Morre o empreendedor Raul Anselmo Randon

06/03/2018

Determinação e persistência sempre guiaram a vida de Raul Anselmo Randon. Essas características, aliadas ao planejamento e ao trabalho de equipe, transformaram a pequena ferraria fundada em 1949 por ele e seu irmão Hercílio no conglomerado integrado por nove empresas fornecedoras de soluções em transporte, presentes em todos os continentes e líderes no mercado nacional em seus segmentos.

“Fomos ousados em vislumbrar e sonhar o futuro; fomos prudentes nos investimentos e avanços tecnológicos; fomos fortes nos momentos de crise, na adversidade. Por acreditarmos no Brasil, sempre projetamos produtos afinados com o progresso, apostando no desenvolvimento nacional”, costumava afirmar Raul Randon.

A história de quase 70 anos das Empresas RANDON confunde-se com a trajetória pessoal e profissional de um de seus fundadores. Descendente da segunda geração de imigrantes italianos fixados no Rio Grande do Sul, Raul nasceu em Tangará, SC, no dia 06 de agosto de 1929. Filho de Abramo e Elisabetha Randon, Raul recebeu de seus pais uma educação muito rígida voltada para o trabalho. Autodidata bem sucedido adquiriu conhecimentos através de cursos rápidos, palestras, seminários e na vida, aprofundando seus conhecimentos nas áreas administrativas, financeiras, de custos, vendas, produção e, posteriormente, agricultura, fruticultura e pecuária.

Aos 14 anos, foi trabalhar na ferraria de seu pai, aí permanecendo até os 18 anos, quando, em 1948, foi prestar o serviço militar obrigatório, até janeiro de 1949. No retorno do exército, associou-se ao irmão Hercílio Randon em sua pequena oficina de reforma de motores, quando tudo começou. Em 1956, aos 26 anos, Raul casou-se com Nilva Therezinha Randon, com quem teve cinco filhos: David, Roseli, Alexandre, Maurien e Daniel.

O pequeno negócio na área metalmecânica, iniciado em 1949 pelos irmãos Raul e Hercílio Randon projetou-se como um dos mais importantes conglomerados da indústria automotiva da América do Sul. O grupo empresarial Randon está integrado pelas empresas controladas, além de filiais e escritórios em todos os continentes.

Presidente do Conselho de Administração da Randon S/A Implementos e Participações até esta data, também era membro do Conselho Consultivo da Parceiros Voluntários de Caxias do Sul-RS, membro do Conselho Consultivo da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul-RS, Diretor-Presidente do Instituto Elisabetha Randon e Diretor-Presidente da Rasip Alimentos. A característica gerencial de Raul Anselmo Randon foi sempre a de cercar-se de profissionais competentes, tecnicamente bem preparados nas diversas áreas do conhecimento, dando-lhes autonomia operacional e compartilhando com eles os benefícios do sucesso moral, social e financeiro.

O sucesso empresarial, a prosperidade e solidez dos negócios não mudaram a forma simples com que Raul Randon sempre se relacionou com todos, dentro e fora da empresa. Foi, sobretudo, um homem simples, que construiu sua vida através do trabalho duro. Um homem dedicado à família e à comunidade. Herdou dos pais o valor de que o trabalho dignifica o homem, produz riquezas e, consequentemente, propicia uma vida melhor.

Perfil corporativo – Em seu conjunto, as Empresas Randon produzem um dos mais amplos portfólios de produtos do segmento de veículos comerciais, correlacionados com o transporte de cargas, seja rodoviário, ferroviário, ou fora-de-estrada dentre as empresas congêneres no mundo. A Randon S.A. Implementos e Participações produz semirreboques, reboques, vagões ferroviários e veículos especiais, e suspensões, por meio da Suspensys. A produção de componentes e sistemas visa atender as principais montadoras de caminhões, ônibus, reboques/semirreboques e veículos comerciais leves instaladas no país, respondendo também pela demanda cativa da Randon Veículos e Randon Implementos do grupo. Parcela relevante é direcionada para o mercado de reposição nacional e para o mercado externo em produtos novos e de reposição.

A Fras-le S.A. produz lonas e pastilhas de freio que compõem o conjunto de freio produzido pela Master. Este, por sua vez, integra o conjunto de eixo e suspensão produzido pela Suspensys, que através da Suspensys WE produz, também, componentes em ferro fundido nodular para fornecimento às empresas Randon e para terceiros. A JOST fabrica o conjunto de articulação e acoplamento que une o cavalo mecânico ao veículo rebocado. A Randon Consórcios comercializa e administra grupos de consórcios como forma de prover financiamento aos clientes de produtos finais, enquanto o Banco Randon atua como suporte das vendas, com financiamento direcionado a clientes e fornecedores das Empresas Randon.

Entidades de classe – Raul marcou presença em inúmeras atividades associativas empresariais e comunitárias. Recebeu mais de 150 homenagens, destacando-se entre elas Comendador da Cruz de Mérito Cultural, registrada no Ministério da Educação e Cultura sob nº 11.774/67, de acordo com o Decreto Federal 9085, Mérito Industrial conferido pela FIERGS, Troféu Homem do Aço 1977, conferido pela Associação do Aço do Rio Grande do Sul, Comenda Mauá, conferida pelo então governador do Estado do Rio Grande do Sul, Jair Soares, homenagem da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR), da qual foi idealizador, fundador, primeiro Presidente e Presidente de Honra, título Cidadão Caxiense, conferido pela Câmara Municipal de Vereadores de Caxias do Sul, outorga da Medalha do Mérito Mauá, categoria Cruz Mauá, concedida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, Medalha do Conhecimento, instituída pelo Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior, como apoio da CNI e do SEBRAE, homenagem do Presidente da Itália, com a Ordem do Mérito da República Italiana, no grau Comendador, bênção do Papa Bento XI por ocasião as suas Bodas de Ouro com Nilva Randon.

Também recebeu o Prêmio ADVB “Personalidade Empresarial 2009”, Prêmio “Destaque Empresarial” do SETCERGS – Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Estado do Rio Grande do Sul, homenagem do SIMEFRE – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários pelos 80 anos de vida dedicados à indústria de transporte, Prêmio “Pioneiros do Transporte” da Revista Transporte Moderno, Prêmio “Personalidade do Ano” da Revista Autodata, Prêmio “Personalidade Amucser”, da Associação dos Municípios dos Campos de Cima da Serra, homenagens em Vicenza e Cornedo Vicentino, Itália, cidade de seus antepassados, da Associação de Artesãos, Câmara de Comércio, Indústria, Artesanato e Agricultura, Associação Industrial de Vicenza, Confidustria-Confederação das Indústrias, recebeu a chave da cidade de Cornedo, além de mais de 15 homenagens de influentes órgãos de imprensa como a tradicional e extinta Gazeta Mercantil, e outras outorgadas por entidades governamentais e particulares, nacionais e estrangeiras.

Em 2017, recebeu na Itália o título de Doutor da Universidade de Pádua, uma laurea – Doutor Honorem em Ingegneria Gestionale – atribuída ao primeiro empreendedor brasileiro pela sua dedicação no âmbito social. Ao longo de sua história, a Universidade apontou apenas outro brasileiro, o escritor Jorge Amado, em 1996. E nas últimas edições laureou o diretor de cinema Steven Spielberg e Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz. Também em 2017 teve a história de sua vida compartilhada no documentário Viver e Acreditar, exibido para funcionários e convidados em cinemas em Caxias e Porto Alegre e que foi mostrado também em Vacaria, em São Paulo, durante a Fenatran, e na Itália. A história inicia por sua infância em Tangará (SC) e chega aos tempos atuais, através de depoimentos de sua esposa, dos cinco filhos, do 1º funcionário, do 1º cliente e de outras pessoas que acompanharam sua trajetória de sucesso.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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