IA na logística: Ghat GPT pode aumentar produtividade em 14%

28/09/2023

Sem dúvida, a inteligência artificial captou a atenção de todos este ano e poderá ter um maior impacto financeiro na economia global. Segundo um estudo da Goldman Sachs Economics Research, realizado em 2023, a tecnologia pode alcançar a receita de US$ 200 bilhões globalmente até 2025, com a previsão de utilizar a quantia em novas adoções da IA em todas as vertentes da indústria. 

Embora a IA ainda esteja em estágio inicial, estamos claramente em um ponto de virada. Outro levantamento, encomendado pela Universidade de Stanford em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), revela que a aplicação de sistemas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, pode aumentar em até 14% a produtividade dos trabalhadores. 

Ainda de acordo com o estudo, o impacto na produtividade é maior para funcionários menos habituados com essa tecnologia. Para esses, o resultado foi a execução de suas tarefas 35% mais rápido do que aqueles colaboradores mais acostumados a usar IA no dia a dia. 

“A evolução da IA generativa está em pleno crescimento e aquelas empresas que não se adaptam em tempo, serão superadas pela concorrência facilmente”, disse Waldir Bertolino, Country Manager da Infor no Brasil. 

IA e o empurrão que a logística precisa

No Brasil, com o boom do e-commerce e o surgimento de diversas plataformas de last-mile (ou última milha da logística) nos últimos anos, usadas para atender as expectativas de consumidores, um dos setores que pode se beneficiar do potencial da Inteligência Artificial é a logística. “Um das vantagens de usar IA no setor é a automação do processo de dock scheduling (agendamento de carga e descarga), o tornando mais produtivo e inteligente por meio de robôs autônomos, responsáveis por  agendar e garantir agilidade nos processos de recebimento e expedição. Além disso, a IA otimiza as tarefas de movimentação e classificação de pacotes, coleta e embalagem de pedidos, realocação de paletes dentro dos armazéns, tudo isso por meio de veículos guiados autônomos (AGVs)”, afirma o executivo. 

Grandes empresas do mundo estão usando IA para operar em cadeias de suprimentos cada vez mais complexas, com objetivo de melhorar a comunicação com o ecossistema de parceiros e, principalmente, automatizar todo o processo da gestão do supply chain. Em um país de dimensões continentais, os gestores logísticos precisam de uma solução que ofereça informações real time dos seus fornecedores e clientes, para evitar interrupções nas cadeias de suprimentos. E a IA generativa cumpre muito bem esse papel”, diz Bertolino.     

Desafios e oportunidades

Uma mercadoria parte de um centro de distribuição e chega ao destino final no dia seguinte. Poucos sabem, mas para garantir o sucesso dessa engrenagem, milhares de processos precisam ser realizados, e em muitos casos, ainda de forma manual. 

“A logística no Brasil enfrenta muitos desafios estruturantes, como alto custo com transporte, modal quase que restrito à rodovias e a falta de controle de estoques. Porém, é importante considerar que a manualidade dos processos é outro fator que impacta na eficiência das operações logísticas, e, consequentemente, nos negócios das empresas”, comenta o executivo.  

Embora enfrente enormes gargalos, o setor logístico brasileiro ainda tem muito espaço para crescer. Segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a estimativa é que o segmento vai investir R$ 124,3 bilhões em transporte e logística até 2026. Esses números reforçam a importância do setor para a economia brasileira e o investimento em novas tecnologias, como a IA generativa, se torna obrigatória para garantir maior eficiência operacional.

Para o Country Manager, a IA será uma aliada dos gestores logísticos para ajudá-los na tomada de decisão, além de melhorar a qualidade da gestão dos estoques. “Com a IA, é possível, por exemplo, ler tendências recorrentes (picos de demandas) e sinais de desaceleração de pedidos. Isso ajuda os gestores a identificar os itens mais solicitados e assim reduzir os prazos de entrega, evitando o excesso de estoque”, explica. 

A análise dos dados históricos de vendas por família de produtos também oferece ganhos de provisionamentos, melhorando a disposição física dos estoques. “Essa capacidade de resposta ágil é crucial para fortalecer as parcerias com os players de supply chain e melhorar o atendimento aos clientes. Além disso, a IA permite otimizar a rota de transportes, organizar de forma inteligente o picking, e até auxiliar na gestão de recursos humanos, entre outros benefícios”, acrescenta.  

A Infor, empresa que oferece softwares empresariais específicos por indústria, preparou suas soluções para a integração com inteligência artificial. Especificamente no mercado da logística e distribuição, o Infor WMS (software de gestão de armazéns), permite agregar uma camada de IA que analisa os dados da própria operação, para identificar pontos de melhoria. Ela é extremamente eficiente para operadores logísticos sem perfil técnico, porque permite interação através de chat e voz em linguagem natural.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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