5G e logística: três formas em que a tecnologia pode tornar o setor melhor

19/05/2022

O 5G está em pauta desde 2020, com muitas discussões sobre a tecnologia que promete ser de 50 a 100 vezes mais veloz que o 4G enquanto consome até 90% menos energia, de acordo com normas estabelecidas pelo GSMA, a organização internacional formada por mais de 1200 operadoras de rádio, telefonia e internet para implementar a rede. Para o setor logístico, essa tecnologia pode trazer muita segurança e confiabilidade nos prazos.

A rede 5G representa a quinta geração da tecnologia de comunicações móveis, e foi desenvolvida para melhor lidar com problemas como o aumento de dados sendo compartilhados mundialmente e a preocupação ecológica com consumo energético excessivo. A cobertura 5G é mais eficiente e ampla, suportando uma maior transferência de dados e de usuários simultâneos.

Segundo Guilherme Juliani, CEO do Grupo MOVE3, referência em logística no Brasil, a tecnologia representa um grande avanço para o setor. “A fluidez e rastreamento das mercadorias pode ser facilitada, já que as cargas e veículos serão rastreáveis em real time, sem delays, o que traz mais segurança para os prazos de entrega serem constantemente atualizados. Outro fator é que a análise de dados será mais completa com o 5G, possibilitando uma tomada de dados mais informada e, consequentemente, mais eficaz e inteligente”, conta o CEO.

Confira três formas que a tecnologia pode ajudar a logística:

Segurança
Além da maior segurança em passar prazos atualizados para o cliente, existe uma maior segurança física proporcionada pelo 5G. “Poderemos fazer um monitoramento amplo dos veículos mais preciso, com maior observação contínua dos mesmos, o que fará falhas mecânicas serem detectadas antes de se tornarem críticas. Isso garante maior eficácia das entregas e maior segurança dos entregadores, que não correrão o risco de ficarem presos em regiões em que veículos de entrega são mais visados”, aponta Guilherme. “Além disso, o maior número de conexões sem fio minimiza riscos de incêndio, que muitas vezes são iniciados por curto-circuitos na rede elétrica”, afirma Juliani.

Gestão
Com o 5G, o processo de gestão logística pode se tornar menos mecânico e mais informado por dados. “A gestão de armazéns e estoques com radiofrequência (RFID) não terá interferência, e poderá ser usada em toda a carga. A maior conectividade também possibilita que mais veículos, dispositivos e equipamentos estejam na mesma rede, o que melhora a visibilidade dos processos e a tomada de decisões mais inteligentes”, explica Guilherme.

Velocidade
A velocidade de 50 a 100 vezes maior traz benefícios, como uma atualização em tempo real de veículos e entregas, assim como a possibilidade de alteração de rotas por variáveis como acidentes e engarrafamento. Segundo Juliani, a velocidade não é necessariamente responsável por novidades, e sim uma melhoria no que já existe: “Já é comum rastrear veículos e pedidos, assim como calcular rotas e alterá-las com tecnologia especializada, mas os sistemas nem sempre tem um funcionamento sem atrasos e dependem da conexão dos veículos, que pode ser afetada em localidades mais remotas. Outro problema que enfrentamos é a interferência eletromagnética em grandes centros urbanos, com muitos aparelhos conectados a mesma rede, uma questão que a tecnologia também se propõe a solucionar. O 5G dá maior estabilidade e velocidade aos processos que já existem.”

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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