Estudo da FGV destaca a importância e os desafios do setor de transporte de medicamentos no Brasil

24/11/2016

O setor de transporte de medicamentos é importante para a economia brasileira, causando impacto positivo sobre o PIB. Ele cria milhares de empregos no país ano após ano, porém encara desafios ligados à infraestrutura de transportes, regulamentação e mão de obra. É o que aponta a mais recente pesquisa “Transporte de Medicamentos no Brasil – Cenário Atual e Futuro do Setor”, encomendada pela NTC (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) à FGV – Fundação Getúlio Vargas e que acaba de ser revelada.

“Este importante estudo indica a relevância do segmento farmacêutico no Brasil e no panorama internacional, assim como a importância do setor de transporte de medicamentos e questões relacionadas”, avalia o empresário Fernando Luft, sócio-fundador da Luft Logistics, uma das empresas que colaboraram com o estudo.

De acordo com a pesquisa, a contribuição do setor de transporte, armazenagem e correios foi de R$ 213,2 bilhões em 2015. No transporte de medicamentos, o segmento farma investiu R$ 765 milhões ao longo do ano, criando 18 mil empregos diretos e indiretos. Este valor corresponde a 0,36% dos R$ 213,2 bilhões, que correspondem à contribuição do segmento para o Produto Interno Bruto (PIB). O montante equivale também a 0,5% da receita operacional bruta do setor de transportes de carga rodoviária, estimado em R$ 142 bilhões.

O estudo foi aprofundado por meio de levantamento de informações públicas e também consultas aos representantes de toda a cadeia de transporte de medicamentos – entidades associativas, transportadoras, indústrias farmacêuticas, farmácias, distribuidoras e seguros, com a meta de identificar as particularidades, avanços e desafios do transporte nacional de medicamentos.

Questões do setor

A fim de alcançar maior eficiência no setor de transporte rodoviário no Brasil, além de qualificação dos transportadores e qualidade dos equipamentos, a pesquisa da FGV mostra que é fundamental a presença de infraestrutura adequada. Ela aponta que os investimentos federais na área foram decrescentes nas últimas décadas. Em 1975, um total de 1,84% do PIB era destinado à infraestrutura de transportes, em comparação a 0,29% em 2014.

Ainda segundo a pesquisa, no Brasil, somente 12,4% da malha rodoviária é pavimentada – aquém da média latino-americana (26%) e mundial (57%). Aproximadamente 57,3% da malha viária pavimentada está qualificada como “regular”, “ruim” ou “péssima”. Este cenário gera consequências graves, como mais acidentes, mais tempo na realização de viagens, mais emissão de gases nocivos ao meio ambiente, mais custos de transporte e maior necessidade de manutenção dos veículos.

O estudo apontou ainda dificuldades na contratação de mão de obra (86% dos entrevistados), principalmente devido à carência de qualificação, como também por causa dos elevados encargos sociais e da escassez de cursos específicos.

Outra questão do setor, segundo a pesquisa, é a regulamentação imprecisa em relação ao transporte de medicamentos e necessidade de fiscalização mais rígida pelos órgãos responsáveis. A indefinição dos tipos de veículos necessários para o transporte de medicamentos a longas distâncias é uma delas; nestas situações, os veículos isotérmicos são inadequados, já que mantêm a temperatura por tempo limitado. Nestes casos, a solução ideal são os veículos refrigerados.

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