A logística, setor essencial para o funcionamento da economia e para o abastecimento do país, atravessa uma transformação relevante impulsionada pela digitalização. Com a adoção de novas ferramentas tecnológicas, processos historicamente estratégicos passam a ganhar novos desdobramentos e níveis de complexidade. Nesse contexto, a roteirização inteligente na logística se consolida como um dos principais vetores de mudança operacional, ao integrar dados em tempo real, automação e inteligência artificial às decisões do transporte rodoviário de cargas.
Segundo estudo da Infor, o mercado global de logística digital deve crescer mais de 18% ao ano até 2030, impulsionado por soluções baseadas em inteligência artificial, análise preditiva e otimização operacional. Esse avanço tecnológico amplia o uso de sistemas capazes de criar rotas mais eficientes, seguras e adaptáveis, substituindo modelos tradicionais de planejamento estático por estruturas dinâmicas, que aprendem com a própria operação.

No transporte rodoviário de cargas, a roteirização inteligente considera, em tempo real, variáveis como tráfego, janelas e exigências de tempo, capacidade dos veículos, custos e consumo de combustível, além de fatores externos. “No transporte rodoviário de cargas, esse modelo considera, em tempo real, variáveis como tráfego, janelas e exigências de tempo, capacidade dos veículos, custos e consumo de combustível, além de condições externas, a partir da integração de dados e inteligência aplicada à operação. A grande virada está em sair de um planejamento estático para um sistema dinâmico, que aprende com a própria operação e se adapta continuamente. Isso muda o patamar de previsibilidade, agilidade e confiança no setor”, afirma André Pimenta, CEO da Motz, transportadora digital que conecta cargas de embarcadores a motoristas autônomos em todo o Brasil.
Roteirização inteligente na logística e impactos na cadeia
Na prática, os efeitos dessa tecnologia são percebidos em toda a cadeia logística, diz Pimenta. Transportadoras conseguem reduzir custos operacionais e ampliar a produtividade; embarcadores passam a operar com maior previsibilidade nos prazos; enquanto motoristas se beneficiam de jornadas mais organizadas e seguras. Além disso, a visibilidade operacional em tempo real fortalece a tomada de decisão e reduz falhas que historicamente comprometem o desempenho do setor.
Além do impacto operacional imediato, esse movimento acompanha uma mudança estrutural no papel da logística dentro das empresas. Tradicionalmente técnica e estratégica, a área passa a ser potencializada pela precisão e escalabilidade trazidas pela roteirização inteligente, com reflexos de longo prazo em eficiência, previsibilidade, crescimento em escala e sustentabilidade.
Com o avanço contínuo de tecnologias como IA, automação e analytics, cresce a pressão para que as operações sejam não apenas mais rápidas, mas também mais eficientes e sustentáveis. Nesse cenário, a roteirização inteligente deixa de ser apenas uma ferramenta de otimização de rotas e passa a atuar também na gestão de riscos, ao reduzir improvisos, minimizar exposições e estruturar operações mais protegidas nos níveis operacional, humano, jurídico e financeiro.
“No fim, é tudo sobre melhorar o ecossistema logístico como um todo. A inteligência de dados gera segurança integrada – para o embarcador, o motorista, para os parceiros ou para a empresa. O diferencial competitivo, daqui para frente, estará na capacidade de transformar informação em ação. E usar essas informações para o desenvolvimento do setor. Quem conseguir estruturar fluxos logísticos inteligentes, com base em dados confiáveis, tende a operar com menos desperdício, maior qualidade e segurança de serviço e maior capacidade de escalar”, finaliza Pimenta.









