A autorização para instalação de farmácias dentro de supermercados, prevista na Lei nº 15.357/2026, amplia o acesso da população a medicamentos no Brasil, mas também aumenta os desafios relacionados à armazenagem, conservação e controle logístico desses produtos.
Segundo o Grupo Polar, especializado em soluções para cadeia fria, o novo modelo exige atenção redobrada para garantir que medicamentos sejam armazenados e transportados dentro das condições adequadas de temperatura, umidade e rastreabilidade.
A legislação mantém exigências como espaço segregado, controle ambiental, rastreabilidade dos produtos e presença obrigatória de farmacêutico responsável, além da proibição de venda em gôndolas comuns. Ainda assim, o crescimento desses novos pontos de comercialização eleva a necessidade de monitoramento técnico em toda a cadeia.
O cenário ganha ainda mais relevância diante da expectativa de ampliação da oferta de medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo utilizado em produtos como Ozempic, cuja patente perdeu exclusividade recentemente.
Para Liana Montemor, diretora técnica do Grupo Polar, medicamentos exigem tratamento diferenciado dentro da cadeia logística.
“Estamos diante de um movimento importante para ampliar o acesso, mas que precisa vir acompanhado de critérios técnicos bem definidos. Medicamentos não podem ser tratados como produtos comuns de prateleira. É essencial que esses novos pontos de venda sigam as mesmas regras já aplicadas às farmácias tradicionais”, explica.

Controle de temperatura ganha importância na logística farmacêutica
De acordo com a especialista, um dos principais desafios está na conservação correta dos medicamentos ao longo de toda a operação logística.
Produtos farmacêuticos são sensíveis a variações de temperatura, umidade e tempo de exposição fora das condições ideais. Quando esses parâmetros não são respeitados, há risco de comprometimento do princípio ativo, perda de eficácia e até surgimento de reações adversas.
“Quando essas condições não são respeitadas, há risco de deterioração do produto, comprometimento do princípio ativo, perda de eficácia e até o surgimento de reações adversas”, alerta Liana.
Nesse contexto, o monitoramento contínuo das condições ambientais passa a ser considerado essencial. Segundo o Grupo Polar, a prática já está alinhada às diretrizes previstas na RDC 430, que estabelece boas práticas para distribuição, armazenagem e transporte de medicamentos.
A diretora técnica também chama atenção para situações comuns no ponto de venda, especialmente em produtos que exigem refrigeração.
“No caso de produtos que exigem refrigeração, por exemplo, muitas vezes não há controle preciso sobre o tempo e a temperatura aos quais foram expostos fora das condições ideais, por exemplo, em casos de falha de energia”, afirma.
Segundo ela, o problema também ocorre durante o transporte até o consumidor final, principalmente quando medicamentos refrigerados são levados sem isolamento térmico adequado.
“É comum que medicamentos refrigerados sejam levados em sacolas plásticas comuns, sem isolamento térmico adequado, com gelo em gel reutilizável, muitas vezes não específicos para o transporte farmacêutico, o que pode comprometer a manutenção da temperatura e, inclusive, levar ao congelamento do produto”, reforça.
Para minimizar riscos, a recomendação é que farmácias e drogarias utilizem sistemas qualificados de controle de temperatura, incluindo caixas térmicas, bolsas específicas e monitoramento contínuo das variáveis ambientais.
O Grupo Polar destaca ainda que qualquer desvio nas condições ideais ao longo da cadeia logística pode comprometer a qualidade do medicamento e afetar diretamente o paciente.
“Qualquer desvio ao longo da cadeia pode comprometer a qualidade do produto. No fim, quem mais sofre as consequências é o paciente”, conclui Liana.








