Porto do Pecém conclui dois novos berços de atracação

06/04/2016

Avançando na conclusão da segunda expansão do Terminal do Pecém, dois novos berços de atracação (os de número 7 e 8) já estão prontos. A obra de ampliação do terminal, de R$ 650 milhões, contempla três berços novos, além dos seis já existentes, uma nova ponte de acesso aos píeres e a engorda do quebra-mar de 1.100 metros. O nono berço tem previsão de entrega até novembro deste ano.

As informações são do presidente da Cearáportos, Danilo Serpa. Ele adiantou que, em março, as movimentações de importações e exportações do porto devem fechar com um crescimento de cerca de 6,9% em relação a igual mês do ano passado. Apesar da valorização do dólar e consequente redução das importações, a expectativa é positiva neste ano por conta das atividades da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).

“Sentimos a diminuição no ano passado porque o último navio de equipamentos da CSP chegou em junho. Mas, depois de aceso o alto forno, recebemos os primeiros navios de carvão e de minério e, de agora em diante, serão 40 anos de movimentação pelo Porto. Na semana passada, estive reunido com a CSP tratando do embarque das placas de aço. Nossa previsão é que, a partir de junho, estejamos prontos para receber as primeiras”, diz.

O presidente apontou ainda que já foram iniciadas, neste ano, reuniões para a elaboração de estudos para uma terceira ampliação do Porto. “Não se tem ainda um projeto. Estão sendo feitas simulações para avaliar o que deve ser feito, e é preciso levar em conta a questão do plano de negócios em parceria com o Porto de Rotterdam, do hub port, da Transnordestina”.

Entre os pontos avaliados, segundo Serpa, estão o aumento da área de contêineres, a construção de mais um ou dois berços para claros (combustíveis) e outros dois para as cargas de grãos que serão trazidas pela Ferrovia Transnordestina do sul do Piauí, quando concluída. “Serão feitas diversas simulações para, aí sim, ser elaborado um projeto”, afirma o presidente.

Canal do Panamá

Com a ampliação do canal Panamá, prevista para agosto deste ano, o Porto do Pecém tem a oportunidade de ampliar sua movimentação com a atracagem de navios maiores, podendo se tornar um hub port do Nordeste. Danilo terá uma agenda com representantes do canal panamenho no intuito de elaborar um memorando de intenções e, com isso, angariar novas linhas de navegação para o porto cearense. “As negociações estão muito avançadas”, ressaltou.

O Porto de Suape, em Pernambuco, também está buscando essa condição de hub port. Na avaliação de Serpa, entretanto, o Pecém conta com uma grande vantagem quanto à localização, sendo um dos primeiros portos com condições de atracar navios de maior calado e contando ainda com uma distância geográfica estratégica em relação à América do Norte, à Europa e à África.

“Também há o diferencial de não haver assoreamento do solo, o que não gera custo de dragagem. Além disso, por ser um terminal privado, nosso custo operacional é menor, nos tornando muito competitivos”, apontou o presidente. “Nosso diferencial é que temos conversado com as empresas. Hoje, a gente já opera com as maiores da navegação”.

Rotterdam

Serpa também acrescentou que, em junho, aguarda a apresentação de um plano de negócios pelo Porto de Rotterdam, na Holanda, com relação às operações do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Técnicos do porto holandês têm prestado consultoria ao Pecém e já realizaram diversas entrevistas com clientes, operadores e representantes da siderúrgica, além da capacitação de funcionários.

“Serão apresentados por eles o que estão vendo de mercado, tanto com Rotterdam como com outras linhas de navegação, e também a atração de novos negócios para o Cipp e para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE)”, apontou.

Novos negócios

Também em busca de ampliar a movimentação no Porto do Pecém e prospectar novos negócios, o presidente da Cearáportos, juntamente com os diretores das áreas de comercial, operacional e de gestão empresarial, participa, de hoje até quinta-feira (7), da Intermodal South America 2016, em São Paulo. O evento é considerado a maior feira de logística da América do Sul e deverá receber cerca de 45 mil visitantes. “Estamos confiantes de que traremos bons frutos da feira. Durante os três dias vamos nos reunir, conversar com todos e apresentar todo o potencial do Porto do Pecém para o mundo”, afirma Danilo Serpa.

O Porto do Pecém participará do evento com um estante, onde apresentará todo o seu potencial e diferencial competitivo, mostrando por que ele hoje é considerado um dos grandes potenciais da Região Nordeste.

Fonte: Diário do Nordeste

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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