Segmentação para cada tipo de uso e redução de custo são tendências no mercado de pneus

09/04/2012

Pneus sólidos superelásticos e radiais devem receber atenção do setor. Investimentos em novas tecnologias são enfoque de fabricantes, e preocupação com o meio ambiente também faz parte do planejamento de novos produtos.

A proveitando a onda de grandes investimentos no segmento de logística que vêm acontecendo há alguns anos, impulsionados pelos bons resultados da economia brasileira, crescimento ano a ano do setor e os eventos esportivos que devem acontecer no país, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, os fabricantes de pneus já estão desenvolvendo novas tecnologias em produtos que buscarão atender à grande demanda que vem por aí. Seja para pneus de empilhadeiras ou para caminhões, o setor recebe atenção e projeta atuação interessante para os próximos anos.

Uma simples peça que faz parte de um verdadeiro quebra-cabeças que envolve o planejamento logístico de companhias de diversos setores, o pneu é essencial para a realização de um trabalho ágil, seguro e pontual. Literalmente, sem ele, não se chega a lugar algum. Já que a sua importância é tão grande, se torna mandatório que os fabricantes estejam sempre atualizados quanto às tendências do mercado, às exigências dos clientes e criando novos produtos que tragam ainda mais benefícios para as operações.

E falando em tendências, os pneus superelásticos são os grandes enfoques dos fabricantes, de acordo com grande parte dos entrevistados desta matéria especial. Segundo Paulo Nobre, gerente comercial nacional da Rodaco (Fone: 11 4427.6656), as tendências continuam com foco em pneus sólidos superelásticos, devido as suas vantagens na relação custo x benefício. “O desafio é fabricar um produto que atenda plenamente às exigências operacionais que são cada vez maiores, como ciclos de trabalho, distâncias percorridas e manobras que acabam exigindo que os pneus trabalhem com alta temperatura”, analisa.

Rafaella Sene, assistente de marketing da Trelleborg Wheel Systems (Fone: 14 3269.3600), também segue o mesmo raciocínio. “A grande tendência no mercado de pneu industrial é a crescente demanda por pneus superelásticos, pois a sua manutenção é mínima e não há parada de máquina por motivo de furo ou para manter a pressão adequada do pneu. O pneu superelástico é feito todo de borracha e outras matérias-primas, não precisa ser inflado. Ele pode ser construído com três ou duas camadas de borracha, depende de cada linha de produto e fabricante”, explica.

J. Eduardo Kezerle, gerente de marketing da Brazil Trucks (Fone: 12 3939.2110), afirma que alguns modelos de pneus superelásticos já estão sendo fabricados com uma nova tecnologia chamada Green Concept, em que o composto de borracha da banda de rodagem é formulado com matéria-prima não poluente e a fabricação obedece a rígidos critérios de proteção ambiental.

Julimar Rodrigues, gerente comercial nacional da Standard Tyres (Fone: 11 3719.0070), analisa as tendências do mercado de acordo com cada segmento: pneus industriais, portuários e agrícolas. No mercado de pneus industriais, para empilhadeiras, rebocadores e trailers, o setor caminha rapidamente para um padrão europeu, com clientes mais exigentes e preocupados com a redução do custo/hora e pós-vendas, além de atender questões ambientais e de saúde. “A tendência do mercado é a realização de processos produtivos limpos, ecológicos e que atendam às condições de ergonomia exigidas por lei e necessárias ao bom desempenho da movimentação de materiais. Neste contexto, os pneus sólidos logo serão os líderes do setor”, aposta.

No segmento portuário, em razão da modernização dos portos brasileiros, a profissionalização é cada vez mais visível e, se o país deseja ser internacionalmente competitivo, os equipamentos precisarão garantir alta disponibilidade e baixo custo de manutenção, segundo Rodrigues. Com isto, a tendência é a utilização de produtos que proporcionem grande estabilidade e agilidade ao equipamento, pois, com a correta seleção de um pneu, o custo de manutenção poderá ser reduzido em até 20%. “Além da alta durabilidade que um pneu deve oferecer, com o aumento da estabilidade do equipamento, o armazenamento de contêineres em posição elevada é muito mais ágil e é significativa a redução da manutenção da lança do equipamento, em razão do equilíbrio da carga transportada”, afirma.

Já na área agrícola, a previsão é que haja a utilização de produtos que garantam melhor distribuição de esforços e peso no solo, proporcionando menor compactação do piso. “Esta menor compactação aumenta a produtividade da área trabalhada e reduz de maneira significativa os custos de manutenção do piso, além de ser uma tendência ecologicamente correta”, continua.

Essa preocupação ambiental da indústria também é ressaltada por Vinícius Penna, supervisor de vendas de pneus industriais da Continental Pneus – Continental do Brasil (Fone: 0800 170.061). Para ele, as principais tendências culminam com a redução das emissões de CO2 na atmosfera, já que buscam melhora a relação custo x benefício pela otimização de compostos de borracha, ampliando a durabilidade do pneu e diminuindo a sua resistência ao rolamento e o consumo de combustível. “O segmento de pneus industriais vem se desenvolvendo tecnologicamente de maneira progressiva e a companhia investe continuamente na otimização dos processos de mistura, confecção e vulcanização de seus produtos”, salienta.

Fernando Neubern, diretor comercial da TyresFer (Fone: 11 3641-7744), também confia que os pneus sólidos continuarão recebendo atenção do mercado, com melhoras na qualidade dos produtos nacionais que já possuem rendimento bastante próximo ou até melhor que os estrangeiros. No entanto, ele afirma que a propensão será cada vez maior para o uso de pneus radiais industriais. “Como aconteceu no segmento automotivo, décadas atrás, os fabricantes desse modelo vêm investindo em pesquisa e desenvolvimento tanto em compostos, como em desenho, buscando sempre a diminuição do custo e o aumento do desempenho”, analisa. Por outro lado, ele acredita que a demanda por pneumáticos diagonais deverá continuar caindo, pois ao observarem o custo final dos pneus, os clientes estão trocando esse modelo por pneus radiais ou sólidos.

Outra tendência geral deste mercado está na segmentação dos pneus para cada tipo de operação, segundo Victor Vaz, diretor da Laguna Pneus (Fone: 11 3624.8183). Para ele, essa é uma tendência que cresce cada vez mais. “Buscar o produto específico para cada tipo de trabalho a ser executado se tornou essencial para garantir o melhor custo por quilômetro no caso de veículos e o melhor custo por hora no caso de máquinas. Com isso, os fabricantes estão desenvolvendo, principalmente, novas bandas de rodagem para garantir esse desempenho. Trata-se do desenvolvimento de novos compostos de borracha e desenhos de banda de rodagem para garantir que todas as áreas de atuação extraiam o melhor desempenho do produto que está sendo utilizado”, elucida.

COMO EVITAR AVARIAS NO PNEU?

As tendências e inovações do segmento de pneus têm como maior incentivador a busca por melhorias que diminuam avarias, desgastes e perdas de pneus. Geradores de altos custos para clientes, que acabam precisando realizar trocas e manutenções constantes, os desgastes que puderem ser evitados com o uso de novas tecnologias de produção receberão grande aceitação do mercado.

Além de novas formas de fabricação e matérias-primas, a vida útil dos pneus também depende da utilização correta dos produtos. Segundo Nobre, da Rodaco, a temperatura excessiva sob a qual os pneus superelásticos atuam, ocorrida em função de altas velocidade (acima de 16 km/hora), longos percursos, excesso de carga, alterações do centro de carga e longos ciclos de trabalho, são os principais causadores de desgastes e perdas de pneus. “Em pneumáticos, a falta de calibragem é um item crítico, além dos choques em meios fios, estanterias e obstáculos no percurso, que rasgam, perfuram e deformam o pneu”, explica. Para evitar essas situações, ele afirma que é preciso manter um controle e cuidado com todos os itens que causam as avarias citadas. É preciso averiguar os controladores de velocidade, realizar o controle periódico de calibragem de pneumáticos e fazer o rodízio de pneus, além de eliminar obstáculos e choques no percurso. Manutenção preventiva e respeitar a quantidade de carga especificada para cada equipamento também são fatores que permitem ao pneu ter uma vida útil mais longa.

Neubern, da TyresFer, também cita os mesmos problemas e afirma que chamar um técnico capacitado para avaliar toda a operação a ser realizada, desde o local de transporte até o tipo de equipamento, pode evitar falhas, já que ele estará apto a orientar sobre que pneu usar em cada situação. “Nem sempre o pneu mais caro tem o melhor custo/hora. O tipo de operação vai definir qual o pneu mais indicado”, afirma, seguido por Rodrigues, da Standard Tyres: “as causas já citadas, além do conceito errado de que ‘tudo é igual’, faz com que o responsável pela operação selecione um produto apenas pelo critério preço. Há casos em que o desgaste do produto se eleva muito e, consequentemente, o custo/hora da operação atinja níveis insuportáveis. No caso de empilhadeiras, a correta seleção de um produto pode reduzir em até 80% o custo/hora, além de aumentar muito a disponibilidade do equipamento”.

“A maior causa de perda e desgaste prematuro ocorre quando o pneu não é apropriado à aplicação e, no caso de pneumáticos, a pressão deve ser mantida periodicamente”, continua Rafaella, da Trelleborg. Para ela, é sempre interessante verificar se o pneu que está na máquina é adequado à aplicação e se a carga que a máquina carrega pode ser suportada pelos pneus. Outro fator que não pode deixar de ser checado é a temperatura do ambiente e se há resíduos de produtos químicos no chão, pois a borracha sofre alterações quando entra em contato com alguns produtos e isso pode interferir no desempenho do pneu. “Na dúvida, recomendamos que o cliente entre em contato com o fabricante para analisar a situação”, indica.

Flávio Bettiol Junior, diretor de marketing Truck e Agro da Pirelli na América Latina (Fone: 0800 728.7638), é outro especialista que afirma que a falta de manutenção periódica dos pneus é um dos principais motivos para perdas e desgastes. “É preciso fazer uma manutenção adequada, inclusive mantendo os pneus calibrados corretamente, semanalmente, alinhados e balanceados a cada determinado número de quilômetros rodados”, afirma. Dentro desse mesmo sentido também se encontra Vaz, da Laguna Pneus. Segundo ele, manutenção preventiva e gerenciamento de frota são os únicos caminhos para se garantir a maior vida útil dos produtos e, consequentemente, o melhor custo por quilômetro rodado ou por hora trabalhada, no caso de máquinas. “Medir e ajustar regularmente a pressão/calibragem, fazer o rodízio, garantir o produto correto, na máquina/veículo correto para o serviço a ser prestado, são as principais medidas que cada empresa deve tomar para se beneficiar ao máximo dos pneus, baixar custos e garantir melhor performance”, recomenda.

A utilização de diferentes modelos de pneus para variadas operações também é defendida pela Continental Pneus. “A escolha do tipo de estrutura a ser utilizada deve estar diretamente relacionada às características da aplicação”, explica Penna. Pontos como local de aplicação, tipo de piso, espécie de deslocamento, intensidade da operação, altura de elevação e peso da carga são cruciais para o estudo de qual modelo de pneu deve ser utilizado. “Somente após analisar todos esses fatores poderemos recomendar o pneu ideal para cada operação e, assim, minimizar perdas e desgastes, pois todos eles conciliados influenciam de maneira direta na durabilidade dos pneus”, continua.

Além da escolha dos pneus sob o ponto de vista da operação que será realizada, observar as características técnicas da matéria-prima utilizada na fabricação também é fundamental. Kezerle, da Brazil Trucks, explica que um pneu com composto de borracha mal formulado e com projeto deficiente irá oferecer maior resistência à rolagem (maior esforço para girar, maior atrito) e, consequentemente, gerará mais calor, um dos grandes inimigos do composto de borracha. “Quanto mais calor o pneu produzir, mais rápido se desgastará. Outro fator que afeta a vida útil de um pneu é o mau uso. No caso dos pneumáticos, trafegar com pressão maior ou menor do que a indicada, impactos na banda de rodagem, que podem provocar a separação das lonas ou arranque da borracha, impactos nas laterais, mau estado das rodas ou até mesmo da empilhadeira precisam ser evitados com a conscientização dos operadores e maior atuação do departamento de manutenção da empresa”, analisa.

Para poder analisar as condições dos pneus de seus clientes, a Borrachas Tipler (Fone: 51 3568.2222) desenvolveu o Pacote de Valor, composto por sistemas de análise de veículos (STIF – Sistema Tipler de Inspeção de Frota), pneus sucatados (STAS – Sistema Tipler de Análise de Sucata), borracharia (STIB – Sistema Tipler de Análise de Borracharia) e controle de pneus (STGP – Sistema Tipler de Gerenciamento de Pneus) que estão disponíveis na rede de concessionários no Brasil. As análises são aplicadas por um técnico capacitado pelo CTT – Centro de Treinamento Tipler, que fornece um diagnóstico junto com os relatórios para corrigir as falhas e extrair da banda pré-moldada Tipler o maior desempenho possível. “As bandas pré-moldadas são aplicadas nas carcaças, renovando o pneu para mais uma vida, ou seja, ser usado novamente, ao invés de comprar um novo pneu. Sendo assim, para conseguir o máximo de performance do pneu recapado é necessário calibrar os pneus semanalmente e, quando estão frios, corrigir o alinhamento e balanceamento, corrigir as folgas mecânicas, fazer um emparelhamento correto e retirar o pneu para mais uma reforma quando atingir o ponto do indicador de desgaste”, explica Carlos César da Silva Oliveira, gerente nacional de vendas da empresa. 

Trelleborg
Possui linha completa de pneus para empilhadeiras, com modelos de pneu superelástico, pneu cushion, pneumático diagonal e pneumático radial.

Continental
Fabrica pneumáticos radiais, superelásticos e diagonais, pneus Press-On-Band ou Cushions e sistema TSR.

Pirelli
Fabrica pneus para empilhadeiras de pequeno porte e para empilhadeiras portuárias na movimentação de contêineres cheios e vazios.

Rodaco
Fabrica pneus superelásticos sólidos para operações leves com curtos ciclos de trabalho, operações leves com curtos ciclos de trabalho, operações severas com longos ciclos de trabalho e muita temperatura e para operações de extremas exigências, com ciclos longos e altíssimas temperaturas de trabalho e pisos irregulares. Produz, também, pneumáticos diagonais e radiais.

Borrachas Tipler
Fabrica bandas pré-moldadas, aplicadas na carcaça dos pneus após o final da vida, enquanto novo. As bandas pré-moldadas produzidas são usadas nos segmentos urbano, rodoviário, fora-de-estrada e misto.

Brazil Trucks
Distribuidor exclusivo, no Brasil, dos pneus industriais Maxxis. A Maxxis International fabrica pneus industriais, automotivos e OTR, entre outros. Atualmente, fornece pneumáticos para empilhadeiras e bobcat.

Standard Tyres
Oferece pneus para todo tipo de movimentação de materiais que utilizem empilhadeiras, reach stackers, rebocadores, guindastes, carretas, trailers Ro-Ro, tratores agrícolas, equipamentos de terraplanagem e mineração, implementos e em outras diversas aplicações específicas. Atua com fabricação própria e importação de pneus sólidos resilientes, pneumáticos, superelásticos, cushion, não-manchantes (white non-marking), anti-estáticos, Press on Band e outros.

TyresFer
Produz pneus industriais, tanto pneumáticos como sólidos, e pneus fora-de-estrada usados em segmentos como metalúrgico, siderúrgico e alimentício.

Laguna Pneus
Fornece pneus de carga para caminhões e ônibus de transporte rodoviário e urbano; pneus fora de estrada (OTR) para máquinas de construção, pás-carregadeiras, bobcats e retroescavadeiras; pneus industriais portuários para empilhadeiras de grande porte/movimentadoras de contêineres; e pneus industriais para empilhadeiras de pequeno porte/movimentadoras de paletes e cargas soltas.

 

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Corpus Christi deve registrar um dos maiores movimentos do ano nas rodovias paulistas
Corpus Christi deve registrar um dos maiores movimentos do ano nas rodovias paulistas
RD Saúde investe R$ 90 milhões em Centro de Distribuição para fortalecer logística farmacêutica
RD Saúde investe R$ 90 milhões em Centro de Distribuição para fortalecer logística farmacêutica
Futura unidade do SEST SENAT Barueri, SP, recebe o nome de “Unidade Geraldo Aguiar de Brito Vianna”
Futura unidade do SEST SENAT Barueri, SP, recebe o nome de “Unidade Geraldo Aguiar de Brito Vianna”
Investimento de R$ 150 milhões em infraestrutura logística amplia operação da Soprano no Sul do país
Investimento de R$ 150 milhões em infraestrutura logística amplia operação da Soprano no Sul do país
Desconto para navios verdes e embarcações de cabotagem é prorrogado no Porto de Santos por mais 120 dias
Desconto para navios verdes e embarcações de cabotagem é prorrogado no Porto de Santos
iFood inicia entregas com drones na Grande São Paulo em operação multimodal com robôs e entregadores
iFood inicia entregas com drones na Grande São Paulo em operação multimodal com robôs e entregadores

As mais lidas

01

Desconto para navios verdes e embarcações de cabotagem é prorrogado no Porto de Santos por mais 120 dias
Desconto para navios verdes e embarcações de cabotagem é prorrogado no Porto de Santos

02

Investimento de R$ 150 milhões em infraestrutura logística amplia operação da Soprano no Sul do país
Investimento de R$ 150 milhões em infraestrutura logística amplia operação da Soprano no Sul do país

03

RD Saúde investe R$ 90 milhões em Centro de Distribuição para fortalecer logística farmacêutica
RD Saúde investe R$ 90 milhões em Centro de Distribuição para fortalecer logística farmacêutica