Como a tecnologia pode reduzir custos e aumentar a segurança das frotas

19/09/2022

A logística torna-se cada vez mais relevante em um mundo extremamente globalizado. Empresas dos mais diversos portes e segmentos dedicam esforços para otimizar suas operações em toda a cadeia de suprimentos e a gestão de frotas não pode ficar de fora. Neste contexto, os avanços da tecnologia têm contribuído para o progresso do setor.

“As diversas oportunidades e aplicações para IoT, ciência de dados, inteligência artificial, business intelligence e videotelemetria estão auxiliando não só a resolver problemas complexos, mas também causando impactos positivos na sociedade e fazendo com que companhias encontrem vantagens competitivas ao melhorar o desempenho da frota”, aponta Omar Jarouche, CMO da Cobli.

Atuando como uma FleetTech (termo em inglês que funde as palavras “frota” e “tecnologia”), a Cobli está inserida nesse contexto para descomplicar e potencializar a gestão de frotas de seus clientes. Combinando diversas tecnologias, a empresa trabalha com sensores instalados nos veículos que registram localização, trajetos, acelerações, frenagens e outros, enviando os dados para a plataforma que permite administrar, por exemplo, consumo de combustível, manutenções preventivas e até o modo de condução dos motoristas.

Embora não reste dúvidas a respeito da importância das soluções tecnológicas para a logística, os números ainda podem ser melhores. Segundo um estudo da Berg Insight Fleet Management, existem aproximadamente 11 milhões de veículos comerciais no Brasil. Entre eles, a adoção de tecnologias como a telemetria é de apenas 20%, enquanto nos Estados Unidos este número se aproxima dos 60%.

Oportunidades para redução de custos

Uma operação de frotas exige um grande investimento, principalmente no Brasil. As longas distâncias de um país continental aumentam os gastos com combustíveis e infrações de trânsito, além das condições das estradas contribuírem para um maior risco de sinistros e depreciação dos veículos.

Para estes desafios, a boa notícia é que já existem tecnologias específicas que possibilitam identificar melhorias onde antes existiam algumas miopias. Colocar as frotas no mundo online gera milhares de dados para o frotista que, com a aplicação da inteligência artificial, se transformam em informações precisas e relevantes. Dessa forma, é possível encontrar gargalos com gastos desnecessários e oportunidades de melhorias para gerar mais eficiência.

“O uso de dados de soluções de telemetria e videotelemetria, como a Cobli, permite baixar o consumo de combustível, por exemplo, em até 20%”, explica Omar. Manter uma torneira aberta pode custar caro ao bolso do empresário. Segundo um estudo interno da empresa, uma frota de 30 carros populares pode desperdiçar até R$ 106.920,00 por ano por descontrole de consumo de combustível. Ter a visibilidade total da operação também permite que o gestor controle de forma mais precisa as manutenções de cada um dos veículos, evitando custos desnecessários e a probabilidade de falhas futuras.

Rotas mais inteligentes garantem economia

O planejamento das rotas – também chamado de roteirização – mudou muito nos últimos anos. Hoje, por meio de plataformas como a Cobli, é possível traçar a forma ideal de se fazer entregas ou prestar serviços em uma operação de campo, garantindo que o time cumpra o percurso da forma mais eficiente, com menos consumo de combustível e tempo otimizado.

Dessa forma, a tecnologia ajuda os gestores de frota a resolverem problemas do dia a dia ou realizarem tarefas complexas. “Com o painel disponibilizado pela Cobli, por exemplo, tudo vai sendo transformado em informações acionáveis para o gestor. A usabilidade é bastante intuitiva, exatamente para identificar facilmente oportunidades de reduzir custos e potencializar a operação”, comenta Omar.

A economia também é conseguida pela indicação dos postos com preços mais competitivos no trajeto e pela escolha da rota mais livre naquele momento.

Tecnologia para reduzir acidentes

No Brasil, segundo o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), aconteceram 632 mil acidentes e 11 mil mortes no trânsito em 2021. Há diversas razões para cada ano testemunharmos esses resultados, e o comportamento no volante é um deles. Segundo dados do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação, em 2020, 54% dos acidentes foram causados por imprudência dos motoristas, 30% ocorreram por infração das leis de trânsito e 23% indicaram falta de atenção do condutor.

Quando se fala em segurança no trânsito, a tecnologia é uma grande aliada para auxiliar as empresas. Para gerar impacto na redução de acidentes e incidentes podem ser utilizadas soluções tecnológicas orientadas a reduzir comportamentos de risco, algo potencializado ainda mais com as câmeras inteligentes embarcadas, ou seja, a videotelemetria. Os aparelhos mostram tanto a visão da via quanto a da cabine e, assim, ajudam a identificar situações como direção distraída, proximidade insegura ao veículo da frente, curvas perigosas e aceleração ou frenagem brusca, entre outros.
“A videotelemetria é uma tecnologia que evoluiu e está cada vez mais inteligente e acessível, podendo ser implementada em escala e com potencial de fazer um impacto significativo a todos. Observamos casos de redução de até 50% no número de incidentes”, afirma Omar.

Benefícios em prol da segurança

Recentemente, a Cobli lançou uma solução exclusiva de videotelemetria: a Cobli Cam. A tecnologia identifica comportamentos de risco e gera gravações que são enviadas automaticamente a uma plataforma de monitoramento que alerta o gestor sobre infrações ocorridas. Aqui vale destacar o papel fundamental da inteligência artificial para identificar e encaminhar os momentos que ele deve assistir e avaliar, transformando dados brutos em informação útil e relevante. Ao identificar circunstâncias perigosas, o aparelho também emite alertas sonoros na cabine em tempo real, chamando também a atenção do motorista. 

Com essas informações em mãos, é possível criar planos de ação, passar feedbacks para melhorar o desempenho do motorista e conscientizar a equipe com treinamentos mais avançados, importantes para renovação constante que envolve todos os perfis de colaboradores e frotas. Para o motorista, os alertas emitidos na cabine em situações perigosas aumentam a segurança no trajeto e os vídeos são grandes aliados inclusive para exonerar o condutor em infrações nas quais ele não foi o responsável.

Como consequência, a videotelemetria também pode diminuir custos com infrações de trânsito, pois ter a visibilidade de como está a direção do time ajuda o gestor a reverter comportamentos que resultam em mais gastos, como multas causadas pela distração ou má condução do motorista. “A direção imprudente é um risco para toda a sociedade. O uso de tecnologias e dados é o caminho para uma condução mais focada e cuidadosa, e a videotelemetria é a próxima fronteira para a gestão de frotas”, finaliza Omar. Ainda segundo observações de Jarouche, com a Cobli é possível ter um driver score, ou seja, uma funcionalidade simples e útil que coleta informações referentes ao modo de condução dos motoristas (como acelerações e frenagens excessivas, velocidade acima do limite, curvas perigosas) para calcular uma nota da performance do condutor. Dessa forma, o gestor consegue extrair insights para identificar bons motoristas e, assim, ter meios de retê-los, além de traçar alternativas para reduzir acidentes e multas.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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