Um círculo virtuoso para os juros

09/06/2008

Está certo o senhor ministro da Fazenda em dizer que temos a menor taxa de inflação entre os países emergentes, a despeito da sua aceleração recente. Essa aceleração pode ser creditada, pelo menos em parte, ao aumento generalizado dos preços dos alimentos e de algumas outras commodities no mercado internacional. A afirmação não tem apenas um caráter factual, comprovável pelos nossos números e pelos números das inflações dos demais países. Dizer que temos a menor inflação também quer dizer que praticamos a melhor política monetária de combate à inflação. Esse resultado na "frente inflacionária" é ainda mais significativo se recordarmos que a política fiscal é francamente expansionista e transfere o ônus do combate à inflação exclusivamente para o Banco Central.

Essas considerações vêm à mente em razão do aumento da taxa de juros básica em 0,5% na reunião do Copom da semana passada. O segundo aumento seguido da taxa já era esperado pelo mercado, cuja única dúvida residia na magnitude do aumento. Embora a maioria dos participantes do mercado esperasse o aumento de meio ponto percentual na taxa de juros, havia quem apostasse em um aumento maior de 0,75%.

É claro que muitos estão argumentando que o BC agiu mal em aumentar novamente a taxa de juros. Alguns, porque a nova safra de aumentos dos juros fatalmente incidirá sobre o mercado de crédito, afetando a demanda por produtos vendidos a prazo. Juros mais altos aumentam o valor das prestações, variável determinante da decisão de compra nas classes C e D. A própria expansão do crédito pode ser vir a ser afetada, já que prestações de maior valor inibem as compras. E uma retração da demanda eventualmente se refletirá negativamente na produção.

Outros se opõem pelo efeito do aumento da taxa de juros sobre os fluxos de capitais externos ao País. Aumentando o diferencial de juros entre a taxa brasileira em relação às demais taxas praticadas no mercado internacional é um atrativo irresistível à entrada de capitais externos. Essa entrada de divisas vem explicando a valorização do real frente ao dólar e tornando mais difícil a competição de alguns produtos industrializados no mercado internacional.

Finalmente, há quem se oponha por razões de natureza fiscal. O aumento da taxa de juros tem um impacto direto sobre a dívida pública, aumentando-a. Estima-se que a elevação da Selic em meio ponto percentual aumente a dívida pública em R$ 2 bi nos próximos 12 meses, sendo o efeito conjugado de meio ponto percentual estimado em 4,2 bilhões. Na seqüência, cresce o serviço da dívida e reduz-se o saldo nominal, além de deteriorar o indicador dívida pública/PIB.

O que poucos estão levando em conta é o aumento concomitante das expectativas de inflação. Antes das duas elevações dos juros pelo Copom em abril e junho, a taxa Selic anual estava em 11,25%. A expectativa para a inflação relevante, a de 12 meses à frente, estava em torno de 4,5%. A expectativa atual da inflação está agora bem acima do centro da meta de inflação anual, de 4,5%. O problema é que essa expectativa subiu e está hoje em torno de 5,5%.

Ora, a taxa de juros relevante do ponto de vista econômico é a taxa de juros real, isto é, a taxa de juros descontada a expectativa de inflação. Quando os juros estavam em 11,25% e a expectativa de inflação era de 4,5% para os doze meses seguintes, a taxa de juros descontando a inflação (a taxa de juros real) era de 6,46%. Com a nova expectativa de inflação e após os dois aumentos da taxa de juros, a taxa de juros real está em 6,40%. Isso explica o porquê de alguns esperarem um aumento maior na taxa na reunião do Copom da semana passada. E justificaria um novo aumento na Selic na próxima reunião, já que muitos países elevaram as taxas de juros em resposta ao aumento das taxas de inflação.

Fonte: www.dcomercio.com.br

Compartilhe:
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL

As mais lidas

01

Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina

02

Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei

03

Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico