Summit Futuro da Mobilidade: IA, eletrificação e conectividade redefinem a logística e os transportes no Brasil

A convergência entre inteligência artificial (IA), conectividade avançada e novas matrizes energéticas está promovendo uma revolução profunda nos setores de transporte, logística e indústria automotiva no Brasil. Esse panorama de transformação e oportunidades foi o eixo central da terceira edição do Summit Futuro da Mobilidade, realizado pela Autoesporte e pelo Valor Econômico na Casa Traffô, em São Paulo.

O encontro reuniu líderes industriais, executivos globais e gestores públicos para debater os rumos da eletrificação, a infraestrutura digital das rodovias, o papel das cidades inteligentes e o futuro do ecossistema de supply chain e frotas comerciais.

O impacto da IA no mercado de trabalho e na cadeia de suprimentos

A abertura do evento trouxe uma análise sobre o ritmo acelerado das inovações tecnológicas e a urgência de requalificação profissional. Tania Cosentino, conselheira da WEG e ex-presidente da Microsoft Brasil, apontou que o receio inicial em relação à inteligência artificial generativa vem dando lugar a projeções mais estruturadas.

Segundo a executiva, estudos realistas indicam a eliminação de 92 milhões de empregos, mas projetam a criação de 170 milhões de novos postos até 2030, resultando em um saldo líquido positivo de 78 milhões de vagas.

No primeiro painel — focado na preparação da cadeia de fornecedores para a era dos veículos eletrificados e conectados —, o debate girou em torno da tropicalização de tecnologias e do fortalecimento das parcerias locais. Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), destacou a complexidade do mercado nacional:

“É muito difícil uma empresa vir e se instalar sozinha no Brasil. O nosso país é complexo, nós já entendemos isso, imagina um player internacional tentando entender. Por isso, você vai precisar de parceiros locais.”

Reforçando a cooperação industrial, José Eduardo Luzzi, diretor do Segmento de Veículos Comerciais do Sindipeças e da Abipeças, ressaltou que a chegada estruturada de fornecedores internacionais encurta o tempo de produção no país e fortalece a engenharia nacional. Já Valter Luiz Knihs, diretor de Engenharia de eMobility e Baterias da WEG, desmistificou o fim dos motores a combustão, apontando que a tendência dominante será a hibridização para maximizar a eficiência e a performance das frotas.

Conectividade, manutenção preditiva e a gestão de frotas comerciais

O avanço do software a bordo e a conectividade em tempo real estão mudando radicalmente a rotina de gestores de frotas e operações logísticas.

Durval Pinheiro Junior, diretor do Senai Automobilística, frisou que o profissional do setor precisará dominar a eletrônica e o software, abrindo espaço para a engenharia brasileira assumir protagonismo. Na visão de montadoras e fornecedores de tecnologia, a gestão baseada em dados já é uma realidade:

  • Manutenção Preditiva: Luciano Driemeier, gerente global de Negócios Conectados da Ford, explicou que o padrão reativo de qualidade deu lugar à inteligência artificial preditiva, capaz de analisar dados na nuvem para antecipar falhas antes que afetem as operações.
  • Atualizações Over-the-Air: A conectividade permite reconfigurar funções do veículo remotamente com base no feedback real de uso, otimizando o ciclo de vida do ativo logístico.
  • Foco no Condutor: Márcio Filho, diretor de Customer Support do BMW Group Brasil, destacou que a tecnologia busca a proatividade para que o veículo se adapte dinamicamente às necessidades do condutor.

Transporte público elétrico e infraestrutura rodoviária digital

A descarbonização do transporte e a eficiência urbana ganharam destaque com o avanço dos ônibus elétricos e das rodovias conectadas.

Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil, revelou que operadores de transporte público não cogitam retroceder na eletrificação:

“Eles perceberam os ganhos financeiros ao final do mês com a redução da manutenção e do custo operacional, além do menor absenteísmo dos motoristas pelo conforto a bordo.”

No âmbito da infraestrutura viária e urbana, Gilmar Pereira Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, pontuou que o grande desafio atual no planejamento da capital é a infraestrutura de recarga para a frota de ônibus elétricos, em articulação com as distribuidoras de energia.

Para motoristas e operadores nas estradas, Gabriel Porto (vice-presidente de Marketing e Produtos do Sem Parar) destacou a facilitação proporcionada por ecossistemas digitais integrados para reduzir fricções do dia a dia. Complementando o cenário rodoviário, Rodrigo Zambon, CEO do Pedágio Digital, enfatizou a consolidação da infraestrutura digital e dos sistemas Free Flow, gerando dados escaláveis em tempo real para otimizar a jornada logística e a prestação de serviços.

Indústria 4.0, fábricas do futuro e competitividade nacional

Encerrando a programação, o painel focado em produtividade e qualidade abordou os diferenciais da indústria brasileira frente ao cenário global. Marcus Vinicius Aguiar, vice-presidente executivo da Anfavea e presidente da AEA, destacou que o parque fabril nacional aposta na competitividade através de biocombustíveis e tecnologias avançadas, acelerando investimentos em Indústria 4.0, digitalização, inteligência artificial e gêmeos digitais.

Essa integração fábrica-campo já opera em tempo real: se um veículo apresenta falha em operação, o dado é transmitido digitalmente para corrigir o processo produtivo no lote seguinte. A relevância estratégica do Brasil como hub exportador também foi enfatizada por Gustavo Schmidt, CCO da GAC no Brasil, e por Diego Fernandes, COO da GWM, que ressaltaram a alta maturidade do parque industrial nacional e o esforço conjunto da cadeia de suprimentos.

Por fim, Mauro Correia, CEO da HPE do Brasil, ponderou que, embora a tecnologia possa ser adquirida globalmente, o investimento contínuo na educação, na formação técnica e na qualificação dos operadores permanece como o pilar decisivo para o futuro sustentável da indústria e da logística no país.

O Summit Futuro da Mobilidade 2026 contou com patrocínio de GAC, BYD e Ford, com realização de Autoesporte e Valor Econômico.

Compartilhe:
Veja também em Evento
26ª Feira dos Cegonheiros começa hoje em São Bernardo do Campo (SP) com expectativa de R$ 660 milhões em negócios
Evento gratuito debate tecnologias e desafios para evolução da logística industrial
Abiclor abre inscrições para encontro sobre transporte seguro e logística do setor de cloro-álcalis
INTRA-LOG Expo chega ao último dia nesta quinta-feira (17), com novidades em logística, automação e embalagens
INTRA-LOG Expo chega ao último dia nesta quinta-feira (17), com novidades em logística, automação e embalagens
SICK, Bertolini, Scheffer, SAUR, ISMA, DockSteel, TianyuLux, STW, Libiao e Dátio também estão na INTRA-LOG 2026
SICK, Bertolini, Scheffer, SAUR, ISMA, DockSteel, TianyuLux, STW, Libiao e Dátio também estão na INTRA-LOG 2026
INTRA-LOG 2026 começa hoje, reunindo tecnologias para automação, armazenagem e eficiência operacional
INTRA-LOG 2026 começa hoje, reunindo tecnologias para automação, armazenagem e eficiência operacional

As mais lidas

01

Americanas conclui venda de mais uma unidade do Natural da Terra para o Oba Hortifruti

02

Volkswagen do Brasil abre inscrições para o Programa de Estágio 2027 com mais de 30 vagas

03

Kothe expande operação em São Paulo com novo complexo logístico de 64 mil m² em Cajamar