Números de vendas de caminhões animam transportadoras de veículos zero quilômetro

Segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) no dia 8 de janeiro, as vendas de caminhões encerraram em 2024 com alta de 17,41%. Ao longo dos 12 meses do ano passado, o setor comercializou 122.099 caminhões, enquanto em igual período de 2023 as vendas totalizaram 103.994 unidades.

No comparativo mensal, dezembro superou as vendas de novembro. Foram 11.159 caminhões faturados em dezembro, contra 10.003 unidades em novembro, resultando em um incremento de 11,56%.

Em relação a dezembro de 2023, o crescimento também foi expressivo. No último mês de 2023, as vendas somaram 10.060 caminhões, o que representa um aumento de 10,92% em 2024. 

Esses números refletem diretamente o desempenho de um dos setores primordiais para os veículos chegarem ao cliente final: o transporte por meios próprios de caminhões e ônibus novos. Danilo Guedes, presidente da ABC Cargas, transportadora especializada no transporte de veículos pesados, tanto no território nacional quanto no Mercosul, destaca o grande crescimento da empresa, que atingiu 35% no último ano, impulsionado pelo avanço da indústria automotiva. 

“Os números da ABC Cargas na temporada passada foram bastante promissores. Dentre os 27 anos de existência, posso dizer que foi um dos melhores para nós. Sem dúvidas, a entrada do Euro 6 no Brasil exigiu que as empresas modernizassem suas frotas, o que potencializou nossos serviços e gerou muitos investimentos internos voltados para o aprimoramento dos nossos processos”, descreve Guedes. 

Inovações 

Para acompanhar essas mudanças e o aumento da demanda por serviços, as empresas do setor buscam implementar inovações em seus processos para se manterem competitivas no mercado. Isso inclui a maior integração de tecnologias, uma exigência constante dos embarcadores. 

Na ABC Cargas, por exemplo, em 2024, a empresa procurou soluções para um dos desafios do segmento, especialmente nas rotas utilizadas para o transporte de caminhões e ônibus. “Nos trajetos realizados pelas malhas rodoviárias surgem algumas dificuldades relatadas pelos motoristas, especialmente no momento de passar pelas pontes com a mercadoria, devido à altura da carga. Com isso, fomos até a Europa em busca de soluções e encontramos pranchas hidráulicas com alta tecnologia embarcada, que permitem reduzir a altura da carga. Esse será um diferencial para aumentar a segurança, a eficiência e a agilidade dos nossos serviços. Neste ano já planejamos a utilização de novas carretas com essas inovações”, pondera o executivo. 

Perspectivas 

Em 2025, as expectativas para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) são positivas, especialmente após a última Feira de Transporte e Logística da América Latina (Fenatran), onde foram apresentadas diversas novidades, desde caminhões e implementos rodoviários até tecnologias embarcadas, que certamente serão adotadas pelo mercado. 

Na visão de Danilo Guedes: “Feiras como essas sempre nos dão um gás a mais para continuar evoluindo. Acredito que teremos muitas novidades este ano, com decisões diplomáticas que ajudarão a fortalecer o setor, tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Claro que precisamos estar sempre atentos ao que acontecerá, pois estamos falando de um setor muito volátil, mas creio que será um ano bastante positivo”, finaliza o executivo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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