SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono

O lançamento do primeiro lote de SAF brasileiro (Sustainable Aviation Fuel) produzido a partir de soja certificada representa um novo avanço na estratégia de descarbonização do transporte aéreo e reforça o potencial do Brasil para ampliar sua participação no mercado global de biocombustíveis. Desenvolvido em parceria entre Bunge, Petrobras e Vibra, o projeto reúne produção agrícola, refino e distribuição em uma cadeia integrada voltada ao atendimento dos critérios internacionais de sustentabilidade.

Produzido com matérias-primas provenientes de cadeias rastreadas e certificadas, o combustível sustentável de aviação atende às exigências de mercados que buscam reduzir as emissões de carbono sem comprometer a eficiência operacional. O movimento ocorre em um momento de expansão das políticas globais voltadas à transição energética, especialmente na aviação, um dos segmentos considerados mais desafiadores para a descarbonização.

Segundo Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP nas regiões de Ribeirão Preto, Franca e Sertãozinho, a iniciativa demonstra que o Brasil reúne vantagens competitivas para ocupar posição de destaque na nova economia de baixo carbono. “Estamos acompanhando uma transformação profunda no comércio internacional. Os mercados estão exigindo produtos e cadeias produtivas cada vez mais sustentáveis, e o Brasil possui vantagens competitivas importantes, tanto pela força do agronegócio quanto pela experiência consolidada na produção de biocombustíveis. O lançamento do SAF produzido com soja brasileira mostra que o país pode ser protagonista não apenas no fornecimento da matéria-prima, mas também no desenvolvimento de tecnologia e soluções para a descarbonização.”

Além do impacto para a aviação, a especialista destaca que o projeto fortalece o posicionamento do Brasil no comércio exterior ao agregar inovação e valor aos produtos nacionais. “Quando o Brasil desenvolve soluções sustentáveis para abastecer mercados internacionais, amplia sua competitividade e cria novas oportunidades de negócios. Não estamos falando apenas de exportar commodities, mas de agregar valor, inovação e sustentabilidade aos produtos brasileiros.”

Biocombustíveis ampliam oportunidades para a logística internacional

Na avaliação de Cristiane, o avanço do SAF brasileiro faz parte de um movimento mais amplo de fortalecimento da presença do país na agenda internacional dos combustíveis renováveis. Ela cita, como exemplo, o crescimento da utilização do etanol de milho brasileiro, que recentemente passou a ser reconhecido como alternativa também para aplicações no transporte marítimo. “Esses movimentos se conectam. O Brasil vai consolidando sua imagem como fornecedor de soluções para a descarbonização dos transportes, seja na aviação, no setor marítimo ou futuramente em outras modalidades. Isso fortalece a indústria nacional, gera oportunidades para o agronegócio e aumenta a relevância do país nas discussões globais sobre sustentabilidade.”

A especialista ressalta ainda que a tendência é de crescimento contínuo da demanda internacional por combustíveis renováveis, impulsionada pela entrada em vigor de novas regulamentações ambientais e pelo compromisso de empresas em reduzir as emissões ao longo de toda a cadeia logística. “Quem conseguir oferecer produtos sustentáveis, tecnologia e rastreabilidade terá vantagens competitivas importantes. O Brasil reúne clima, capacidade agrícola, conhecimento técnico e uma matriz energética que favorecem esse protagonismo. Estamos diante de uma oportunidade histórica para transformar nossa vocação em liderança mundial na economia de baixo carbono.”

Cristiane Fais: “Os mercados estão exigindo produtos e cadeias produtivas cada vez mais sustentáveis, e o Brasil possui vantagens competitivas importantes, tanto pela força do agronegócio quanto pela experiência consolidada na produção de biocombustíveis.”

Ao integrar produção agrícola, indústria, refino e distribuição, a parceria entre Bunge, Petrobras e Vibra evidencia o potencial da cadeia brasileira de biocombustíveis para atender às demandas da logística internacional e contribuir para a redução das emissões no transporte global.

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