Bosch antecipa abertura de fábrica de semicondutores que abastecerá o Brasil

15/06/2021

bosh

Em meio à maior crise de falta de semicondutores, que tem levado fábricas de veículos à paralisação no mundo todo, a Bosch antecipou em seis meses a inauguração de uma fábrica do componente na Alemanha, de onde abastecerá outras unidades do grupo, incluindo o Brasil. A solenidade de inauguração foi feita na última semana de forma online e teve a participação da primeira ministra alemã, Angela Merkel, confirmando assim a importância da produção local de chips, hoje dominada por países asiáticos, embora a Bosch seja a sexta maior fabricante global do componente.

O evento teve também visita virtual à fábrica, que recebeu ? 1 bilhão em investimentos (cerca de R$ 6,1 bilhões), parte financiada pelo governo local e por instituições financeiras da União Europeia.

“É o maior investimento individual feito pela Bosch em todos os seus 130 anos de história”, disse o presidente mundial do grupo Volkmar Denner, que não divulgou a capacidade produtiva da nova unidade, a segunda na Alemanha.

De acordo com ele, a última fábrica desse componente havia sido inaugurada em 2010. O novo complexo iniciará a produção em julho, inicialmente com semicondutores para produtos eletrônicos. Em setembro entrará em operação a linha direcionada à indústria automobilística.

Serão gerados 700 empregos de alta qualidade. Paralelamente à inauguração, por falta de componentes, a Bosch está com sua unidade em Braga, Portugal, parada desde o dia 10 de maio, com retorno previsto para o dia 9, mas podendo ser prorrogado.

Denner afirmou que o novo projeto “vai contribuir para aliviar a situação e reduzir a pressão”, mas admitiu que a falta global de chips deve continuar até 2022. “Ainda vamos enfrentar meses difíceis no segundo semestre”, comentou.

Fábricas paradas no Brasil

No Brasil, duas fábricas da Volkswagen, em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR), suspenderam a produção a partir desta segunda-feira por falta do componente para os automóveis Gol, Voyage, Fox e T-Cross, fabricados nessas unidades. A paralisação deve durar dez dias, período em que os cerca de 4 mil funcionários de ambas as plantas ficarão em férias coletivas.

A General Motors vai suspender a produção da unidade de São Caetano do Sul (SP) por seis semanas a partir do dia 21, e aproveitará para também adequar a linha de montagem para o início da produção de uma nova picape.

A fábrica do grupo em Gravataí (RS) está parada desde abril e só deve retomar as operações em meados de agosto. A unidade produz o Onix, modelo mais vendido da marca. Antes do problema de abastecimento, o compacto liderava as vendas totais de carros no País há vários anos.

A Nissan, por sua vez, informou que deve interromper as atividades em Resende (RJ) por cinco dias pelo mesmo motivo.

No início do mês passado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia alertado que as próximas semanas devem ser as mais complicados em termos de abastecimento de semicondutores e que novas paradas de produção deveriam ser necessárias, assim como ocorreu no início do ano, quando pelo menos metade das montadoras tiveram de desligar as máquinas.

Fonte: Estadão Conteúdo

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal