Emergent Cold LatAm capta US$ 500 milhões para investir em logística refrigerada na América Latina

06/12/2023

Considerada a principal fornecedora de soluções de armazenamento e transporte refrigerado de alimentos da América Latina, a Emergent Cold LatAm acaba de concluir o levantamento de US$ 500 milhões para reforçar o seu plano de expansão e consolidação na região.

A empresa captou o dobro do capital previsto inicialmente para esta terceira rodada de investimentos, que foi assessorada pelo J.P. Morgan. 

Esse valor complementa os US$ 450 milhões injetados em 2021 e os US$ 250 milhões em 2022, totalizando pelo menos US$ 1,2 bilhão destinados à modernização da cadeia de frio latino-americana. É o maior investimento anunciado na região nos últimos anos por uma empresa do setor, assegura Neal Rider, CEO da Emergent Cold LatAm.

Ainda segundo ele, parte dos recursos vem sendo aplicada na aquisição e na construção de novos armazéns. Em complemento à estratégia de crescimento das operações, a empresa também está investindo em tecnologias capazes de contribuir com o ganho de produtividade, redução de custos operacionais e melhora das margens.  

“Continuamos olhando atentamente as oportunidades de aquisição ou expansão na América Latina, porém, passamos a colocar a mesma energia e recursos na integração e transformação das nossas operações, garantindo melhores resultados e aumento do valor agregado entregue aos nossos clientes”, diz Rider. 

No total, são mais de 70 armazéns em operação em 11 países da América Latina e investimentos em três novas construções no Chile, México e Peru, além da ampliação de seis outros armazéns no Brasil, Chile, México, Panamá e Uruguai. Quando as obras forem concluídas, serão adicionadas quase 170 mil novas posições-paletes à capacidade da Emergent Cold LatAm. Desde agosto de 2021, foram concluídas 18 aquisições e 2 construções.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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