Com primarização do transporte de cargas, Bombril economiza R$ 15 milhões em um ano

21/06/2018

Amplamente conhecida por seus produtos – Limpol, Mon Bijou, sapólio Radium, Kalipto, Pinho Bril e Pratice, além da lã de aço que leva o seu nome –, e atendendo varejistas de todos os portes em todo o Brasil, a Bombril (Fone: 0800 707.6161) está apostando na primarização do transporte de cargas para reduzir custos e melhorar a qualidade do serviço. A empresa possui três fábricas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco e trabalha com uma carteira de mais de 3.000 clientes.
Neste novo projeto, a Bombril está contando com a parceria da Agrega (Fone: 11 3842.6646) – que oferece serviços de primarização para grandes empresas de diferentes segmentos de indústria e comércio, reduzindo custos de transporte, e que recentemente tem investido em plataformas tecnológicas mobile para eliminar intermediários no processo, unindo tecnologia e gestão de transporte.
“Geralmente, as indústrias contratam grandes e médias transportadoras, que subcontratam os operadores autônomos e as pequenas transportadoras. Primarização é a desintermediação deste processo de contratação e gestão do transporte, utilizando inteligência logística e inovação digital. Ou seja, o processo de primarização (ou desintermediação) visa eliminar intermediários neste processo, colocando as indústrias em contato direto com os operadores”, explicam Jarlon Nogueira, diretor de Operações, e João Moretti, diretor de Tecnologia e Inovação, ambos da Agrega.
Porém, Nogueira lembra que, como qualquer conceito inovador, a primarização pode sofrer resistência dentro das empresas. “As economias e melhoras na gestão são impressionantes e muitas empresas atuam há décadas com as mesmas transportadoras que fazem o serviço de intermediação. Por isso, o processo deve ser conduzido e patrocinado internamente pelo mais alto nível das empresas, como CEOs, CFOs e diretores de Supply Chain”, completa.

Bons resultados
Na Bombril, os bons resultados da primarização já estão sendo colhidos.
Para distribuir seus produtos até agosto de 2016, a empresa trabalhava a logística da maneira tradicional, contratando diversas transportadoras, terceirizando o transporte de seus produtos.
“Transportes é uma área crítica, não apenas por ser determinante para a boa operação e atendimento, mas por representar custo significativo. Até meados de 2016, nossa contratação de transporte era feita num modelo tradicional de bids e mantínhamos mais de 30 transportadoras”, destaca o diretor de Supply Chain da Bombril, Luis Guilherme Paschoal Andrade.
Ou seja, a empresa contratava o frete da mesma maneira que a grande maioria dos embarcadores, através de bids regulares que selecionavam transportadoras que apresentavam melhor preço com determinado nível de serviço para operarem em um pool de transporte.
O preço praticado, porém, era alto – se for considerado o cenário pós-primarização – e os níveis de serviço e controle, inadequados, já que a Bombril tinha pouca visibilidade dos custos diretos e indiretos do frete e, também, da gestão do transporte – carga, entregas, etc.
Assim, a empresa passou, naquela época, por um grande processo de reestruturação das operações e buscou por inovação, tanto operacional quanto tecnológica, e acabou optando pela solução disruptiva da Agrega, que previa redução em mais de 15% do custo final de transporte, com gestão e inovação digital.
Após um detalhado diagnóstico das operações logísticas da Bombril, a Agrega apresentou um plano de negócios que reduziria em mais de 10% o custo total de logística, que representava à época (2016) uma economia de R$ 12 milhões por ano. A Agrega ofereceu uma solução de compartilhamento de economia do frete, ou seja, só seria remunerada se efetivamente houvesse redução do custo com aumento do nível de serviço. Este método de remuneração também é conhecida como “success fee”.
“Hoje, com a primarização, destinamos a esta modalidade cerca de 80% do volume de lotação, o que representa a expedição diária de aproximadamente 150 caminhões a partir das fábricas da Bombril, sendo alinhado com apenas uma transportadora e diminuindo a complexidade”, completa Andrade.
O gerenciamento do ciclo logístico – contratação > carga > trânsito > descarga > pagamento – hoje é feito através de uma plataforma tecnológica desenvolvida pela Agrega e também conta com uma equipe de gestão focada em cada uma das indústrias que trabalham com a solução. “Os motoristas utilizam o aplicativo Agrega Truck para verificar os fretes disponíveis, fechar as negociações e fazer checkin e checkout nos eventos do ciclo logístico – chegada para carga, manifesto, descarga, eventos em viagem ou eventos na descarga. Tudo é monitorado eletronicamente através da Torre de Controle Agrega que, em tempo real, dá suporte aos motoristas para solução de problemas e permite que alimentem com informações os clientes com estimativas de chegadas, solução de atrasos, entre outras”, explica Nogueira.
O diretor de Operações da Agrega destaca que na Bombril, o projeto alcançou uma economia anual de R$ 15 milhões no custo do frete. “Além dos benefícios financeiros, a Bombril teve um aumento de nível de serviço, atingindo 97,2% (2017) nas agendas de entrega nos clientes finais. Como a Agrega trabalha incentivada, o objetivo é chegar a R$ 17 milhões de economia em 2018.”

Próximos passos
“Na Bombril conseguimos uma boa redução nos custos de transporte mantendo bom nível de serviço e cobertura. O próximo passo é disponibilizar aos caminhoneiros a nossa plataforma digital de contratação e gestão de entrega”, explica Nogueira, da Agrega.
Ainda segundo ele, o objetivo é ter um modelo 100% digital. Com o desenvolvimento de uma plataforma digital, a meta é ter um sistema de ofertas de fretes e contratação via mobile, com gestão completa de entregas e ocorrências de viagens, gerando ações em tempo real, relatórios e indicadores que auxiliarão a empresa a diminuir custos e aumentar a eficiência. “Estamos disponibilizando um aplicativo para os caminhoneiros e esperamos ter 100 mil cadastros no primeiro ano, pois já trabalhamos com uma base de 30 mil veículos. Esta também será mais uma ferramenta para que não fiquem sem frete, por exemplo”, conta.
E Moretti, também da Agrega, completa: “Estamos criando um conceito de estrada digital. Isso ajudará empresas e profissionais da estrada a melhorarem sua produtividade e qualidade de serviços”.
Já o diretor de Supply Chain da Bombril espera ampliar o serviço da Agrega Tech incluindo o transporte fracionado e o inbound. “Estamos estudando a ideia de ampliar isso, reduzir ainda mais os custos e melhorar os níveis de serviço”, finaliza Andrade.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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