Videotelemetria: a nova fronteira da tecnologia na gestão de frotas

10/10/2022

No Brasil, segundo o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), aconteceram 632 mil acidentes e 11 mil mortes no trânsito em 2021. Embora existam diferentes razões para esse resultado, eventos de risco ao volante representam um número bastante significativo. De acordo com o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação, 54% dos acidentes analisados em 2020 foram causados por imprudências dos motoristas e 23% indicaram falta de atenção do condutor.

Para gerar impacto na redução de acidentes e eventos de risco são utilizadas tecnologias orientadas a reduzir comportamentos de risco, algo potencializado ainda mais com as câmeras inteligentes embarcadas, ou seja, a videotelemetria.

“Com as câmeras veiculares, os gestores têm mais visibilidade, reduzindo custos, riscos, aumentando o cuidado e potencializando sua frota”, explica Omar Jarouche, CMO da Cobli, FleetTech que descomplica e potencializa a gestão de frotas.

Videotelemetria na prática

A videotelemetria é composta pelas tecnologias IoT (internet das coisas), inteligência artificial e big data. Câmeras instaladas no veículo filmam tanto a cabine quanto a via para identificar e alertar situações perigosas, como direção distraída, proximidade insegura ao veículo da frente, curvas perigosas e aceleração ou frenagem brusca.

A instalação desses equipamentos evoluiu para se tornar cada vez mais inteligente, integrada e acessível, podendo ser implementada em escala e com potencial de fazer um impacto significativo a todos. Nos Estados Unidos o uso é comum e já acontecem mais instalações de videotelemetria do que de sistemas mais básicos como GPS e rastreadores. O Brasil está começando a jornada agora e irá colher muitos benefícios. Isso porque essa tecnologia traz ganhos concretos.

“Recentemente lançamos a Cobli Cam – nossa solução de videotelemetria. Com ela, os comportamentos identificados automaticamente são gravados e enviados a nossa plataforma, onde o gestor da frota é alertado da situação. As gravações geram uma infinidade de dados, então a inteligência artificial é essencial para identificar e encaminhar os momentos que o gestor deve assistir e avaliar, transformando dados brutos em informação útil e relevante”, complementa Omar.

Com esse conhecimento em mãos, as empresas podem criar planos de ação e passar feedbacks para melhorar o desempenho do motorista, além de tornar a direção mais segura. Os dispositivos não só gravam as situações de risco como também emitem alertas sonoros na cabine que dão avisos em tempo real para os condutores terem atenção e, consequentemente, adotarem uma condução mais segura. Para o motorista, isso resulta em mais segurança no trânsito.

A análise dos dados também é primordial para entender quais fatores causam mais acidentes e, a partir daí, priorizar quais ações tomar para obter resultados rápidos. Além disso, o gestor pode conscientizar sua equipe com treinamentos mais avançados, capazes de uma renovação constante no modo de condução dos motoristas.

Tecnologia para reduzir custos

O uso da videotelemetria, como nas funcionalidades da Cobli Cam, pode diminuir custos com infrações de trânsito, pois ter a visibilidade de como está a direção do time ajuda o gestor a reverter comportamentos que resultam em mais gastos, como multas causadas pela distração do motorista”, explica Omar. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério da Infraestrutura, em 2021, 246 mil multas foram aplicadas por uso de celular ao volante. O levantamento apontou ainda que 2,2 milhões das multas foram por excesso do limite de velocidade. Delas, 88% foram de velocidade até 20% superior, ou seja, um possível descuido.

Além disso, as gravações também são importantes para evitar o pagamento de despesas com incidentes nos quais a empresa não foi a responsável pela infração. Os vídeos podem ser usados como evidência e, nesse cenário, já foram observados casos de exoneração de 50% dos processos.

Videotelemetria para a segurança no trânsito

O uso de tecnologias e dados é o caminho para uma condução melhor, e a videotelemetria é a próxima fronteira para a gestão de frotas. Um estudo realizado pela Frost & Sullivan apontou que veículos que possuíam este tipo de câmera com inteligência embarcada tiveram um aumento de 70% no uso do cinto de segurança, 60% de redução no número de colisões, 65% menos eventos de excesso de velocidade e 80% de redução de distrações ao volante.

“Já observamos casos de redução de até 50% no número de incidentes com uma condução mais focada e cuidadosa. Em longo prazo, essa prevenção vai impactar diretamente na quantidade de acidentes da empresa. A mudança de chave exige esforço e investimento, mas a tecnologia já está aqui para trazer esses ganhos para a sociedade”, afirma Omar.

É possível notar um resultado extremamente bem-sucedido nas empresas que estão implementando políticas e tecnologias para aprimorar o modo de condução e reduzir distrações atrás do volante. Dessa forma, a tecnologia impacta diretamente na proteção de funcionários, prestadores de serviços e da sociedade. Para ver na prática o funcionamento da Cobli Cam, é só acessar o vídeo abaixo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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