Além do cuidado com o manuseio da carga, que não pode molhar, a distribuição de papel exige do transportador profundo conhecimento logístico e apurado controle de informações, para fidelizar clientes.
Com produção e demandas estáveis em tempos de economia enxuta, fabricantes de papel e celulose convivem com a forte competitividade do setor aplicando rigorosas soluções logísticas para a distribuição da carga. Exigem, portanto, uma parceria de transporte essencialmente técnica e estruturada, que seja maleável no atendimento, mesmo em operações não dedicadas.
Na Cromus Embalagens, a meta é encantar o cliente, diz Marco Antonio Salgueiro, gerente de logística da empresa. “A programação de logística tem que entregar no prazo, sem avarias e amassados. Nossa produção está concentrada em embalagens para presente, embalagens para festas, itens decorativos de Natal e de Páscoa e o nosso objetivo é sempre trazer novidades para a melhor solução do negócio dos clientes”, descreve.
As demandas da empresa tem apresentado crescimento entre 10% e 15%, nos últimos anos. “Prevemos encerrar 2013 com crescimento no mesmo patamar”, adianta Salgueiro.
A produção anual beira as 6,9 mil toneladas de produtos, perto de 23 toneladas diárias, calcula o executivo.
Toda a produção se desloca em direção a dois Centros de Distribuição da Cromus localizados em Mauá, na Grande São Paulo, com 3.500 m2 e 5.300 posições-palete, e no bairro do Ipiranga, na capital paulista, com 8.000 m2 e 4.800 posições-palete. Para as entregas na Grande São Paulo, que respondem por 30% das expedições de carga, a empresa mantém frota própria de 11 veículos, entre caminhões truck e toco, vans e VUCs. A idade média desses veículos não ultrapassa os três anos. Além da frota própria, que roda diariamente, a Cromus também contrata quatro transportadoras que realizam coletas diárias, com destinos para diversas localidades do país. “O volume de coletas aumenta em períodos de pico, como este entre setembro e dezembro, que costuma registrar o dobro das operações”, relata o executivo. O atual custo do transporte representa 3% do faturamento bruto da Cromus.
Salgueiro aponta a fragilidade do papelão como ponto fraco nas operações de transporte. “Nossa preocupação é com que a carga chegue em perfeitas condições ao destino, sem quaisquer amassos ou danos”, diz, estimando em menos de 0,15% o índice de avarias. “Por essa razão, a escolha dessas empresas é criteriosa: pesquisamos não apenas preço, mas as acomodações nos CDs das transportadoras e as referências dos serviços prestados”, e principalmente atendimento ao prazo de entrega, destaca. O departamento de logística e expedição da Cromus opera com 117 funcionários, entre operadores, estoquistas, separadores e líderes e supervisores, que trabalham intermitentemente, em três turnos diários, para atender uma gama de mais de 10 mil clientes no país – mais de 30 grandes redes com varias filiais com contrato de entregas agendadas.
Marjorie Dubin, compradora de serviços logísticos para a MWV Rigesa, explica que as operações da MWV (MeadWestvaco Corporation), presente no Brasil desde 1942, envolvem uma fábrica de papel, quatro de embalagens de papelão ondulado (localizadas em Araçatuba, SP, Blumenau, SC, Pacajus, CE, e Valinhos, SP) e o gerenciamento de 54 mil hectares de floresta de pinus e eucalipto, incluindo 21 mil de preservação da mata nativa.
Todas as operações de transporte, entre a unidade florestal e as plantas e entre as fábricas e os Centros de Distribuição, denominados de “Caixa Pronta”, são realizadas por transporte contratado. A executiva conta que a planta de embalagens de Valinhos, por exemplo, “trabalha com frota dedicada entre a fábrica e a unidade ‘Caixa Pronta’ de Barueri (SP)”, acrescentando que a contratação de frotas com esse perfil depende das demandas do mercado.
A MWV Rigesa tem uma preocupação iminente com as transportadoras que movimentam suas cargas. “Verificamos detalhadamente se essas empresas têm porte adequado para o tipo de carga, sua saúde financeira e se têm base de apoio próxima e idade dos caminhões menor que dez anos», enumera.
“As unidades MWV Rigesa são posicionadas em localizações estratégicas com a finalidade de atender aos clientes em todo o território nacional com agilidade e competitividade”, ressalta Marjorie.
PAPEL PRINCIPAL
Na Santher – Fábrica de Papel Santa Therezinha, 75% dos negócios estão concentrados na planta de Bragança Paulista, em São Paulo, que é uma das 15 maiores fábricas de papel da América Latina. A fabricante possui ainda três outras fábricas – em São Paulo (SP), Governador Valadares (MG) e em Guaíba (RS). “Compramos celulose e convertemos em papel”, explica Rodrigo Ávila, supervisor de logística da empresa. O volume de papel produzido nas quatro unidades é de aproximadamente 200 mil toneladas/ano, sendo 155 mil toneladas de papéis descartáveis e 45.000 toneladas de papel para uso industrial.
Ávila comenta que as linhas de papel Tissue (guardanapo, toalha e higiênico) para o mercado se concentram nas plantas de Bragança e Governador Valadares, enquanto a produção da linha especial, de bobinas de papel, é exclusiva das unidades de São Paulo e Guaíba. Para conduzir estrategicamente as cargas para clientes de todo o Brasil, a Santher trabalha com três Centros de Distribuição, em Arujá (SP), com 29.000 m2, em Alhandra (PB), com 5.000 m2, e em Nova Santa Rita (RS), com 4.500 m2. A partir dos CDs, a carga segue para o destino final via transporte rodoviário ou cabotagem. “Nossa frota de caminhões é totalmente terceirizada. Mantemos apenas 24 carretas tipo baú operando em sistema dedicado de abastecimento contínuo, entre a planta de Bragança e o CD de Arujá. Neste roteiro, que é permanente (24 horas/dia) são realizadas 40 viagens diárias”, explica. O supervisor detalha que o diferencial destas carretas está no chassi especial, que tem comprimento do eixo superior ao padrão e permite transportar até 24 paletes convencionais (a versão padrão só comporta 18 paletes).
Segundo Ávila, os contratos de transporte oscilam de acordo com os volumes de carga a movimentar. “No total, saem diariamente da planta de Bragança 70 caminhões, para todos destinos nacionais”, revela.
Nas operações de transporte da fabricante Bignardi Indústria e Comércio, o percurso é a etapa mais delicada e mais preocupante, diz Benigno Tadeu Viana da Silva, supervisor de logística da empresa. “O embarque da carga é seguro, porque dispomos de equipamentos adequados e pessoal treinado. Chegando ao destino, a mercadoria encontra um cliente preparado para a recepção conveniente. Já o trajeto conta com intempéries, como a chuva, que eventualmente pode molhar a carga”, relata, enfatizando que há anos o índice de avarias da Bignardi é insignificante. Instalada em Jundiaí (SP), a fábrica produz papel A4, materiais gráficos, resmas e bobinas de papel. A produção anual é acomodada no Centro de Distribuição da própria fábrica, de 8.000 m2, com posições verticalizadas. “A capacidade de acomodação é de 9.000 toneladas”, especifica Tadeu Silva.
O destino da carga se concentra principalmente em grandes distribuidores de papel e transformadores de papel gráfico. Para efetuar o transporte, a Bignardi mantém um fluxo de retirada de 250 caminhões por mês, todos de transportadoras terceirizadas. “São profissionais homologados, com cadastro oficial e seguro”, explica. A maioria desses caminhões são carretas tipo sider, com capacidade para 25 toneladas. “Também usamos, quando necessário, caminhões truck e toco”, diz o executivo.
Para o dirigente, que está há 14 anos na empresa, o perfil da logística de distribuição de papel no país mudou muito nos últimos anos. “Hoje, a pontualidade pesa mais do que a qualidade do serviço de transporte, porque o comprador de papel não forma mais grandes volumes de estoque. Portanto, é preciso que a mercadoria chegue na hora certa. Para isso, os processos de envio passaram por uma série de melhorias. A própria infraestrutura de expedição, com docas mais inteligentes, melhorou o processo de distribuição por inteiro”, relata o executivo. Todo o processo de controle e expedição da Bignardi é realizado por uma equipe de 21 profissionais de logística. O custo do transporte representa 3,5% do faturamento bruto da empresa, que em 2012 foi de R$ 408 milhões.
O Estado de São Paulo concentra o maior volume das entregas – cerca de 70% das viagens – enquanto as demais 30% seguem para o Nordeste, via cabotagem, para a região Sul e para outras localidades do país. “Com a International Paper, detentora da marca Chamex, a Bignardi mantém um acordo de produção do papel A4 Eco, bobinas e resmas. A operação envolve uma frota dedicada de sete carretas diárias, da Transportadora Lotrans, contratada pela multinacional, que executa o percurso entre Mogi das Cruzes (carga de celulose) e nossa planta em Jundiaí. Produzimos para eles cerca de 1,2 mil toneladas de papel por mês, sendo 600 mil toneladas apenas da versão ecológica do papel A4”, finaliza o executivo.
Mercado Moron
Em 2012, a produção de celulose e papel no país praticamente se manteve estável em relação ao ano anterior. De acordo com dados do site da Associação Brasileira de Celulose e Papel – Bracelpa, os fabricantes do setor demandaram 13,9 milhões de toneladas de celulose – 0,2% a menos que o volume do ano anterior, de 13,8 milhões de toneladas – para produzir 10,1 milhões de toneladas de papel, volume idêntico ao fabricado em 2011. Para 2013, a expectativa geral do setor não se altera: executivos apostam nesse mesmo patamar de produção, salvo raras exceções que prevêm crescimento superior a dois dígitos.








