Com etiquetas eletrônicas, Casa das Correias ganha eficiência ao precificar milhares de itens em tempo real

13/10/2020

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No mercado desde 1978, a Casa das Correias é uma tradicional rede de materiais de construção com três unidades em Manaus, capital do Amazonas. Ao comercializar equipamentos para diversas finalidades, desde pequenos reparos domésticos até grandes operações industriais, a varejista sempre priorizou a excelência operacional e a qualidade do serviço prestado ao consumidor. Contudo, para manter o alto nível de satisfação dos clientes e manter-se à frente da concorrência, era preciso investir continuamente em avanços tecnológicos.

Nesse quesito, um das maiores necessidades estava justamente na comunicação dos preços e outras informações nas gôndolas. Somente na loja matriz, localizada no bairro Japiim, na entrada da Zona Franca de Manaus, são cerca de 12 mil itens expostos, além de outros 40 mil armazenados no Centro de Distribuição – que alimentam diariamente não só essa unidade, como também as outras duas localizadas no centro e na Cidade Nova.

Mobilizar funcionários para substituir manualmente tantas etiquetas de papel, buscando atualizar preços de produtos tão variados como tintas, máquinas, artigos para o lar e equipamentos industriais, elétricos e hidráulicos, era um grande desafio operacional. Por vezes, havia o risco de não haver tempo suficiente para comunicar uma nova preficação recém-lançada no sistema. Uma divergência de preços entre a gôndola e o caixa causaria um incômodo desnecessário aos clientes.

Para evitar que isso acontecesse, a administração da Casa das Correias recorreu à Seal Sistemas – que há mais de 30 anos atua no mercado brasileiro de computação móvel e captura automática de dados – para implementar a tecnologia de etiquetas eletrônicas, que possuem um display 100% digital. Uma consultoria técnica realizada pela Seal vislumbrou um importante ganho de tempo, eficiência e acuracidade ao recomendar a instalação de 15.000 unidades do modelo mais avançado dessa solução em toda a loja, que tem área total de 1.925 metros quadrados e mais de 230 colaboradores.

Precificação em tempo real

“As etiquetas eletrônicas funcionaram muito bem no nosso negócio pela facilidade de se precificar os produtos e por toda a agilidade e precisão com que a atualização dos preços nas gôndolas passou a ser feita. Tudo em tempo real e com um envolvimento mínimo de mão de obra”, afirma Bruno Oliveira, gerente de TI da Casa das Correias. “A solução ainda dá um visual mais moderno para a loja e ajuda a ampliar a visibilidade sobre cada produto.”

O projeto foi iniciado em março de 2020, com a instalação de três mil etiquetas eletrônicas, 20% do total calculado para cobrir toda a unidade. Também foi implementada uma infraestrutura com quatro antenas de radiofrequência – cada uma delas com cobertura de 1.000 metros quadrados – além da programação dos dados exibidos nas etiquetas. Todo esse processo de implementação foi simples e ágil.

Logo no primeiro dia, 500 etiquetas eletrônicas foram inseridas em um corredor exclusivo de um importante parceiro da Casa das Correias, que fornece um produto eletrônico de alto valor agregado. A maior visibilidade que a tecnologia proporcionou sobre esses itens abriu uma nova frente de negociação com o fornecedor pelo pagamento de uma bonificação mais alta – outra importante vantagem dessa solução para o varejista.

A diferença feita pelas etiquetas eletrônicas não demorou em ser percebida pela administração da Casa das Correias. Além da atualização de preços em tempo real, a tecnologia também permitiu transmitir ao consumidor, direto da gôndola, uma gama mais completa de informações. É possível, por exemplo, alterar os dados, o layout e a cor que aparece na tela da etiqueta – feita com um material chamado “e-paper”, o mesmo utilizado no Kindle, da Amazon – de acordo com descontos e promoções pontuais. Outros dados, como mais detalhes do produto e QR Codes, também podem ser exibidos no display.

Eficiência e escalabilidade

A tecnologia ainda permite economizar o tempo e a dedicação da equipe. Com a substituição já realizada de 20% das etiquetas de papel, se antes o processo de atualização dos preços consumia, pelo menos, seis horas a cada vez que precisava ser feito, hoje esse período foi reduzido para até quatro horas. Além disso, um quarto dos funcionários antes designados para substituir os preços nas gôndolas trocou esse item da sua lista de tarefas por outras atividades importantes, como reposição de estoque e inventário.

Futuramente, com a instalação das etiquetas eletrônicas em toda a matriz, não haverá necessidade de mobilizar mão de obra para alterar a precificação – que passará a ser 100% automática, por meio de um software e ao sinal do comando de um único colaborador.

A substituição das nove mil etiquetas de papel restantes na matriz da Casa das Correias está prevista para ser concluída em breve. Também faz parte dos planos instalar as etiquetas eletrônicas nas outras duas unidades da rede na capital amazonense.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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