Startup nordestina capta R$ 10 milhões para revolucionar a gestão de frotas rodoviárias

11/06/2024

Infleet, startup de gestão de frotas com sede em Salvador (BA), acaba de concluir uma rodada de captação de investimentos no valor de R$ 10 milhões. O aporte foi liderado pela Indicator Capital, maior gestora com foco em deep tech (IoT) da América Latina, além de participação dos investidores atuais, DOMO.VC, através do Fundo Anjo, com R$ 2 milhões e CV Idexo, CVC da TOTVS, com R$ 3 milhões.

De acordo com o co-fundador e CEO da Infleet, Victor Cavalcanti, os R$ 10 milhões captados nesta rodada se somam a outros R$ 8 milhões de investimentos consolidados. Além desse montante, a Infleet está sendo contemplada, agora em 2024, com o programa Black Founders Fund, do Google for Startups, que aporta recursos em startups lideradas por negros – caso de Vitor Reis, co-fundador e COO da plataforma de gestão de frotas.

Victor Cavalcanti (CEO), Henrique Lima (CSO), Lucas Bastos (CPO), Vitor Reis (COO)
Fonte: Divulgação

Os recursos serão aplicados no desenvolvimento de Internet das Coisas e Inteligência Artificial (IA), bem como no aprimoramento das suas soluções que proporcionam redução de acidentes, poluentes e diminuição de custos com combustível e manutenção de veículos.

Entre os produtos desenvolvidos com os investimentos está o da videotelemetria com IA, uma solução que reduz em 80% os comportamentos de risco de motoristas, como uso de celular, sonolência e distrações, levando a uma diminuição de 60% na ocorrência de sinistros com a frota. “A análise da condução e comportamento dos motoristas combatem acidentes e também desperdícios, como o consumo de combustível e pneus”, ilustra o CEO. A redução no consumo de combustível pode chegar a 15%.

A plataforma da Infleet agrega mais de 10 soluções com funcionalidades que auxiliam o gestor no maior controle dos veículos e condutores. Além disso, pode ser integrada de forma colaborativa com outras inúmeras soluções e hardwares atualmente disponíveis, proporcionando maior disponibilidade das informações e análise. Essa complementação de funcionalidades é um dos principais diferenciais da Infleet.

Gestão financeira responsável para sustentar o crescimento 

Com a definição do investimento, a Indicator Capital aplicará a sua metodologia Building Value Together® de construção de valor, para dar apoio ao crescimento da Infleet, promover maior conexão com clientes e parceiros do ecossistema.  

Thomas Bittar, cofundador da Indicator, comenta que “a Infleet se encaixa perfeitamente na tese do Fundo 2, pois utiliza sensores e câmeras assim como inteligência artificial para auxiliar e melhorar o desempenho dos gestores de frotas. A oportunidade e o potencial no mercado brasileiro são enormes. São 11 milhões de veículos comerciais, e apenas uma pequena parte aplica tecnologias de monitoramento. O time de co-fundadores da Infleet é brilhante e veem entregando um crescimento robusto de forma consistente ao longo dos anos. Esse aporte irá apoiar e fortalecer ainda mais esse crescimento e entrega de um time que sabe executar com excelência”.

O investimento da Indicator Capital está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis – e 12 – Consumo e Produção Responsáveis. Especialmente em relação aos itens 11.6, até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, melhorando os índices de qualidade do ar e a gestão de resíduos sólidos.; e 12.c, racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que encorajam o consumo exagerado, para refletir os seus impactos ambientais.

Na avaliação de Victor Cavalcanti, os aportes recebidos pela Infleet são fruto do compromisso da startup com pautas a agenda ESG [Environmental, Social and Governance, ou meio ambiente, social e governança]. “A Infleet nasceu com o conceito ESG em seu DNA, simplificamos a gestão de frotas para um mundo mais sustentável”, afirma o CEO.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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