Profissional da área comercial desenvolve CRM próprio para empresa de logística

09/09/2016

Cada empresa tem necessidades específicas na sua rotina, que nem sempre são resolvidas com as plataformas e softwares disponíveis no mercado. No caso da Pluscargo Brasil – braço logístico do Grupo Ras, empresa uruguaia especializada em logística e presente em nove países – a área comercial precisava de um CRM que, além de gerenciar cadastro de clientes, histórico de processos e oportunidades de negócio, pudesse também enviar de forma padronizada os orçamentos para os clientes e disponibilizar aos gestores uma plataforma de análise da performance de cada usuário. Cansados de não encontrar a ferramenta ideal, a empresa optou por desenvolver seu próprio CRM. Para isso, contaram com a ajuda de um consultor e com a plataforma GeneXus, utilizada mundialmente por sua capacidade de simplificar e aumentar a produtividade no desenvolvimento de software.

Escolhido para desenvolver a solução, Felipe Angusti trabalha há três anos na área comercial da Pluscargo Brasil e é graduado em Relações Internacionais com especialização em Transporte Marítimo e Logística. A empresa contratou os serviços do consultor em tecnologia Marcus Costa e, juntos, começaram a pesquisa, desenvolvimento e implementação do novo sistema, batizado de e-PLUS.

“A criação do e-PLUS levou cerca de 10 meses para ficar totalmente pronto. Não foi tão rápido, porque grande parte do trabalho era entender a necessidade do nosso cliente interno para depois partir para o desenvolvimento em si”, explica Felipe. Após quatro meses de trabalho já existia uma versão trial da solução. Depois de um mês de teste final, a ferramenta passou a fazer parte da rotina de trabalho de 70 profissionais da Pluscargo, entre vendedores, insidesalese gerentes da área comercial.

Totalmente desenvolvido na plataforma GeneXus Evolution 3, o CRM e-PLUS foi um desafio para Felipe: “Não sou da área de tecnologia, mas aceitei a demanda e tive muita facilidade para fazer o desenvolvimento em GeneXus. Nunca havia utilizado uma ferramenta antes mas, com o auxílio do consultor Marcus Costa, tive muita facilidade para criar uma solução totalmente pensada nas necessidades da nossa empresa. O GeneXus ajudou muito.”

Próximos passos
Já estão sendo desenvolvidas novas interfaces e recursos para o CRM e-PLUS que, por enquanto, funciona apenas na versão web. “Nosso próximo passo é transformá-lo em mobile e desenvolvermos também soluções próprias para a área operacional e financeira. Dessa maneira, a Pluscargo vai poder trabalhar apenas com as soluções que desenvolvemos exclusivamente para a empresa.”

A ferramenta foi apresentada no congresso do Grupo Ras e fez tanto sucesso que, em breve, outras filiais irão adotar a solução e-PLUS dentro das suas áreas comerciais. “Ficamos muito satisfeitos de vermos uma solução desenvolvida dentro da Pluscargo Brasil ser utilizada também em outros países”, finaliza Angusti.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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