BYD faz parceria com Nuro para fabricar veículos comerciais autônomos e 100% elétricos

17/01/2022

BYD e Nuro

A BYD anunciou parceria com a empresa líder em veículos autônomos, a Nuro, para a produção da terceira geração de veículos de entrega autônomos e elétricos. Espera-se que a iniciativa permita serviços mais acessíveis, ecológicos e convenientes da Nuro para milhões de pessoas nos Estados Unidos.

O anúncio da parceria segue o financiamento de US$ 600 milhões da Nuro que fechou no quarto trimestre de 2021 e foi liderada pela Tiger Global Management com a participação de outros investidores.

Combinando a tecnologia avançada dos dois parceiros, o veículo de entrega autônomo de terceira geração da Nuro terá maior capacidade de carga útil e novas tecnologias de segurança. Com o dobro do volume de carga do atual modelo R2 da Nuro, o modelo de produção automotivo também contará com insertos modulares para personalizar o armazenamento e novos compartimentos com temperatura controlada para manter as mercadorias quentes ou frias. As melhorias de segurança incluem um airbag externo para melhorar ainda mais a segurança dos pedestres fora do veículo, bem como um conjunto de sensores multimodais, incluindo câmeras, radares, sensores LiDAR (3D Laser Scanners) e câmeras térmicas, criando uma visão redundante de 360 graus.

“Há muito tempo os especialistas falam que o futuro da mobilidade seria elétrico, autônomo e conectado. E cada vez mais percebemos que esse futuro está se tornando uma realidade pelo mundo, em especial com o novo foco mundial para a promoção de uma economia mais verde e um futuro de menor intensidade de carbono” ressalta o diretor de Marketing e Sustentabilidade da BYD Brasil, Adalberto Maluf.

A Nuro foi fundada em 2016 por Jiajun Zhu e Dave Ferguson, ex-engenheiros principais da equipe de autocondução da Google. É especializada no desenvolvimento de veículos de zero ocupação e projetados especificamente para o transporte de mercadorias sem passageiros. Essa empresa lançou duas gerações de veículos autônomos, introduziu serviços de entrega com líderes da indústria, incluindo Domino’s, Kroger e 7-Eleven, e anunciou uma parceria de vários anos com a FedEx.

“A BYD é uma das maiores redes OEM de veículos elétricos do mundo, e estamos entusiasmados com a parceira para nos apoiar nas operações comerciais em escala”, disse Jiajun Zhu, cofundador e CEO da Nuro. “Estamos ansiosos para transformar os componentes de hardware da plataforma de veículos elétricos de origem global da BYD em veículos autônomos inovadores, capazes de operar em estradas públicas em nossas novas instalações aqui na América”. Através de nossa parceria com a BYD, planejamos produzir veículos autônomos em escala que possam melhorar a segurança rodoviária, a qualidade do ar e o acesso geral às mercadorias”.

Como líder na indústria de eletromobilidade, a BYD inovou em tecnologias ricas no campo da eletrificação. Neste projeto, a BYD está trabalhando em conjunto com a Nuro no desenvolvimento de veículos, e é responsável pela fabricação e testes iniciais dos veículos, e fornece hardware como a Blade Battery, motores elétricos, controles eletrônicos e displays para interação homem-máquina. A Nuro integra tecnologias como direção autônoma, módulos de controle e sensores. A BYD terminará a montagem da plataforma de hardware em sua fábrica em Lancaster nos Estados Unidos, utilizando componentes de origem global. A Nuro completará então o processo de fabricação do veículo instalando e testando os sistemas de autonomia que tornarão a plataforma capaz de operar nas novas instalações da empresa no sul de Nevada.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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