Tecnologia na gestão de transportes: Como “dar partida” em uma logística eficiente para os marketplaces

18/04/2023

Os marketplaces vêm se consolidando como o modelo de compras preferido dos brasileiros nos últimos anos. Cerca de 90% dos consumidores têm o hábito de realizar suas compras online por meio de marketplaces, de acordo com a pesquisa “Tendências do Varejo 2023”, realizada pela Dito CRM e o Opinion Box; enquanto isso, o sistema representa quase 80% da participação do comércio eletrônico B2C, segundo o estudo Ebit|Nielsen.

Os dados confirmam a grande influência dos marketplaces no e-commerce nacional. No entanto, mesmo com os bons resultados, as grandes empresas varejistas ainda enfrentam alguns desafios no seu sistema logístico de distribuição e entregas.

Um dos desafios das grandes empresas do varejo é estar presente nos principais centros urbanos, no interior e nas regiões rurais. Esse fator afeta diretamente no tempo de entrega dos produtos: 54% dos consumidores relatam que abandonam suas compras em decorrência do longo prazo de entregas.

Para corrigir esse problema, as empresas podem contratar hubs, centros de armazenagem e distribuição, localizados nos principais municípios do país. “Muitas empresas desejam realizar entregas same day ou dia seguinte, mas não conseguem realizar esse tipo de entrega em todas as cidades. Para reverter essa situação e agilizar o processo de entregas, as grandes varejistas têm alugado hubs”, explica Fernando Sartori, CEO da Uello, empresa especializada em logística.

A alta demanda por esses espaços em 2022 resultou na construção de 2,5 milhões de metros quadrados em condomínios logísticos de alto padrão no país, de acordo com o levantamento da consultoria Binswanger Brazil.

Além disso, encontrar o parceiro correto para gerenciar o processo de entregas também exige muito do varejista. A parceria tem como objetivo suprir todas as necessidades e demandas dos grandes players por meio da execução de rotas eficientes, da equipe de suporte, da alta tecnologia de mercado e de inovações logísticas. Apesar de ser um fator chave para as empresas, muitos têm encontrado dificuldades neste quesito.

“Esses fatores geram impacto direto na eficiência logística dos players. Escolher o parceiro certo irá definir o sucesso das operações no marketplace, desde a armazenagem dos produtos até a entrega final para o consumidor”, explica Sartori.

Outro fator que tem muita força na logística é o Last Mile. Neste caso o maior desafio dos players é consolidar a eficiência no trecho final das rotas, porque será determinante na experiência dos consumidores. Para esse público, o processo de compra é único, desde a pesquisa e escolha de um produto até a entrega final. “Pesquisas ligadas ao e-commerce mostram que o consumidor não dissocia de forma completa a experiência de compra no site e da entrega dos produtos. Para ele é como se tudo fosse uma única coisa. Essa experiência influenciará na decisão final do consumidor, se irá realizar ou não compras naquele e-commerce”, ressalta Sartori.

Fernando explica que esse processo é alinhado diretamente com a equipe de roteirização, que será responsável pelo sucesso desse setor. “A realização eficiente de entregas é a que exige menos carros nas ruas, mas ao mesmo tempo tem total eficiência nos envios dos produtos. Uma rota bem definida poderá fazer com que um motorista percorra menos quilômetros para abranger uma região; É uma rota única, rápida e precisa de entregas.”

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal