Com solução de logística, Grupo Tigre tem redução no transporte de cargas

28/07/2020

Como líder em soluções para construção civil e cuidados com a água, o Grupo Tigre depende do transporte rodoviário para escoar a produção das suas fábricas localizadas no Brasil. Empregando diversas modalidades de transporte, entre elas cargas rodoviárias dedicadas e fracionadas, até 2017 a empresa utilizava os serviços de um pool de 17 transportadoras.

Mas era preciso fazer diferente, ter uma alternativa ao padrão empregado por décadas e inovar usando um modelo onde a tecnologia é o motor da disrupção. Foi então que o Grupo Tigre, no final de 2017, começou a utilizar os serviços da AgregaTech – empresa que oferece soluções de logística de transporte para a indústria – para melhorar a equação de custos no transporte das cargas dedicadas.

O início não foi fácil. Os próprios clientes, que já recebiam as mercadorias a bastante tempo das mesmas transportadoras, possuíam um laço muito próximo com essas empresas e resistiram à novidade. “Era necessário otimizar custos para manter uma boa oferta de valor aos clientes. O que fizemos foi um trabalho bem forte de conscientização, rompendo com o modelo antigo e ajustando questões de qualidade para manter o bom nível de serviço que sempre foi reconhecido pelos clientes”, explica Cleibe Palhano, gerente de Logística e Distribuição Brasil do Grupo Tigre.

A grande prova de que a escolha foi acertada aconteceu em 2018 durante a greve nacional dos caminhoneiros. A parceria com a AgregaTech minimizou os prejuízos, com poucos dias de paralisação. O contato e negociações diretas com os caminhoneiros, sem intermediários, fez toda a diferença.

“A partir do momento em que firmamos um relacionamento com o caminhoneiro, sem intermediações, os motoristas se tornam mais próximos, nos atendem de uma maneira muito melhor e com muito mais fidelização”, pontua o gestor.

O tabelamento de fretes pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), medida que seguiu à greve, também gerou incertezas para o mercado e consequentemente para a Tigre. Mas aos poucos o projeto da Tigre mostrou que mesmo em ambiente regulado, ainda havia a oportunidade de eliminar o “spread” da subcontratação de agregados.

Ainda como reflexo do tabelamento, muitas transportadoras que operavam no modelo LTL (Fracionado) passaram a forçar aumentos de tarifas. Foi quando a Tigre entendeu que era oportunidade e avaliar a expansão o projeto, estendendo-o para o frete fracionado.

Já em 2019, quando uma das transportadoras que era responsável por 20% do volume enfrentou problemas e paralisou suas atividades, o ecossistema da AgregaTech foi capaz de absorver a demanda praticamente do dia para a noite.

Hoje 60% da carteira de tubos e conexões da Tigre é transportada por meio do projeto de desintermediação. Este percentual pode aumentar em caso de pressão de custos, mas a Tigre entende que é saudável manter bons parceiros e transportadores que têm especialização neste mercado como titulares de determinadas regiões assim como opção de contingência.

Isso se explica pela dimensão continental do País, em conjunto com demandas, regras de negócio e necessidades diferentes. “Posso citar como exemplos a região amazônica, onde os produtos são levados em balsas, os riscos do transporte no Rio de Janeiro e o rodízio e restrições de veículos de carga na cidade de São Paulo. Gerenciamos os riscos com um balanço favorável para a operação”, explica o gerente.

As soluções da AgregaTech foram capazes de reduzir em dois dígitos os valores médios de fretes gastos após a implantação do projeto, mantendo a eficiência e a qualidade de nível de serviço. A Tigre efetua entregas em todos os estados do país e faz centenas de milhares de viagens por ano.

“A partir de uma oferta norteada por tecnologias como inteligência artificial, machine learning, data science, business intelligence e internet das coisas foi possível oferecermos ao Grupo Tigre uma gestão integrada, eficiente e preditiva de todos os ativos logísticos. Além disso, quero pontuar que ao melhorarmos o nível de serviço na Tigre, diminuindo o No-show, os indicadores operacionais ficaram mais visíveis com a nossa plataforma OnTime”, finaliza Jarlon Nogueira, CEO da AgregaTech.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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