Higienização é indispensável no setor farmacêutico

21/07/2009

Tudo que envolve produtos ingeríveis está relacionado à saúde, então, quando do transporte e armazenagem deste tipo de carga, os cuidados com limpeza devem ser prioridade, por isso é necessário seguir as normas que regulamentam a atividade.

A regulamentação sanitária que estabelece os critérios para armazenagem de produtos farmacêuticos para a saúde afirma que os equipamentos utilizados para a guarda destes produtos devem estar em boas condições de limpeza e conservação. Assim, os paletes utilizados nos Centros de Distribuição devem atender a estes requisitos sanitários. "De um modo geral, devem ser de material liso, impermeável e de fácil limpeza", explica Saulo de Carvalho Jr., presidente da Anfarlog – Associação Nacional dos Farmacêuticos Atuantes em Logística (Fone: 17 3227.7527).

Os paletes utilizados no segmento podem ser feitos de diversos tipos de materiais, como plástico, metal e madeira, sendo que este último necessita de tratamento e impermeabilização para não contaminar a carga no caso de pragas que venham alojar-se no material. "Não existe lei no Brasil e no mundo que proíba o uso do palete de madeira. O usuário deve ficar atento à qualidade dos paletes e exigir do fornecedor os tratamentos indicados para cada operação", frisa Marcelo Canozo, presidente da Abrapal – Associação Brasileira dos Fabricantes de Paletes (Fone: 11 3255.8566) e diretor da Fort Paletes (Fone: 15 3532.4754).

No caso de exportações que utilizam os paletes de madeira, devem ser atendidas as exigências da Norma Internacional de Medida Fitossanitária (NIMF) nº 15, ou ISPM 15, editada pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), das Nações Unidas, que trata especificamente do tratamento fitossanitário. Canozo lembra que dependendo do segmento, é importante o controle e tratamento com certa frequência.

Ainda sobre regulamentação, também é preciso atentar-se às Normas Técnicas da ABNT, como a 5426, sobre planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos, onde ensaios não-destrutivos e ensaios destrutivos são realizados. Nos ensaios destrutivos, os mais utilizados são: NBR 6737 – Determinação da resistência à compressão da coluna; e NBR 6735 – Determinação da resistência ao arrebentamento.

As embalagens devem ser adequadas no sentido de permitir a movimentação (palete), o transporte e a armazenagem, assegurando as suas qualidades iniciais até o usuário final, cumprindo as suas funções: mercadológica (a forma pela qual ela se identifica atrai o consumidor e vende o produto); econômica (o projeto de uma embalagem visa a uma aplicação correta de materiais, modelo e fluxo de produção); protetiva (mecânica: contra choques, vibrações, empilhamento e transporte, e físico-química: contra baixas temperaturas e umidade).

Outro órgão significativo é a Anvisa, que determina que as embalagens devem proteger o seu conteúdo e que os paletes para manuseio/transporte e estocagem sejam fabricados em material inerte, que não absorva água.

Carvalho Jr., da Anfarlog, expõe que os principais problemas logísticos causados por embalagens não adequadas ao setor são avarias, deformidades, perda do produto e contaminação dele. "As embalagens afetam diretamente a qualidade do produto, impactando nos custos logísticos, pois irá causar um prejuízo para a empresa", diz.
Estes problemas podem ser resolvidos, na opinião do profissional, obedecendo às regras de empilhamento e acondicionamento máximos e também às boas praticas de armazenagem, distribuição e transporte que visam a manter a integridade do produto farmacêutico. Ele sugere, ainda, o desenvolvimento de embalagens mais resistentes.

Fornecedores
A Inex Pack (Fone: 43 3028.0660) fornece embalagens para o segmento alimentício e agora está entrando no mercado farmacêutico com as Bag-In-Box de 5, 10, 20, 40, 200 e 1.000 litros, descartáveis e retornáveis, de acordo com o tipo de caixa que acomoda as bags, explica Fernando Cardoso, do departamento de desenvolvimento Mercado&Produto da empresa.

Para o transporte de produtos farmacêuticos, a Irmec (Fone: 11 4828.4588) fabrica paletes metálicos retornáveis em aço carbono, alumínio e inox, sendo estes dois últimos passíveis de descontaminação, como destaca Raul Vallespin, engenheiro de projetos da empresa.

Ao setor farmacêutico, a José Braulio (Fone: 11 3229.4246) oferece paletes de madeira, de polietileno de alta densidade e de aço, que podem ser retornáveis ou não, dependendo da logística de cada cliente. "Investimos em moldes de injeção específicos e temos três produtos de polietileno de alta densidade injetados, ideais para a indústria farmacêutica", diz Jose Ricardo Braulio, coordenador da empresa.

A Marfinite Produtos Sintéticos (Fone: 11 4646.8500) desenvolveu oito modelos de caixas plásticas lacráveis e retornáveis que servem para entrega dos produtos farmacêuticos do distribuidor às farmácias. Para garantir a inviolabilidade das caixas, a Marfinite acoplou um lacre que só é destruído pelas farmácias que recebem os produtos, conta Vital Raiola, diretor conselheiro da empresa.

A KBK Plásticos (Fone: 51 3499.1849) é especializada na produção de paletes plásticos para o transporte de cargas, tanto para logística do mercado interno quanto para exportação. Elas podem ser retornáveis ou one way. Amaro Luiz Cassepp de Carvalho, sócio-diretor da empresa, conta que os paletes são laváveis, atóxicos e livres de predadores. "Como também duráveis e recicláveis, pois são fabricados em polipropileno e polietileno de alta densidade". Ele garante que por serem pré-montados, facilitam a manutenção, pois é só trocar o perfil danificado no caso de avarias no manejo ou sobrecarga. A empresa desenvolve, ainda, projetos específicos no que diz respeito a medidas, vedações e pesos especiais, entre outros.

A Pallet do Brasil (Fone: 11 4581.9288) fabrica paletes e embalagens diversas em madeira reflorestada para logística interna e externa de empresas farmacêuticas, entre outros segmentos, que variam em tamanho e modelo. A companhia também distribui paletes plásticos que atendem às normas fitossanitárias, tendo em sua composição uma combinação de resina reciclada e virgem, além de fabricar caixas sob encomenda.

"No conceito retornável, todo nosso cliente é orientado no quesito logística reversa, processo que propicia um melhor aproveitamento no setor de logística no que se refere a custo de embalagens e paletes por operação, mantendo o foco principal, que é reciclagem de produtos duráveis, criando cada vez menos impacto ambiental com o corte de madeira, entre outros", explica Jeferson Fernandes Mosquéra, gerente da empresa.
 
A Transpal Pallet (Fone: 11 4591.0310) produz dois modelos de paletes de plástico que servem a diversas aplicações, como ao transporte de embalagens de medicamentos. "Por se tratar de produto fabricado com material plástico e inerte, se torna ideal para esta aplicação", salienta João Villadangos, diretor da empresa.  
Como clientes da empresa, Villadangos cita os ambulatórios e hospitais da Marinha do Brasil, que utilizam os paletes de plástico da Transpal em substituição aos de madeira no combate à dengue no Estado do Rio de Janeiro.

O sistema de paletização minimiza os danos na embalagem por manuseio inadequado, permitindo que as embalagens originais dos medicamentos sejam preservadas em toda a cadeia de distribuição. "O desenvolvimento de um palete de plástico de engenharia permitiu maior rapidez no manuseio/segurança e proteção das embalagens, invariavelmente de papelão ou cartonagem, dos medicamentos, preservando, assim, sua integridade", expõe Villadangos.

Para o setor farmacêutico, a Slotter (Fone: 11 4791.2020) produz embalagens desde a linha normal, denominada ABNT 0201, até os modelos de linha corte-e-vinco, como ABNT 0201 para a linha automática do cliente; a ABNT 0713, com detalhes, como prolongamentos da aba interna do fundo para evitar violação; e ABNT 0427 com ou sem acessórios; não são retornáveis.

Ronildo Peroti, gerente de desenvolvimento de produtos da empresa, conta que a Slotter já desenvolveu uma embalagem especial e diferenciada para cliente da área farmacêutica, a chamada linha automática.

O profissional explica que este determinado cliente havia comprado, na Itália, um complemento de sua máquina envasadora para embalar os cartuchos automaticamente, agilizando a sua linha de produção. O detalhe, nesse processo, foi que a máquina ainda não tinha chegado ao Brasil e não havia desenho da embalagem. Apenas no Rio de Janeiro havia uma máquina semelhante. "Fomos ao Rio, vimos a máquina, cujo conceito era o mesmo, e definimos uma caixa normal 0201 com detalhes. Preparamos 40 amostras para testes quando a máquina chegasse, e aprovamos", conta Peroti.

Validade da caixa de papelão
Qual a validade de uma embalagem de papelão ondulado? Peroti, da Slotter, explica que como o envasamento dos remédios é feito nas condições ideais de vida da embalagem de papelão ondulado, 20 ºC e 50% de UR, a empresa deixa a critério da farmacêutica a definição da data em função da validade de seu produto, e o estabelecido foi dois anos. "Tivemos a oportunidade de testar essa proposição quando, em um dos casos, a compra da embalagem feita fora maior do que a necessária e venceria o prazo de saldo das embalagens em um mês. Trouxemos algumas embalagens para testes e o resultado fora igualzinho ao realizado dois anos antes", explica.

Divisão do Grupo Jacto, a Unipac (Fone: 11 4166.4260) dispõe para movimentação de produtos farmacêuticos a Linha Flipak, que é oriunda do acordo firmado com a empresa americana ORBIS Corporation (uma subsidiária da Menasha Corporation). Esta linha é formada por colapsíveis e com tampas encaixadas dentro do perímetro do contêiner, para proteção contra quebra da mesma quando conduzida ou transportada. O modelo FP03 permite empilhar 16 unidades em um palete de 48’’x40’’; já a versão FP075 possibilita o empilhamento de oito caixas no mesmo palete. Os modelos FP06 e FP145, segundo a empresa, proporcionam carga estável e segura em reboques largos. As laterais possuem 110 polegadas de largura, e a superfície do fundo é granulada, para oferecer melhor tração no transporte integrado com equipamentos para manejo automatizado e todos os tipos de transportadores. Também possuem variadas opções de acessórios para identificação.

Vailton Carlos Bonfim, gerente comercial da divisão de logística da empresa, conta que a Unipac desenvolveu uma caixa Flipak para atender à empresa Dimper – que a utilizou por alguns anos. "Na época, substituímos as caixas de papelão por caixas plásticas, dentro do processo de locação, e isto trouxe a este cliente os seguintes benefícios: redução de custo das embalagens; redução das perdas por violação; aumento da segurança sobre os medicamentos; e melhoria do processo logístico; entre outros", diz.

Pontos críticos
Os entrevistados para esta matéria listaram os problemas mais comuns com relação às embalagens para transporte de produtos farmacêuticos. São eles:

 – contaminação;
 – preço um pouco mais alto dos paletes de plástico, devido ao processo de fabricação e matéria-prima;
 – inviolabilidade das caixas;
 – acúmulo de sujeiras, poeira, ferrugem, proliferação de pragas, de fungos e bactérias;
 – padronização do material exigido;
 – manter todos os lotes idênticos, pois adequar fornecedor de matéria-prima e treinar mão-de-obra específica para tal segmento não é um processo rápido;
 – danos na embalagem por manuseio inadequado;
 – higienização das embalagens.

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