
A escalada do preço dos combustíveis voltou a desafiar a operação das empresas de transporte rodoviário de cargas (TRC) no Brasil. Com o diesel S10 atingindo a média nacional de R$ 7,33 por litro — segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) —, o insumo acumula uma alta expressiva de 20,4% em relação ao patamar registrado no final de fevereiro, quando era comercializado a R$ 6,09.
O impacto direto dessa alta na estrutura de custos das transportadoras levou a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a publicar novos coeficientes para os pisos mínimos de frete, adotando o valor de R$ 7,33 como referência. A tabela atualizada entrou em vigor nesta quarta-feira (30).
Para o SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região), o reajuste comprova que a volatilidade dos combustíveis deixou de ser uma ameaça distante e já compromete severamente a margem das operações logísticas no país.
“A alta do diesel já está sendo incorporada aos custos do transporte. Neste momento, é fundamental que as empresas acompanhem essa evolução de perto, revisem seus custos e negociem contratos de acordo com os impactos efetivamente observados. Previsibilidade é essencial para que transportadores e contratantes consigam se planejar”, destaca Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP.
Riscos ao abastecimento e a forte dependência externa
Além da pressão inflacionária sobre as frotas, o cenário macroeconômico global mantém o setor em alerta vermelho quanto à segurança do abastecimento de diesel no mercado interno.
Dados consolidados pelo SETCESP mostram que aproximadamente 30% do diesel consumido no Brasil depende de importações, expondo o país a gargalos logísticos internacionais, restrições comerciais e paradas em refinarias no exterior.
A vulnerabilidade ficou evidente nas últimas semanas frente às incertezas do mercado global. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), cerca de 80% das importações brasileiras de diesel em setembro vieram dos Estados Unidos, colocando o Brasil na lista dos países mais expostos a eventuais restrições de exportação por parte do mercado norte-americano.
Subvenção federal e a busca por previsibilidade
Diante do risco de descontrole nos preços, o Governo Federal confirmou em 28 de setembro a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel como medida paliativa para conter a alta do insumo nas refinarias e distribuidoras.
Contudo, o SETCESP reforça a necessidade de maior transparência por parte da administração pública em relação à durabilidade dos subsídios, critérios de aplicação e regras para uma eventual retirada do apoio financeiro. Para as empresas de logística, choques repentinos sem previsibilidade regulatória inviabilizam o planejamento orçamentário de médio e longo prazo.
Recomendações para gestores de frotas e operadores logísticos
Com o combustível representando a maior fatia dos custos operacionais no transporte rodoviário, a oscilação acentuada repercute em cascata por toda a cadeia de supply chain, elevando o custo final das mercadorias transportadas por rodovia.
Diante desse cenário desafiador, a orientação do SETCESP aos transportadores é clara:
- Monitoramento Constante: Acompanhar de perto a variação dos custos operacionais e a regularidade do abastecimento regional.
- Revisão de Contratos: Avaliar a atualização contratual com os embarcadores com base nos impactos reais refletidos pela nova tabela da ANTT e pelas oscilações do mercado.
- Gestão de Eficiência: Intensificar o uso de tecnologias de telemetria e roteirização para mitigar o consumo excessivo de combustível e otimizar a produtividade da frota.








