Ex-Renner, José Galló investe em startup de compra

01/08/2019

Abastecer as casas brasileiras com produtos de supermercado da mesma forma que o encanamento traz água. Essa é a ideia da startup Shopper, que acaba de receber um aporte de R$ 10 milhões liderado pelo fundo José Galló, criado pelo expresidente das lojas Renner. Hoje presente em 500 bairros da cidade de São Paulo, a empresa pretende usar os novos recursos para se expandir para o ABC Paulista e Campinas, além de fazer contratações e investir em marketing.

Ao contrário de rivais como Rappi, iFood e James, do Pão de Açúcar, no qual o usuário seleciona os produtos que quiser a cada pedido, o sistema da Shopper funciona como uma “compra de mês”. Pelo site ou app da empresa, o usuário pode selecionar os produtos que quer de acordo com seu consumo – como um saco de 5 kg de arroz ou três caixas de leite – e recebê-los regularmente em sua casa. O catálogo soma mais de 2 mil itens, de produtos de limpeza a alimentos – a exceção fica por conta de congelados e resfriados, cujo custo de operação é mais caro.

“Queremos ajudar o consumidor a se organizar e planejar as compras”, diz Fábio Blanco, presidente executivo da Shopper, fundada em 2015. “Entregamos o que o usuário precisa, como papel higiênico, antes mesmo dele sentir falta do produto.”

As entregas são feitas por funcionários registrados pela empresa, munidos de veículos como tuk-tuks (motos adaptadas com carroceria) e caminhões. Ao todo, há 110 entregadores – o plano é contratar mais 200 para reforçar as operações nos próximos meses. Para faturar, a empresa cobra um porcentual não revelado sobre os pedidos feitos na plataforma.

Para ganhar eficiência, a empresa tem um fluxo diferente: não tem supermercados parceiros nem funcionários dedicados às compras. Todos os produtos são adquiridos diretamente da indústria e a logística é organizada em um centro de distribuição próprio na região da Barra Funda, em São Paulo. “Enviar uma pessoa ao mercado para comprar os produtos aumenta o custo da cadeia”, diz Blanco, que tem 26 anos e fundou a startup com uma colega de faculdade no Insper, Bruna Vaz Negrão. Segundo o executivo, a economia pode chegar a até 12%.

Estreia. A Shopper é o primeiro investimento do fundo José Galló no setor de supermercados. “É o segmento em que o comércio eletrônico está mais atrasado no varejo”, afirma Christiano Galló, porta-voz do fundo e filho do executivo, ao Estado.

O executivo não teme a rivalidade com Rappi e iFood, mesmo com os aportes milionários recebidos por esses grupos recentemente. “Não se sabe qual modelo vai funcionar. O sistema da Shopper pode capturar uma boa parte do setor”, avalia.

Para Felipe Matos, autor do livro 10 Mil Startups, a aposta de José Galló segue uma tendência mundial: o crescimento do comércio eletrônico de terceira geração. “Após a compra de ingressos e de equipamentos como televisão pela internet, vivemos agora no Brasil um aumento de consumo de produtos alimentícios por plataformas online”, afirma.

Já Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), diz que o apoio de Galló traz conhecimento à Shopper. “Ele sabe o que é operar varejo, logística e atendimento. É mais que um investimento, é uma parceria estratégica.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

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