
Operadora de cadeia fria já concentra a jornada de trabalho de segunda a sexta-feira e mapeia demandas por área para manter a cobertura das entregas
A Temp Log, especializada no transporte de insumos farmacêuticos e estéticos, afirma ter antecipado a reorganização das jornadas de trabalho para preservar os fins de semana dos funcionários e facilitar a adaptação às novas regras trabalhistas. Segundo a empresa, a maior parte da equipe já trabalha de segunda a sexta-feira, em escala 5×2.
A iniciativa começou a ser planejada no ano passado, de acordo com Elizabeth Midori, coordenadora de Recursos Humanos da companhia. A mudança foi adotada mesmo com a jornada semanal de 44 horas prevista na convenção coletiva do setor, que permitia a distribuição do expediente também aos sábados.
“Desde o ano passado a gente já estava olhando para essa questão e entendemos que a qualidade de vida e o tempo com a família precisavam fazer parte da nossa cultura”, afirma Midori.
A experiência ganha relevância com a promulgação da Emenda Constitucional nº 141/2026, que prevê dois dias de descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A transição começa após 60 dias da promulgação, com jornada de até 42 horas semanais, e chega a 40 horas após 14 meses.
Logística farmacêutica exige flexibilidade na jornada
Na cadeia de transporte de medicamentos e insumos sensíveis, a reorganização das escalas precisa considerar as janelas de recebimento dos clientes e a necessidade de manter a integridade e a disponibilidade dos produtos durante o transporte.
A Temp Log atende operações que envolvem medicamentos oncológicos, canetas injetáveis e insumos utilizados em clínicas e estabelecimentos de saúde. Parte das entregas ocorre fora do horário comercial convencional, o que exige planejamento para conciliar a disponibilidade das equipes com os horários de atendimento.
“O nosso principal ponto de atenção está em conciliar a disponibilidade da equipe com as janelas de atendimento dos clientes. As demandas de transporte nem sempre acontecem dentro do tempo estipulado, e a qualidade do serviço não pode ser comprometida”, explica a coordenadora de RH.
Segundo a empresa, a flexibilidade de horários já implantada oferece margem para reorganizar as rotinas conforme os picos de demanda de cada área. A operação, no entanto, ainda exige avaliação das necessidades de cobertura e dos possíveis efeitos das mudanças sobre os custos.
Mapeamento de processos orienta ajustes
A estratégia da Temp Log inclui o levantamento do volume de atividades, dos períodos de maior demanda e da produtividade de cada setor antes de promover alterações nas escalas.
A proposta é identificar oportunidades de redistribuição do trabalho sem transferir o impacto da redução da jornada para os demais integrantes das equipes ou comprometer os níveis de atendimento.
“Reduzir a jornada sem analisar processos pode gerar sobrecarga e ineficiência. O caminho é combinar a esquematização das pessoas, análise de dados e flexibilidade organizacional”, afirma Midori.
A coordenadora recomenda que outras empresas iniciem o diagnóstico das operações com antecedência, considerando que áreas diferentes podem ter necessidades distintas de cobertura, horários e dimensionamento de pessoal.
Para a Temp Log, a reorganização antecipada permite trabalhar a adaptação de forma gradual, com atenção tanto às condições de trabalho quanto à continuidade do serviço. A companhia afirma que o objetivo é manter o atendimento aos clientes sem comprometer a rotina operacional.










