Hapag-Lloyd dobra resultado operacional nos nove primeiros meses do ano

09/12/2019

Nos primeiros nove meses de 2019, os ganhos da Hapag-Lloyd, antes dos juros e impostos (EBIT), aumentaram significativamente para 643 milhões de euros (nos primeiros nove meses do ano de 2018: 299 milhões de euros). O resultado líquido do grupo cresceu substancialmente para 297 milhões de euros (nos primeiros nove meses de 2018: 13 milhões de euros). Os ganhos antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) superou 1,5 bilhão de euros (nos primeiros nove meses de 2018: 812 milhões de euros). O aumento do EBITDA de 699 milhões de euros, inclui um efeito positivo de aproximadamente 341 milhões de euros, causado pelas novas normas do relatório IFRS 16.

Nos primeiros nove meses do ano, as receitas aumentaram para aproximadamente 9.5 bilhões de euros (nos primeiros nove meses de 2018: 8,5 bilhões). O volume transportado subiu 1,2% para 9,011 TTEU (nos primeiros nove meses de 2018: 8,900 TTEU), e a taxa média de frete subiu 4,2% para 1,075 USD/TEU (nos primeiros nove meses de 2018: 1,032 USD/TEU). As despesas de transporte aumentaram 3,5%, em especial devido a um preço médio de consumo de bunkers ligeiramente superior de USD 425 por tonelada (nos primeiros nove meses de 2018: USD 406 por tonelada) e uma taxa de câmbio média do dólar mais forte em relação ao euro.

“Nós atingimos um resultado respeitável aos nove meses, apesar das tensões geopolíticas e das restrições de mercado. Fomos beneficiados por volumes maiores de carga transportada e melhores taxas de frete, além de termos ficado de olho nos nossos custos. E o mesmo se aplica ao nosso objetivo estratégico de nos tornar o número um em qualidade”, disse Rolf Habben Jansen, CEO da Hapag-Lloyd.

Para o ano financeiro completo de 2019, a Hapag-Lloyd espera um EBITDA entre 1,6 e 2 bilhões de euros e um EBIT variando entre 0,5 e 0,9 bilhões de euros. Com base no desenvolvimento dos negócios nos primeiros nove meses do ano, pode-se supor que o EBITDA e o EBIT estarão na parte superior dos intervalos guiados.

Isso inclui um efeito de lucro atualmente esperado da aplicação pela primeira vez das normas contábeis IFRS 16 no EBITDA de 370 a 470 milhões de euros e no EBIT de 10 a 50 milhões de euros. Também espera-se que os efeitos da aplicação pela primeira vez da IFRS 16 estejam na parte superior das faixas guiadas.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

Nada encontrado