CEO da Intelipost e professor do Inteli apontam cinco tecnologias em desenvolvimento para transformar a logística

26/03/2024

Inteligência artificial, internet das coisas, blockchain: se direcionados para as aplicações corretas, essas tecnologias podem trazer ganhos de velocidade, segurança e redução de custos para a área da logística. Direcionar o desenvolvimento tecnológico para os desafios práticos do mercado exige uma aproximação entre empresas e academia e foi com esse intuito que o CEO da Intelipost, Ross Saario, esteve no Inteli, Instituto de Tecnologia e Liderança, para conversar com alunos do curso de Ciência da Computação, durante a aula de Aplicações Inovadoras em Supply, comandada pelo professor, doutor pela USP, Pedro Teberga.

Com uma metodologia baseada em ensino 100% por projetos, o Inteli estimula que os alunos, futuras lideranças em tecnologia, apliquem seus conhecimentos com base em desafios práticos, o que já levou ao desenvolvimento de mais de 200 projetos inovadores. Juntos, o professor do Inteli Pedro Teberga e o CEO da Intelipost, Ross Saario apontam as cinco tecnologias que podem transformar a logística no futuro:

– Blockchain: Oferece maior transparência e segurança nas transações, reduzindo a possibilidade de fraudes e melhorando a rastreabilidade de produtos. 

– Inteligência Artificial (AI) e Machine Learning (ML): Algoritmos de IA podem analisar grandes volumes de dados para identificar padrões e tomar decisões mais inteligentes em tempo real, ajudando a reduzir custos logísticos e aumentar a satisfação do cliente na jornada de entrega. Podem otimizar rotas de entrega, prever demandas e automatizar tarefas de armazenagem, contribuindo para reduzir custos e otimizar tempos de entrega.

– Internet das Coisas (IoT): Permite a monitorização e gestão em tempo real de ativos e inventários, melhorando a eficiência e reduzindo custos operacionais.

– Robótica Avançada: Utilizada em armazéns para automatizar o picking e packing, melhorando a eficiência e velocidade das operações de armazenagem e despacho. Sistemas automatizados de armazenamento e coleta podem acelerar o processamento de pedidos, reduzir erros e minimizar custos operacionais.

– Análise de Dados Avançada: Ter uma fonte de dados robusta e confiável para escolher os melhores parceiros logísticos de acordo com prazos, preço, cobertura geográfica e tipo de entrega. Isso capacita as empresas a tomar decisões baseadas em dados sobre gestão de inventário, planejamento da cadeia de suprimentos e demanda do consumidor, melhorando o pós-venda e a satisfação do cliente.

Com o desenvolvimento destas tecnologias, a logística pode se tornar não apenas mais eficiente, mas também mais sustentável, já que a otimização de rotas pode trazer a redução de emissão de gases do efeito estufa, com a circulação otimizada de caminhões, por exemplo. A possibilidade de prever a demanda com mais precisão também pode levar a uma gestão mais eficiente de inventário, com estoques menores que reduzem o desperdício e os recursos necessários para manter essas estruturas.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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