R$ 1 bilhão em transações logísticas reacende interesse por fundos imobiliários do setor, aponta Colliers

A movimentação de mais de R$ 1 bilhão em transações envolvendo ativos logísticos no primeiro trimestre de 2026 reforça o avanço dos fundos imobiliários logísticos no Brasil, segundo dados da Colliers. O resultado tem sido observado em um ambiente de forte demanda por galpões e expansão do comércio eletrônico, fatores que continuam influenciando o comportamento de investidores institucionais e pessoas físicas.

O cenário também é refletido no mercado de fundos imobiliários. De acordo com dados da B3, o número de investidores em FIIs atingiu 3,13 milhões em março de 2026, novo recorde da série histórica, frente a 2,96 milhões no fim de 2025. O patrimônio custodiado soma cerca de R$ 198 bilhões, distribuído em 434 fundos listados, com participação majoritária da pessoa física, responsável por aproximadamente 74% das posições.

Galpões logísticos e e-commerce sustentam demanda do setor

No recorte dos segmentos imobiliários, os galpões logísticos seguem como destaque, sustentados por fundamentos considerados sólidos. A Colliers aponta que o setor iniciou 2026 com vacância no menor nível dos últimos dez anos, mesmo com o inventário nacional 13% maior na comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando alta ocupação e demanda consistente.

Esse movimento está diretamente relacionado ao avanço do e-commerce. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor faturou mais de R$ 200 bilhões em 2025, com crescimento acima de 10%, e a projeção é ultrapassar R$ 258 bilhões em 2026. A necessidade de estruturas mais eficientes para distribuição e entregas rápidas mantém os galpões logísticos entre os ativos mais procurados.

Esse contexto ajuda a explicar o interesse crescente pelos fundos imobiliários logísticos, que reúnem ativos com contratos de longo prazo, inquilinos de grande porte e baixa rotatividade. O volume superior a R$ 1 bilhão em transações no primeiro trimestre reforça essa leitura de atratividade associada à previsibilidade de receitas.

Para o CEO da Colliers, Ricardo Betancourt, os indicadores atuais sustentam o desempenho do segmento. “O mercado logístico inicia 2026 com todos os indicadores no campo positivo. O inventário está em expansão, a vacância recuou para o menor nível e o interesse por essa classe de ativos permanece atraindo investidores. É um dos segmentos mais resilientes do mercado imobiliário”, afirma.

A presença expressiva de investidores pessoa física nos FIIs também amplia o alcance desse tipo de ativo, permitindo acesso a empreendimentos logísticos com aportes menores e negociação em bolsa. Ainda assim, o cenário de juros segue como variável relevante. A Selic projetada em 13,25% ao ano para o fim de 2026, segundo o Boletim Focus do Banco Central, mantém a renda fixa competitiva e exige análise criteriosa de risco e retorno.

A perspectiva da Colliers indica continuidade do ciclo de expansão, com pipeline de 3,4 milhões de metros quadrados em desenvolvimento e expectativa de vacância entre 6% e 7% em 2026, especialmente em mercados mais pressionados como São Paulo.

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