França aprova fusão entre fabricante de trens Alstom e alemã Siemens

28/09/2017

O governo francês aprovou os planos de fusão entre a Alstom, fabricante francesa de trens de alta velocidade, e a divisão ferroviária da Siemens, em um acordo que daria o controle de metade da companhia a ser criada ao grupo industrial alemão, de acordo com pessoas diretamente envolvidas nas negociações.

A transação sinalizaria uma mudança na política de intervenção industrial da França, sob o presidente Emmanuel Macron, que defende a criação de grandes líderes setoriais europeus mesmo que isso signifique vender ativos industriais no passado considerados estratégicos.

Como parte da transação, o Estado francês não exerceria a opção de adquirir os 20% de participação na Alstom que o grupo francês de construção Bouygues concedeu a ele em 2014. Arnaud Montebourg, então ministro da Economia, negociou a opção em um esforço para demonstrar que o Estado ainda detinha controle sobre a fabricante dos trens de alta velocidade TGV, a despeito da venda da divisão de turbinas da Alstom à General Electric.

A Siemens deve ficar com cerca de 50% das ações da Alstom, depois de um aumento de capital. A entidade criada pela fusão geraria receitas anuais combinadas de € 16 bilhões (quase R$ 60 bilhões).

O acordo criaria um baluarte contra a expansão da companhia ferroviária chinesa CRRC, que segundo os analistas é capaz de investir sete vezes mais que a Alstom em pesquisa e desenvolvimento. “Depois da criação da gigante ferroviária chinesa CRRC, em 2015, a Siemens vinha falando de forma cada vez mais veemente sobre a necessidade de consolidação no mercado europeu de equipamento ferroviário”, disse James Stettler, do banco Barclays.

Alstom, Siemens e o governo francês se recusaram a comentar.

Paris vinha conduzindo as discussões desde que Henri Poupart-Lafarge, presidente-executivo da Alstom, alertou o governo francês de que pretendia iniciar negociações de fusão com a Siemens, cerca de um mês atrás.

A decisão de Poupart-Lafarge gerou discussões entre a Siemens e o grupo canadense Bombardier que ameaçavam deixar a Alstom em posição ainda mais fraca na concorrência com os rivais asiáticos de maior porte.

As fontes envolvidas nas negociações destacaram que Paris trabalhou com o governo alemão para obter garantias de que algumas fábricas não sejam fechadas, ao menos pelos próximos quatro anos.

Poupart-Lafarge comandará a empresa criada pela fusão, que continuará a ter suas ações cotadas em Paris.

As decisões estratégicas de negócios requereriam aprovação por maioria qualificada dos conselheiros da empresa, de acordo com uma pessoa informada sobre o assunto. O governo francês não deteria participação acionária mas exerceria alguma influência porque a operadora estatal de ferrovias francesa SNCF continuaria a ser um dos maiores clientes da Alstom.

Fonte: Folha de S. Paulo

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Galpões logísticos ganham espaço nos FIIs e PZ Empreendimentos desenvolve condomínio AAA em Sinop, MT
Galpões logísticos ganham espaço nos FIIs e PZ Empreendimentos desenvolve condomínio AAA em Sinop, MT
DHL Express amplia expansão logística no Brasil com nova unidade de atendimento em São Paulo, SP
DHL Express amplia expansão logística no Brasil com nova unidade de atendimento em São Paulo, SP
Dia do Caminhoneiro destaca papel do transporte rodoviário no desenvolvimento logístico de São Paulo
Dia do Caminhoneiro destaca papel do transporte rodoviário no desenvolvimento logístico de São Paulo
Balsas SW da Combitrans reforçam previsibilidade logística no agronegócio da Amazônia e reduzem gargalos no abastecimento
Balsas SW da Combitrans reforçam previsibilidade logística no agronegócio da Amazônia
Frota elétrica da FedEx no Brasil cresce com 17 veículos e reforça logística sustentável
Frota elétrica da FedEx no Brasil cresce com 17 veículos e reforça logística sustentável
Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 
Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 

As mais lidas

01

Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG
Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG

02

SWOT Global alerta que concessões rodoviárias no Brasil podem ampliar riscos de desequilíbrio contratual
SWOT Global alerta que concessões rodoviárias no Brasil podem ampliar riscos de desequilíbrio contratual

03

Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 
Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel