Combinação de transporte em navio, trem e caminhão conecta o Nordeste ao Centro-Oeste

05/05/2023

Os estados da Região Nordeste vêm sendo conectados ao Centro-Oeste – especialmente Mato Grosso – por operações multimodais que envolvem a movimentação de cargas por trens, navios e caminhões.

Contêineres carregados com produtos como sal, agroquímicos, vidros, baterias para veículos e outros saem de indústrias no Nordeste e chegam até o terminal de Rondonópolis, MT, após percorrerem trechos curtos pela rodovia, longas distâncias em navios e trajetos médios pela ferrovia, aproveitando da melhor forma a vocação de cada modal.

A movimentação de cargas pela Brado – considerada referência nacional em serviços de logística multimodal – com essa combinação triplicou entre 2021 e 2022, saltando de 180 para 740 contêineres transportados. O resultado demonstra a competitividade da solução do ponto de vista logístico.

“A geografia e a distribuição da população no Brasil favorecem a combinação desses modais. Os navios percorrem o litoral, que tem maior concentração de indústrias, enquanto os trens e caminhões distribuem a carga para o interior”, diz Pedro Takahashi, especialista de Inteligência de Mercado da empresa. “Além de mais econômicas, a ferrovia e a cabotagem são formas mais eficientes, seguras e sustentáveis de movimentar grandes volumes”, completa.

Operação multimodal

Em geral, essa operação multimodal começa na área portuária, de onde o caminhão sai com o contêiner vazio e vai até a planta do cliente, seja produtor ou indústria. O produto é então carregado e o caminhão volta ao porto para a transferência do contêiner ao navio. Em outros casos, a carga é levada da planta do cliente em caminhões comuns e o cross docking – transferência da carga para o contêiner ­– é feito na região portuária.

As cargas produzidas nas principais regiões industrializados do Nordeste normalmente são transportadas em contêineres de 40 pés e saem principalmente dos portos de Pecém, CE, Suape, PE, e Salvador, BA. Os navios percorrem a costa brasileira até o Porto de Santos, SP.

De Santos, novamente em caminhões, os contêineres seguem até Cubatão, SP, onde são transferidos para o trem. Percorrem 1.544 quilômetros pela ferrovia e chegam ao terminal da Brado em Rondonópolis, MT. Na última etapa, as cargas são distribuídas por caminhões para as cidades da Região Centro-Oeste.

Logística reversa

No caminho inverso, a operação leva insumos de Mato Grosso para o Nordeste, realimentando o processo de industrialização. “Esse aproveitamento da rota oposta otimiza os ativos e torna a solução mais eficiente”, afirma o gerente comercial da Brado, Thiago Estevam. Conforme o gerente, a intenção da empresa é ampliar a gama de produtos e atender outros mercados. “Um exemplo é a pluma de algodão, que pode sair das algodoeiras de Mato Grosso para abastecer os estados da Região Nordeste. Além de mais competitiva, essa operação garante a regularidade da entrega, considerando a constância dos transportes marítimo e ferroviário”, finaliza Estevam.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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