Ferrovia no Nordeste continua incompleta após 10 anos de obras

11/08/2016

Em Missão Velha (CE), trilhos empilhados enferrujam com a ação do tempo. Em Salgueiro (PE), onde seria instalada a maior fábrica de dormentes da América Latina, máquinas estão paradas.

Principal obra de infraestrutura em andamento no Nordeste, a ferrovia Transnordestina completa dez anos desde o início da sua construção com 53% da obra concluída e R$ 6,3 bilhões gastos em recursos federais.

Com previsão de 1.753 quilômetros de extensão, a ferrovia foi projetada para ligar o cerrado do Piauí aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), passando por regiões do sertão cearense e pernambucano.

A obra foi lançada em julho de 2006 pelo então presidente Lula (PT), poucos meses do início da campanha eleitoral que resultou na sua reeleição, com a promessa de ser entregue três anos depois.

Contudo, a construção chegou ao pico só em 2010, ano da primeira eleição da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), e desde então vem caminhando em ritmo lento.

Ao todo, foram assentados apenas 600 quilômetros de trilhos, segundo a concessionária Transnordestina Logística, empresa da CSN (Companha Siderúrgica Nacional) responsável pela obra.

Os trechos finalizados estão no entorno de Salgueiro (PE), mas não há trens operando em nenhum dos eixos.

Prefeito da cidade, Marcones Libório de Sá lamenta o atraso: “A Transnordestina veio com a promessa de transformar a economia de toda uma região, mas frustrou a esperança da população”.

A desmobilização dos canteiros trouxe como principal impacto o desemprego e a queda na venda do comércio.

A ferrovia é considerada uma das obras mais importantes para o Nordeste por ligar a nova fronteira agropecuária, que engloba áreas de cerrado de Piauí, Maranhão, Bahia e Tocantins, aos maiores portos da região.

Esse corredor logístico reduziria em até 75% o custo do frete para o transporte das safras de soja, milho e algodão.

Além do agronegócio, a ferrovia também atenderia empresas de mineração.

Presidente da Aprosoja (associação de produtores) no Piauí, Moisés Barjud vê a obra como reflexo da ineficiência, além de refletir um hábito do setor público de iniciar grandes obras e não terminá-las.

“Essa é uma obra de impacto econômico e social fortíssimo. Não adianta ter uma boa expectativa se a obra não termina. É preciso concluir.”

O custo total da Transnordestina também cresceu ao longo dos últimos de anos. A ferrovia foi estimada em R$ 4,5 bilhões, mas o cronograma atual prevê investimentos de ate R$ 8,2 bilhões.

Em comunicado divulgado nesta sexta (5), a concessionária afirma que investirá mais R$ 3,6 bilhões com recursos captados em contratos de uso da malha da ferrovia.

A empresa informa que o adiamento do cronograma das obras é resultado de “atraso na liberação de recursos pelos órgãos federais”.

Segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), os atrasos são resultado da complexidade da obra, que teve entraves em questões como desapropriações e financiamentos.

Fonte: Folha de S. Paulo

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