Aeroporto de Natal terá pista reformada três anos após inauguração

17/03/2017

Primeiro aeroporto brasileiro cedido à iniciativa privada, o aeroporto internacional Governador Aluizio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na grande Natal (RN), já terá reforma na pista pouco mais de três anos após a sua inauguração, em maio de 2014.

Até o momento, porém, não se sabe exatamente qual será a manutenção a ser feita na pista, mas a obra tem previsão para o início do segundo semestre de 2017, com 30 dias de duração.

Na semana passada, segundo o jornal “Valor Econômico”, técnicos do consórcio Inframerica, que administra o local, comunicaram a membros do governo federal de que há o risco de a pista afundar. A empresa nega.

O leilão do aeroporto vencido, em agosto de 2011, pelo consórcio Inframerica, composto inicialmente pela construtora brasileira Engevix e pelo grupo argentino especializado em concessões aeroportuárias Corporación America —que pagou um lance de R$ 170 milhões pela concessão até 2039 e a assumiu em julho de 2012. Em 2015, a Engevix, envolvida na operação Lava Jato, vendeu sua parte (50%) para a sócia.

O Corporación America foi um dos grupos estrangeiros a anunciar desistência do leilão dos aeroportos de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.

A construção da pista que será reformada, entretanto, foi realizada pelo batalhão de engenharia do Exército, com dinheiro proveniente da Infraero, órgão do governo federal responsável pela administração dos aeroportos brasileiros não privatizados. O valor total gasto foi de cerca de R$ 120 milhões para a infraestrutura da pista de pouso, dos sistemas de auxílio e de proteção ao voo.

Ao consórcio coube a construção do terminal de passageiros, em valor que bateu os R$ 375 milhões, e, depois de pronto, administrar o aeroporto, uma das obras do chamado legado da Copa do Mundo de 2014 —Natal foi uma das 12 sedes.

“Não há o risco de a pista ceder. A pista do Aeroporto de Natal é segura e atende aos requisitos de segurança operacional e das normas da Anac”, informou o consórcio, por meio de sua assessoria.

No entanto, o consórcio não explicou qual o motivo da obra, informando apenas que ainda não pode informar porque está discutindo os detalhes com os órgãos competentes e com os “players” envolvidos. O custo terá de ser pago pelo concessionário.

Durante a obra, os pousos e decolagens no aeroporto deverão ser feitos pela pista de taxiamento, o que pode ocasionar menos voos devido à estrutura auxiliar. A Inframerica disse que “está trabalhando para que o prejuízo e o impacto aos passageiros sejam os menores possíveis”.

O Exército informou à Folha que não foi notificado, oficialmente, pela contratante —a Infraero— a respeito da existência de qualquer problema referente à obra realizada no aeroporto. Segundo a instituição, o projeto seguiu todos os parâmetros previstos na legislação técnica e uma equipe, enviada ao aeroporto para avaliar o suposto problema, em uma análise preliminar, constatou que não há sinal de afundamento na pista.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), responsável por fiscalizar a aviação civil no Brasil, informou por meio de nota que “no momento a pista do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante está operacional e sem reportes ao comprometimento da segurança de suas operações”. Disse ainda que ainda não foi apresentado pela concessionária qualquer projeto de obra.

LEILÃO

A situação do aeroporto de Natal ganha destaque porque nesta quinta (16) mais quatro aeroportos brasileiros serão leiloados : os de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Há hoje outros cinco aeroportos, além do Natal, privatizados —Viracopos (Campinas-SP), Guarulhos (SP), Confins (MG), Galeão (RJ) e o de Brasília.

Como a Folha mostrou em reportagem de maio de 2016, a queda no número de passageiros nos aeroportos, devido à crise econômica, fez com que os concessionários pedissem à Anac para não pagar o aluguel pelo uso das unidades, o que não foi aceito.

No caso do aeroporto de Natal, a Anac informou que, até o momento, não foi apresentado pela concessionária qualquer pleito de reequilíbrio econômico-financeiro no contrato.

Fonte: Folha de S. Paulo

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