Otimização de armazéns, o caminho mais rápido e simples para obter resultados

01/04/2009

Diante de um cenário incerto, de grandes dificuldades econômicas e de enorme pressão por resultados, a otimização da operação de movimentação e armazenagem de materiais poderá se tornar a “tábua de salvação” de muitos profissionais da área de logística / supply chain que precisam apresentar resultados no curto prazo.

O armazém propicia inúmeras oportunidades de ganhos, e melhor ainda, com pouca ou nenhuma necessidade de investimentos, e num prazo muito curto.

Mas como fazer isso? Qual o caminho a percorrer?
 
Primeiro, observe que as operações em Centros de Distribuição são de mão-de-obra intensiva, mesmo naqueles em que a automação tenha avançado de forma parcial ou total. A mão-de-obra representa ao redor de 40% a 60% do custo operacional de um armazém. Alguns mais ansiosos ou afoitos podem deduzir então que a saída é reduzir a mão-de-obra, correto? Quase, mas não ainda. Vejamos o porquê disso.

Segundo, tratando de operações que dependem de muita mão-de-obra, é de suma importância aproveitar o conhecimento que essas pessoas dispõem da rotina diária. Precisamos captar esse conhecimento, identificar oportunidades de melhoria e transformá-lo em ações objetivas que promovam a redução de custos sem afetar o nível de serviço.

Em operações de Centros de Distribuição as melhorias são processadas no sentido bottom-up, ou seja, de baixo para cima. Porém, a grande maioria dos profissionais que lideram essa área acredita que as mudanças ocorrem no sentido top-down, de cima para baixo.

Muitos gerentes, coordenadores e líderes de armazéns trazem para si a responsabilidade exclusiva pela melhoria do desempenho da operação. É importante esclarecer que sozinhos não conseguirão nada.

Quer ver? Responda às seguintes perguntas:

1)    Sua equipe operacional é responsável por medir os indicadores de produtividade, serviços e custos da operação? Eles se sentem parte do processo de melhoria contínua?

2)    Sua equipe operacional tem acesso irrestrito a computadores, domina Excel e Power Point e tem condições de elaborar planilhas, gráficos e preparar apresentações?

3)    Sua equipe domina as ferramentas básicas da Qualidade Total como PDCA, 5W2H, Diagrama de Ishikawa, DMAIC, brainstorming, análise dos cinco porquês, Pareto, etc.?

4)    As pessoas-chave da sua equipe operacional estão capacitadas em estatística básica, custos e matemática financeira?

5)    Na sua operação é praticada a gestão à vista?

6)    São realizadas reuniões diárias (ou pelo menos semanais) para a análise dos problemas ocorridos?

7)    Existe um programa de remuneração variável atrelado à realização das metas?

8)    A liderança de sua operação de movimentação e armazenagem atua de forma positiva junto à equipe? Ela tem sido hábil em transformar recurso humano em capital humano, ou seja, em agentes ativos de mudanças e que efetivamente agregam valor para clientes internos e externos?

9)    Existem processos formais? Estes processos estão devidamente orientados para a satisfação das necessidades e expectativas dos clientes internos e externos do Centro de Distribuição, no qual se incluem os motoristas das transportadoras, a área Comercial e Marketing, a área produtiva, os canais de distribuição atendimentos, etc.?

10)   Existem “lacunas” ou redundâncias nos processos-chave do Centro de distribuição? Os processos são seguidos pelos funcionários ou existem atividades desenvolvidas em paralelo?
 

Se você respondeu NÃO à maioria das questões acima, seguramente o seu armazém não esgotou ainda as possibilidades de melhoria na operação. Possivelmente exista espaço para reduzir custos em até 25% e melhorar o serviço de forma exponencial.

De nada adianta ter uma infra-estrutura física classe mundial e nem implantar o melhor sistema WMS (Warehouse Management System ou Sistema de Gestão de Armazéns) se você não souber aproveitar o conhecimento disponível em sua operação.

O caminho para as melhorias significativas em armazéns passa primeiro pelos PROCESSOS, os quais dependem do comportamento de PESSOAS. A sua equipe operacional, se motivada e estimulada a cooperar, saberá rever os processos de forma simples e extremamente objetiva, impactando diretamente, por exemplo, na redução de avarias e furtos, na diminuição do índice de inversões de produtos que impacta no % de pedidos perfeitos, na melhor unitização das cargas e conseqüente maior aproveitamento cúbico dos veículos, na diminuição dos acidentes envolvendo empilhadeiras e na redução das paradas de equipamentos para manutenção corretiva, na maior produtividade na conferência, estocagem e separação de pedidos, na maior acuracidade entre inventário físico e contábil, etc.

Obter resultados em armazéns pode ser mais fácil e mais rápido do que você imagina. A redução de pessoal, o principal custo de um armazém, será uma conseqüência natural desse trabalho.

Pense menos em contar com recursos financeiros para investir e direcione a sua atenção para dentro, para o recurso mais importante, as PESSOAS. Pense nisso! Pratique!

 

Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística

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