BYD lança duas empilhadeiras elétricas na Intermodal

15/03/2018

Por Carol Gonçalves

Entre as expositoras da Intermodal está a BYD, fabricante chinesa especializada em energia limpa – baterias recarregáveis, veículos elétricos, painéis solares fotovoltaicos, LED, sistemas de armazenamento de energia e TI. Os dois lançamentos voltados a operações logísticas apresentados no evento são as empilhadeiras elétricas RTR 16 e ECB 70, com bateria de fosfato de ferro lítio produzida pela própria marca.

A RTR 16 é retrátil, tem capacidade de carga de 1,6 tonelada, mastro panorâmico de três estágios, torre de 12 metros (fabricada no país pela Lift Tek) e faróis de LED. Já a ECB 70 tem capacidade para 7 toneladas e é destinada a operações severas, com autonomia de 7 a 10 horas. Estes modelos serão lançados mundialmente na CeMAT, que acontece em Hannover, Alemanha, de 23 a 27 de abril deste ano.

Segundo a empresa, ambas as máquinas possuem o Sistema BMS Premium, para gerenciamento de bateria, que garante mais trabalho por kWh. Também contam com display digital, assento ergonômico e one pedal drive, que permite a condução somente com o pedal do acelerador, minimizando o uso do freio de serviço.

Para Henrique Antunes, gerente nacional de vendas, as expectativas com relação à feira são muito positivas. “Recebemos visitas realmente qualificadas”, ressalta. Segundo ele, o ano de 2017 foi excelente e, para 2018, a expectativa é de um crescimento ainda maior, devido à retomada da economia.

Outros produtos expostos pela marca são os rebocadores para aeroportos, indústria automobilística e demais setores, também movidos a bateria de fosfato de ferro lítio. Carlos Roma, diretor de vendas, diz que isso significa uma disruptura tecnológica nos aeroportos, que poderão otimizar suas operações se beneficiando das vantagens desse tipo de bateria, que só necessita de 2 horas para carregar, enquanto as convencionais precisam de oito horas para carregar, mais oito para descansar e outras oito para operar. “Sem falar na economia com sala de baterias, que são desnecessárias, assim como baterias extras. As baterias de fosfato de ferro lítio permitem realizar a mesma operação com a metade do custo das baterias convencionais”, explica. Um dos clientes da empresa neste setor é a Emirates, que opera no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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