Projeto Vez e Voz para Mulheres do TRC

26/11/2020

Ana Jarrouge – Presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e região – SETCESP, diretora da CNT-Seção II do Transporte Rodoviário de Cargas e diretora da Federação de São Paulo e diretora da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo.
Lidar com o tema sobre as mulheres é bem interessante e desafiador quando se está em um contexto historicamente dominado por homens, como é o setor de transporte e logística.
Já que as mulheres vêm ocupando, a cada dia, desde a década de 90, de forma mais estruturada e formalizada, também é necessário mais espaços dentro deste segmento tão significante para a nossa economia.
É verdade que elas, primeiramente, adentraram nas funções administrativas e isso se mantém até os dias atuais. Entretanto, há registros de empresas que deram oportunidades para mulheres em funções operacionais, como a de motorista profissional, as quais tem demonstrado resultado acima do esperado, dada sua responsabilidade e cuidados extras com os veículos, diminuindo custos com manutenção, minimizando acidentes, sem falar do contato harmonioso e empático com os clientes.
Pensando nesse cenário, idealizamos um projeto voltado única e exclusivamente para as mulheres do setor de transporte de cargas. O Projeto Vez e Voz é uma realização do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), a fim de proporcionar uma rede de apoio em que se incentiva, apoia e compartilha as experiências dentro do segmento e os desafios de ser uma mulher na sociedade.
Nosso projeto pretende estimular, valorizar e tornar o mercado de trabalho do segmento de transporte de cargas cada vez mais atrativo para as mulheres, demonstrando aos empresários e também aos profissionais que há espaço a ser ocupado por elas.
Nas empresas de logística não é diferente, há muitas oportunidades que podem ser oferecidas para as mulheres, como as funções de operadoras de empilhadeiras, empacotadoras, separadoras, arrumadoras de carga, etc. Nossa intenção é justamente conscientizar o empresário para abrir sua empresa para elas, dando espaço para que possam demonstrar que têm plena competência para assumir tais papeis, de igual para igual e que isto independe de gênero.
Entretanto, nossa preocupação é, também, com nosso movimento, garantir que o ambiente seja adequado e respeitoso para receber estas mulheres, ou seja, há que se ter condições de infraestrutura adequadas para elas, assim como canais de comunicação eficientes capazes de tratar qualquer tipo de denúncia de abusos, seja ele de ordem moral ou mesmo sexual, o que, infelizmente, ainda é uma realidade no mundo corporativo. Além disso, devemos estar sempre atentos com relação à equidade salarial, para que homens e mulheres tenham a mesma remuneração base quando exercem a mesma função. Por fim, nosso movimento também pretende proporcionar incentivo para que mais mulheres se sintam fortalecidas, apoiadas e seguras para ocupar cargos e se credenciar para alta liderança e cargos executivos, como Presidência ou Vice Presidência e Conselhos de Administração, nos quais nossa presença, hoje, no segmento de transporte, é ínfima.
O caminho é longo, mas é preciso traçá-lo e fomentar dia a dia a participação das mulheres, para que, juntas, possamos conversar, nos apoiar, trocar experiências, criar políticas e formas de comunicação eficazes dentro de nosso segmento, tornando-o mais inclusivo, mais atrativo e mais respeitoso, porque todas nós merecemos. Esperamos que esse movimento alcance seu objetivo e possa ajudar muitas mulheres do transporte rodoviário de cargas e logística, para que elas sempre tenham vez e voz. Sejam bem-vindas!

Acesse www.vezevoz.org e junte-se a nós.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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