais eficiência e segurança”, afirma Souza. “Na operação de Várzea Grande, precisamos monitorar de 100 a 150 caminhões por dia. Antes dependíamos de contato com o motorista – por rádio ou telefone.”

Toda a frota da Marfrig – que é terceirizada – é monitorada em tempo real via satélite durante os percursos nas rodovias, o que permite à companhia acompanhar onde estão os veículos e se estão em local com alto risco, uma vez que a carga é de alto valor agregado. A temperatura dos veículos também é monitorada para deixar a carga (carne congelada ou resfriada e produtos industrializados de proteína bovina) na temperatura adequada.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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