Rodojunior irá restaurar Volvo FH12 380 e carreta Randon Mercosul da Rodoviário Michelon

Um importante capítulo da história do transporte rodoviário de cargas brasileiro e latino-americano será completamente restaurado e preservado. A Rodojunior Transportes e Logística Ltda, empresa com sede em Rio Verde (GO) e que em breve completará 25 anos de atuação no setor, assumiu a restauração de um dos conjuntos mais icônicos da Rodoviário Michelon, um Volvo FH12 380 combinado com um semirreboque frigorífico Randon Mercosul.

Amigo pessoal e admirador do Sr. Ladair Michelon, um dos sócios-fundadores da transportadora gaúcha, Eliseu Marques Junior, proprietário da Rodojunior, recebeu oficialmente o conjunto na última sexta-feira, 07 de março, em São Marcos (RS). Na mesma data, também foi realizada uma doação para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do município gaúcho, como parte do acordo envolvendo os transportadores.

A cerimônia de transferência de propriedade do conjunto também foi marcada por um misto entre a modernidade e o clássico. O embarque e transporte do cavalo mecânico e do semirreboque foi realizado por um Volvo FH 540 Série 30 anos e por um Volvo FH 540 Top Class X. O destino final? Rio Verde (GO), onde todo o processo de restauração será acompanhado de perto por Eliseu Marques Junior. Todos os detalhes serão mantidos, preservando assim toda a originalidade do conjunto.

O icônico conjunto da Rodoviário Michelon

A história de um dos mais importantes veículos que fizeram parte da frota da Rodoviário Michelon, começa em 1994, quando o Volvo FH12 380 chegou ao Brasil, importado diretamente da Suécia. Considerado o caminhão mais moderno do mundo na época, o extrapesado trazia sob a cabine construída em aço de alta resistência, o revolucionário motor D12 de 380 cv. Naquele ano, o extrapesado também conquistou o renomado prêmio “International Truck of the year” – o caminhão do ano no mercado internacional.

Já o semirreboque é resultado de uma importante parceria de desenvolvimento entre a própria Rodoviário Michelon e as Indústrias Randon, em 1996. Idealizado pelo próprio Sr. Ladair Michelon, o semirreboque revolucionou o transporte rodoviário de cargas com temperaturas controladas na América Latina, ao proporcionar um aumento de até 50% no volume de carga transportada. O sucesso foi tão grande, que a configuração se tornou um padrão nas operações de transporte internacional pelo continente.

O processo de desenvolvimento da carreta é um dos destaques no livro “Ladair Michelon, o homem que comprou o primeiro caminhão Scania fabricado no Brasil”, publicado em 2022 e escrito por Dimas Barbosa Araujo. A segunda edição da obra está prevista para ser lançada no segundo semestre de 2025.

Como parte importante da frota da Rodoviário Michelon, o conjunto operou por vários anos em rotas do Mercosul. Entretanto, ficou parado na aduana de Uruguaiana (RS) por quase 20 anos, devido a burocracias fiscais. Fundada em 1934, a transportadora gaúcha se tornou uma das maiores do Brasil e chegou a contar com cerca de 800 caminhões na frota. A empresa encerrou as atividades em meados dos anos 2000.

A coleção de caminhões Volvo mais exclusiva no mundo

Após a conclusão de todo o detalhado processo de restauração, o icônico conjunto que fez parte da frota da Rodoviário Michelon, será incorporado à coleção de caminhões da Rodojunior Transportes.

O icônico Volvo FH12 380 estará ao lado de outro importantes modelos da montadora sueca que já fazem parte da coleção, como, um Volvo FH série 25 anos, um Volvo FH série 30 anos, um Volvo NH 12 420 e um Volvo NL 10 340 Power, o primeiro caminhão da transportadora goiana. Reunidos, estes exemplares consagram a Rodojunior como proprietária de uma das coleções de caminhões Volvo mais exclusivas no mundo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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