VLI assina contrato para aquisição de nove locomotivas Wabtec

03/03/2023

A VLI – companhia de soluções logísticas que opera portos, ferrovias e terminais – assinou contrato para aquisição de nove locomotivas modelo ES-43BBI da Wabtec, que irão se juntar à frota premium da companhia para o transporte de cargas na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O negócio foi fechado nesta terça-feira (28) e movimenta cerca de R$ 200 milhões, em mais um investimento da VLI na indústria nacional de materiais rodantes. A previsão é de que as primeiras locomotivas sejam entregues dentro de um prazo de até 18 meses. 

A aquisição das locomotivas atende ao incremento da demanda por transporte de cargas no corredor Centro-Leste da companhia, por onde insumos e produtos da indústria siderúrgica, do agronegócio, carvão, fertilizantes, combustível e celulose são escoados em direção ao sistema portuário do Espírito Santo. Entre eles, fluxos iniciados recentemente pela companhia, como o transporte de celulose solúvel para a LD Celulose, em um contrato que prevê a movimentação de 500 mil toneladas anuais do material, produzido no Triângulo Mineiro, até o porto de Barra do Riacho (ES). 

“A aquisição das locomotivas reforça nosso compromisso com os clientes que transportam suas cargas pela Ferrovia Centro-Atlântica em direção aos portos do Espírito Santo e a capacidade do nosso time de cocriar soluções para gerar eficiência. Este negócio representa mais uma contribuição da VLI para o desenvolvimento da indústria ferroviária nacional, o que também acontecerá uma vez concluído o processo de renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica, em virtude da necessidade do incremento da frota atual para atender ao aumento do volume de carga esperado com a renovação”, afirma Fábio Marchiori, CEO interino da VLI e diretor de Finanças, Supply Chain e Serviços da companhia.   

Apenas para o contrato da LD Celulose, a companhia investiu R$ 400 milhões na compra de vagões e locomotivas.

Ampliação de carga no Espírito Santo

Além dos fluxos iniciados recentemente pela companhia, como o da LD Celulose, a VLI estuda novos investimentos e oportunidades para aumentar os volumes transportados aos portos do Espírito Santo. Exemplo disso é o recente anúncio de um memorando de entendimento com a Vports (antiga Codesa) para obras de expansão do novoPorto de Vitória, com o objetivo de aumentar o volume de cargas escoado pelo local. O documento assume que os estudos a serem realizados em conjunto podem concluir pela existência de uma oportunidade para investimentos em ferrovia, porto e terminais que atinjam até R$ 200 milhões.

O estudo estima um aumento de cerca de 5 milhões de toneladas de granéis sólidos minerais e vegetais à matriz de carga atual nos fluxos de importação e exportação do Estado. Para dar vazão a este aumento de volumes transportados, a VLI também analisará oportunamente a necessidade de aquisição de novos vagões e locomotivas.

Atualmente, a VLI movimenta cerca de 25 milhões de toneladas anuais nos portos e ferrovias do Espírito Santo, com cargas que trafegam pela Ferrovia Centro-Atlântica, em Minas Gerais, e pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, onde a VLI opera por direito de passagem, para acesso aos portos do Espírito Santo. A operação portuária atual é concentrada nos terminais de Praia Mole, de Granéis Líquidos e de Produtos Diversos, instalados no Complexo Portuário de Tubarão. No entanto, a empresa acredita no crescimento deste corredor e estuda novas oportunidades portuárias públicas e privadas no Espírito Santo.

Sobre as locomotivas 

A ES43BBi é uma locomotiva heavy-haul projetada especialmente para ferrovias de bitola métrica. Equipada com o potente motor EVO 4,500GHP de 12 cilindros, sistema de tração AC de tecnologia avançada com controle individual por eixo e truques robustos e articulados, a ES43BBi foi projetada para garantir o máximo desempenho mesmo em rampas íngremes, túneis apertados ou vias com curvas acentuadas. O equipamento foi otimizado para trabalhar nas condições climáticas brasileiras. Ele conta com o sistema Air-to-Air, que aumenta a eficiência da refrigeração do motor diesel, e com dois sopradores que garantem o fluxo de ar aos oito motores de tração em todas as condições de operação. Adicionalmente, tem baixo custo de ciclo de vida e, graças à sua eficiência energética, tem um menor nível de emissões, longos períodos entre revisões e dispõe, ainda, de uma preparação para integração com soluções de software, com potencial de aumentar ainda mais a eficiência e a segurança, otimizando a condução dos trens.

De acordo com Danilo Miyasato, presidente e líder da Wabtec LatAm, “a locomotiva Wabtec ES43BBi é um equipamento desenvolvido no Brasil, por engenheiros brasileiros, focada no aumento da produtividade, eficiência, redução do consumo de combustíveis e emissões das ferrovias que operam em bitola métrica. Cientes dos desafios impostos por esse tipo de bitola à logística nacional, a Wabtec buscou aliar as necessidades da VLI ao que há de mais inovador em locomotivas de corrente alternada”.  Ainda segundo Danilo, existem mais de 50 locomotivas desse modelo em operação no país com altos índices de confiabilidade e disponibilidade.

Ferrovia Centro-Atlântica  

A Ferrovia Centro-Atlântica percorre sete estados brasileiros, transportando riquezas de diversos segmentos, como o agronegócio, siderurgia e construção civil para abastecimento dos mercados interno e externo. A renovação antecipada da concessão da FCA, atualmente em curso nos órgãos reguladores, poderá marcar um novo ciclo de crescimento, investimentos e contribuição com a indústria ferroviária nacional, em virtude da aquisição de novos vagões e locomotivas para transportar o aumento de carga previsto, proporcionando um atendimento ainda mais amplo e eficiente aos clientes.  

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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