Precariedade das rodovias encarece o custo logístico do Rio Grande do Sul

30/05/2017

A má conservação das rodovias no Rio Grande do Sul é um fator que contribui, de forma decisiva, para o encarecimento do custo logístico e do transporte rodoviário de cargas no estado. Os veículos que circulam pelo modal rodoviário gaúcho acabam se desgastando de forma mais rápida do que os que trafegam por estradas de qualidade. São molas, freios, pneus e carrocerias que sofrem sérias avarias durante as viagens.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul – SETCERGS, Afrânio Kieling, ressalta que isso aumenta o custo logístico entre 0,3% e 0,4% ao ano, fazendo com que essa conta represente quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB), quando não deveria ser mais do que 6,2%. Ou seja, cerca de um quarto do preço de tudo que se paga é em decorrência das más condições de infraestrutura. Nos Estados Unidos, não passa de 8,5%. Na Europa, fica abaixo de 8%.

– Importante lembrar que o transporte rodoviário é o principal modal da matriz logística do Rio Grande do Sul, correspondendo a quase 90% da movimentação no estado. Com estradas sem pavimentação ou não duplicadas, temos um gasto mais elevado, fazendo com que o custo repassado aos produtos transportados represente cerca de 30% do valor da mercadoria. A solução para isso é o investimento pesado em infraestrutura, que nos dê estradas em condições para transitar – destaca Afrânio Kieling.

O presidente do SETCERGS lembra que países que investem em infraestrutura apresentam um Produto Interno Bruto superior ao brasileiro e o custo com transporte de cargas representa, em média, menos de 10% do PIB. Outro ponto que causa desânimo entre quem quer empreender no setor de transporte de carga no Rio Grande do Sul é o déficit histórico que a infraestrutura do estado apresenta e que encarece a logística.

– Se tivéssemos estradas em plenas condições os custos variáveis de transporte, como combustível, pneus, peças e manutenção dos caminhões poderiam ser reduzidos em até 20%. As más condições das rodovias é que encarecem a logística e não a dependência do modal rodoviário – afirma Kieling.

Outro detalhe que chama a atenção é que muitas das rodovias gaúchas têm mais de quarenta anos de existência. Foram projetadas para receber um determinado tipo de caminhão e, hoje, por elas, trafegam veículos maiores e mais pesados. Isso causa a rápida deterioração da estrada e, como não são reparadas adequadamente, piora as condições de trafegabilidade.

O tema sobre o elevado custo logístico do Rio Grande do Sul e a sua relação com a má conservação das rodovias estará em pauta na 19a Transposul – Feira e Congresso de Transporte e Logística, promovida pelo SETCERGS, de 27 a 29 de junho no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.

19a Transposul

Quando: De 27 a 29 de junho de 2017, das 13h às 22h

Onde: Centro de Eventos da FIERGS – Avenida Assis Brasil, 8787 – Porto Alegre/RS

Mais informações podem ser obtidas pelo site www.transposul.com.

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