Porto do Itaqui projeta exportação maior em 2017 após safra recorde no Brasil

07/11/2017

A maior parte da carga de exportação do Itaqui chega via linha férrea, modal considerado mais eficiente que as estradas. É o porto público mais profundo do Brasil, e o tempo de viagem para Europa e América do Norte a partir de lá pode ser sete dias mais curto se comparado a terminais do sul do país.

Itaqui movimenta minerais, grãos, fertilizantes, remessas de combustível e celulose. Até recentemente, foi estratégico para a Petrobras, que aproveitava seu profundo calado para importar combustível em grandes embarcações.

Com uma mudança na estratégia da Petrobras, que praticamente anulou suas operações de transbordo com combustíveis no porto, os grãos tornaram-se ainda mais importantes para as atividades do Itaqui, disse Ted Lago, chefe da empresa estatal maranhense que administra o porto, em uma entrevista por telefone.

Após a mudança da Petrobras, os volumes gerais de carga em 2016 caíram cerca de 23 por cento, num momento em que o novo terminal de grãos do Itaqui ainda estava intensificando suas operações. Uma queda na produção de grãos na região de Matopiba, a nova fronteira agrícola do Brasil, também impactou o volume movimentado no porto no ano passado.

No entanto, a safra em Matopiba se recuperou, e o Brasil teve uma colheita de grãos recorde neste ano. Com isso, o volume total movimentado por Itaqui deve aumentar 12,5 por cento, para 19 milhões de toneladas, com os grãos representando 8 milhões de toneladas, disse Lago.

Ainda assim, recentes questões regulatórias ameaçaram a ambição de Itaqui de se tornar um dos portos públicos mais eficientes do Brasil.

Depois de empresas como a Louis Dreyfus e a Glencore International gastarem cerca de 600 milhões de reais para construir um novo terminal de grãos como parte de um consórcio, uma regulamentação da Antaq limitou a quantidade de grãos que um operador estabelecido, a VLI Operações Portuárias, poderia movimentar em Itaqui.

O limite, que é de 2,4 milhões de toneladas de soja e 90 mil toneladas de farelo de soja, objetivava atrair investidores privados para o novo terminal do Itaqui, disse Lago. A VLI, que tem a mineradora Vale como sua maior acionista, opera uma das duas ferrovias que chegam a Itaqui.

Até que o consórcio conhecido como Tegram Operações Portuárias atinja sua capacidade operacional máxima, o que está previsto para acontecer em meados de 2019, a limitação permanece, disse Lago.

Fonte: Reuters

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