Com novo contrato na área florestal, JSL investe R$ 190 milhões em equipamentos

20/07/2023

A JSL, considerada a empresa com o maior portfólio de serviços logísticos do País, assinou contrato de 60 meses com a CMPC, uma das principais fabricantes de celulose e papel na América Latina, para o transporte e carregamento de madeira. O negócio é um dos maiores montantes já negociados pela Operadora Logística nesse segmento.

Atualmente, a JSL realiza serviços de descarga de madeira e abastecimento de linhas de produção da CMPC e, com o início do novo contrato, passa a operar a logística de abastecimento de matéria-prima de ponta a ponta. Extraída nas regiões de São Gabriel e Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, a madeira será transportada para a unidade em Guaíba, RS, a cerca de 500 km, para a produção de celulose e papel.

“Trata-se de uma operação complexa, cujos desafios são o carregamento e transporte da madeira de forma integrada e ininterrupta 24 horas por dia e sete dias por semana, em distâncias superiores a 500 km, regulando o fluxo de carregamento, descarga e cadência dos caminhões ao longo da rodovia”, afirma o CEO da JSL, Ramon Alcaraz. Serão mais de 150 conjuntos de ativos operacionais do tipo bitrem e semirreboque florestal 4 eixos – uma inovação que a JSL está levando para a operação –, além de mais de 10 máquinas de carregamento e apoio ao transporte.

Com esse parque de ativos, a previsão é de transportar mais de 1,8 milhão de m³ de madeira por ano, com quilometragem rodada superior a 38 milhões de km. A estimativa de investimento da companhia é de mais de R$ 190 milhões em equipamentos, construção de base, mobilização e programas de formação profissional.
Pela primeira vez no setor logístico, serão utilizados semirreboques florestais de 4 eixos no transporte de madeira, que proporcionam maior capacidade de carga e reduzem a quantidade necessária de veículos para as viagens. A operação contará com central logística integrada 24 horas; telemetria de última geração; sensores de fadiga e distração; câmeras frontais; caminhões com câmeras laterais e internas; salas de estimulação contra o sono no período noturno; software de controle logístico especializado e uso de máquina de carregamento de madeira com eficiência 25% superior ao modelo de máquina usado pela JSL no contrato mais recente de carregamento florestal.

“Estamos constantemente reavaliando nossos processos em busca de maior eficiência e em encontrar soluções que possam representar otimização de recursos com menor impacto para o meio ambiente. Desafiamos nossos parceiros a seguirem no mesmo caminho e essa é a razão para termos aprofundado nossa relação com a JSL. Porque eles compartilham dessa necessidade por excelência conosco”, explica Mauricio Harger, diretor-geral da CMPC no Brasil. A operação irá gerar emprego para 565 novos colaboradores da JSL nas cidades gaúchas de Butiá, São Gabriel, Santa Maria, Manoel Viana e Rosário do Sul, principalmente para motoristas e operadores, com formação de mão de obra local, inclusive feminina, por meio de cursos e treinamentos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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